A evolução dos clássicos da Disney e o mundo mágico das animações
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A evolução dos clássicos da Disney e o mundo mágico das animações

A evolução dos clássicos da Disney e o mundo mágico das animações

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Como fazer a magia ganhar cor, movimento, fala, música e ainda marcar gerações por mais de oitenta anos? O fenômeno da animação e histórias de fantasia tem nome, muita criatividade e talento de sobra. 

Criado e desenvolvido pelos irmãos Walt e Roy Disney, o pequeno estúdio de animação Disney Brothers Cartoon Studio, nascia no ano de 1923, com a produção da obra: Comédias de Alice.

Após muitas tentativas falhas de sucesso, conflitos e dificuldades financeiras, o trabalho dos irmãos só começou a ganhar força em 1928, com a criação do personagem e carro-chefe da marca: Mickey Mouse. O camundongo mais famoso do mundo foi o pontapé inicial para que o estúdio fosse repaginado e ganhasse um novo nome: Walt Disney Productions. Embarcando, assim, em um sucesso global com milhões de fãs na bagagem.

disney
Irmãos Disney e o Mickey Mouse. | Foto: Reprodução.

Era de Ouro

O passo mais certeiro dos irmãos aconteceu inicialmente em 1937, com o filme A Branca de Neve e os Sete Anões, que foi inspirado nos contos de fada dos Irmãos Grimm, os quais serviram como base para outros clássicos da empresa.

O filme que, em primeiro plano, tinha os anões como protagonistas, foi modificado e deu espaço para que a primeira princesa da Disney ganhasse sucesso mundial. A inveja da Rainha Má contra a Branca de Neve e a imagem do Príncipe Encantado alcançou, de cara, muitos países, além dos Estados Unidos, e fez com que o mundo começasse a notar as produções vindas do pequeno estúdio da Califórnia. 

A Branca de Neve, primeira princesa da disney
A Branca de Neve e a Rainha Má disfarçada de bruxa. | Foto: Reprodução.

Após três anos da primeira animação, em fevereiro 1940, o filme Pinóquio é lançado na América do Norte e chega rapidamente ao Brasil. A história da marionete de madeira que passa a ter vida, após o encanto da Fada Azul, discute questões como mentiras e senso de cuidado.

Como era de costume, os personagens foram redesenhados durante o processo de criação do filme e, assim, surgiu a aposta certeira em uma criatura que é um marco para a Disney: o narrador Grilo Falante. Por mais que Pinóquio tenha feito determinado sucesso, o lucro foi bem abaixo do esperado pelo estúdio e as críticas julgavam o filme como tenebroso e, de certa forma, macabro, por possuir quatro vilões que saem impunes no final da história. Surge aí, o primeiro deslize pós-sucesso mundial. 

Em 1941, mais uma animação vai ao ar. Dessa vez, depois da crise e frustrações com Pinóquio, o filme Dumbo é lançado e produzido sem muitos investimentos, e com bastante dificuldade. 

Dumbo (1941)
Dumbo (1941). | Foto: Reprodução.

Em um cenário de cortes de salário, alguns funcionários entraram em greve e isso causou conflito nas salas de criação. Mas, para surpresa e felicidade da Walt Disney, a história do elefante orelhudo supera as expectativas e chega próximo ao sucesso de A Branca de Neve e os Sete Anões, mesmo que com metade do orçamento disponível para a produção.

A história de Dumbo encanta ao mostrar diferenças de forma emocionante, tanto é que, 78 anos depois, a animação ganhou uma versão live-action com algumas adaptações no roteiro, mas ainda carregando a essência de um clássico.

Ao perceber que contos com animais atraíam atenção, foi lançado, um ano depois, o filme Bambi. A trágica morte da mãe do cervo faz com que essa seja uma das animações mais emotivas do catálogo e, assim, se encerrando a conhecida Era de Ouro da Disney

Era de Prata

Com o passar dos anos, durante a época da Segunda Guerra Mundial, algumas produções de cunho político foram desenvolvidas, entretanto, nenhuma com grande êxito. É nesse momento que nasce a personagem Zé Carioca (1944), a representação do que seria o Brasil nas animações estadunidenses, atingindo popularidade limitada. 

Após a sucessão de fracassos, em 1950, se inicia a Era de Prata da Disney, com um dos títulos mais representativos para o estúdio. Com seu clássico castelo que marca o parque Disneyland, na Califórnia, e a abertura de diversas animações, o filme Cinderela é um verdadeiro ápice na vida dos irmãos.

A história da gata borralheira fez com que a princesa fosse referência para muitas pessoas, tornando-se inesquecível. Assim, com o enorme sucesso, foram feitas várias versões do conto, incluindo a versão live-action. Cinderela abriu portas para animações bastante importantes e de extrema relevância para o universo Walt Disney Productions que vivia sua Era de Prata.

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Castelo da Cinderela na abertura de filmes. | Foto: Reprodução.

A sequência de acertos marcada por filmes como Alice no País das Maravilhas, em 1951, Peter Pan, em 1953, A Dama e o Vagabundo, em 1955, e A Bela Adormecida, em 1959, fez com que os estúdios resgatassem a “fórmula” do sucesso.

Grande parte disso foi fruto de investimentos e muita, mas muita calma. As animações demoravam bem mais tempo para serem feitas, entretanto, vinham com a qualidade cada vez mais evoluída em termos técnicos e a riqueza de detalhes era crescente. 

Para comprovar que a Era de Prata foi realmente uma aposta certa, outros clássicos foram lançados e, sem dúvidas, marcaram gerações. As estreias de Os 101 Dálmatas, em 1961, e Mogli, O Menino Lobo, em 1967, renderam um retorno financeiro extremamente positivo para a empresa que, infelizmente, enfrentou um momento de tensão no mesmo ano.

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Cena de Os 101 Dálmatas. | Foto: Reprodução.

Chegava, então, o fim a vida de Walt Elias Disney, aos 65 anos, e, tempo depois, Roy Disney também viria a falecer devido a um ataque epilético. A morte dos irmãos abalou o caminhar das produções, porém, a marca precisava ser mantida e a magia não poderia ser deixada de lado. A partir disso, se dá início à Era de Bronze da Disney.

Era de Bronze

Como esperado, as primeiras produções pós-falecimento dos Disney obtiveram pouco sucesso mundial. As histórias passaram a ser menos fantasiosas, com poucos clichês e uma carga emocional muito pesada, pendendo até para a tenebrosidade.

Os filmes mais populares dessa época foram: Robin Hood (1973), As Aventuras do Ursinho Pooh (1977) e o clássico O Cão e a Raposa (1981), os quais carregavam uma dose de ludicidade voltada ao público infantil.

Era do Renascimento

Mesmo em meios ao caos, o momento de crise, claramente, foi passageiro. A equipe possuía cartas na manga e o refúgio se deu no bom velho conto de fadas. Tirando da gaveta uma ideia surgida antes mesmo da Segunda Guerra, a Walt Disney produziu, em 1989, o sucesso A Pequena Sereia. Eles adaptaram alguns pontos e apostaram todas as fichas no canto da sereia ruiva, que se tornou uma das princesas mais populares do mundo. A partir daí, dava-se início à Era do Renascimento.

Dois anos após o ápice com A Pequena Sereia, eles embarcaram em outro sucesso espetacular. A Bela e Fera é, sem dúvida, um verdadeiro clássico digno de contemplação. Ela foi a primeira animação a ser indicada e concorrer ao Oscar de ‘Melhor Filme’ e ganhou um Globo de Ouro de ‘Melhor Filme Musical ou Comédia’, quebrando a barreira de cem milhões de dólares no seu lançamento.

Com diversas músicas marcantes e com uma história de amor acompanhada de muita tensão, o conto emocionou muitas pessoas e foi altamente aclamado pela crítica. Recentemente, a animação ganhou uma versão live-action com o protagonismo da atriz Emma Watson. 

O Renascimento da Walt Disney Productions veio acompanhado de inovações no roteiro e bastante adaptações. Os filmes buscavam explorar outras culturas e personagens cada vez mais diferentes. 

Assim, em 1992, é lançado o trigésimo primeiro filme da marca: Aladdin. Tendo a história baseada no conto Aladim e a Lâmpada Mágica, de Mil e Uma Noites, a animação tinha como atrativo principal a representação da cultura árabe em suas cenas.

A proposta deu tão certo que o amor entre Aladdin e Jasmine quebrou diversas barreiras, recebeu três indicações ao Oscar e venceu a estatueta de ouro na categoria ‘Melhor Trilha Sonora Original’. Em 2019, o filme ganhou uma versão live-action e os fãs puderam contemplar a interpretação do ator Will Smith, como o Gênio da Lâmpada, e relembrar as clássicas canções como Mundo Ideal e Noite na Arábia, rendendo um retorno positivo para a produtora.

Aladdin
Cartaz do filme Aladdin, 1992. | Foto: Reprodução.

No ano de 1994, a Walt Disney percebeu que as histórias de animais como protagonistas deveriam voltar à tona e depositaram novas expectativas nisso. É lançado, então, o filme Rei Leão, um verdadeiro fenômeno na história da empresa.

A animação que retrata a vida dos leões Simba, Mufasa e Scar e as aventuras de Timão e Pumba foi indicado rapidamente ao Oscar e ao Globo de Ouro e recebeu críticas positivas por conseguir cativar o mundo inteiro. O sucesso foi tanto que Rei Leão ganhou uma adaptação teatral da Broadway e adquiriu mais duas sequências da animação, além de uma versão live-action que continuou espalhando o lema Hakuna Matata por aí.

A Era do Renascimento vinha rendendo pontos bastante positivos para a Disney na década de 90. A produtora percebeu que a fórmula estava na inovação e que as histórias precisavam ser mais sustentadas, firmes, bem produzidas e deveriam acompanhar o caminhar da sociedade da época.

Princesas indefesas que viviam esperando a chegada de um Príncipe Encantado para salvarem suas vidas, já não era mais uma boa ideia e não poderiam ser representadas. Surge, então, uma nova era das personagens da Walt Disney: as princesas fortes, independentes e capazes de conquistar as coisas sozinhas.

Então, em 1995, é lançado o filme Pocahontas, que surpreendeu o público com essa nova forma de representação. A personagem é uma índia que luta contra a colonização de sua aldeia e possui uma personalidade firme e decidida. Pocahontas chegou a inspirar muitas pessoas e causar uma repercussão bastante positiva para o momento, dando o pontapé inicial para uma nova liga de personagens.

Contribuindo também para o novo perfil de princesas, em 1998, vai ao ar a animação Mulan. Baseado na lenda chinesa de Hua Mulan, o filme mostra representações da cultura da China e a garra da personagem, que consegue vencer uma guerra com suas próprias mãos e salvar sua comunidade.

O sucesso de Mulan é lembrado até os dias do hoje e ela é uma das princesas que mais chamam atenção no catálogo da Disney, chegando a ganhar uma versão live-action que tem data marcada para o dia 24 de julho de 2020 e promete ser um grande sucesso.

Mulan
Cena do filme Mulan, 1998. | Foto: Reprodução.

No começo dos anos 2000, chega ao fim a sequência de acertos nos filmes e a concorrência, que antes era irrelevante, começa a preocupar os animadores do estúdio Walt Disney. Conhecida como Pós-Renascimento, a nova Era que se iniciava vinha com cerca de dez títulos, os quais apenas alguns adquiriram relevância e popularidade. 

Pós-Renascimento

O destaque da época fica por conta de Lilo & Stitch, animação produzida em 2002, e que ganhou visibilidade por mostrar uma história ousada, inovadora e que unia seres humanos com alienígenas.

O longa-metragem foi indicado ao Oscar na categoria de ‘Melhor Animação’ e gerou o lucro de mais de cem milhões de dólares em seu lançamento. A aliança formada entre os personagens tornava concreto o ideal pregado pelo filme – Ohana

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Lilo&Stitch, 2002. | Foto: Reprodução.

Era da Renovação

A partir daí, chegava o momento da Era da Renovação. Como o nome já diz, foi o período em que a produtora se reergueu e lançou grandes sucessos. No ano de 2009, ia ao ar A Princesa e o Sapo, um filme que encantou o público desde sua divulgação e conseguiu unir um bom clichê a pontos importantes para a sociedade e que mereciam determinada atenção.

Tiana, personagem principal da animação, é a primeira princesa negra que integrava o catálogo da Disney e ainda fazia parte daquela legião de mulheres com personalidade forte, determinada e que põe a mão na massa. Aclamada pela crítica, a história é um marco para o estúdio e deu continuidade à quebra de padrões até então sustentados ao estilo do filme, estampando representatividade nas salas de cinema de todo o mundo.

No ano seguinte, em 2010, inspirado no conto da Rapunzel, dos Irmãos Grimm, era lançado um dos filmes mais caros da história da Walt Disney Productions. A animação Enrolados foi um sucesso estrondoso fruto de anos de produção e uma riqueza de detalhes que era surpreendente.

O combo coragem, ousadia, amor e um pouco de distração, fez com que a Rapunzel e José Bezerra – personagens principais – fossem indicados a nove premiações e garantissem dois Globos de Ouro. O alto investimento foi recompensado e o filme é, sem dúvidas, um dos maiores acertos da Disney.

Já no ano de 2012, um universo ainda não explorado nas animações ganhava vida e caiu nas graças do público. Detona Ralph se passa dentro de um vídeo game onde, Ralph, personagem principal vive grandes aventuras ao lado de outros heróis dos games, incluindo a personagem Vanellope, que é marca registrada do filme.

O sucesso foi tanto que o longa foi indicado ao Oscar, mas acabou perdendo para Valente (Disney/Pixar), gerando uma grande polêmica e dividindo opiniões entre os críticos de cinema.

Em 2018, houve uma continuação e ia ao ar Wifi Ralph: Quebrando a Internet, filme que possui umas das cenas mais icônicas de todo o universo Disney: todas as princesas reunidas em um só local, reiterando suas forças próprias e independência, obviamente gerando um sucesso grandioso de bilheteria. E sim, a princesa de Valente estava na cena.

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Cena do filme Wifi Ralph, 2018. | Foto: Reprodução.

A Era da Renovação também contou com títulos como Operação Big Hero, em 2014, e Zootopia, em 2016, ambos de muito sucesso e admiração. Também no ano de 2016, o quinquagésimo sexto filme da Disney tornava-se a terceira animação 3D feita pela nova sede da empresa, a Walt Disney Animations Studios. Esse cargo fica por conta de Moana: Um Mar de Aventuras e deu à princesa polinésia uma grande legião de fãs e duas indicações ao Globo de Ouro.

Voltando ao ano de 2013, os estúdios Disney lançavam e divulgavam o filme que é um verdadeiro fenômeno que fez e continua fazendo história. O frio de Arendelle e os poderes da princesa Elsa, fizeram de Frozen: Uma Aventura Congelante, a animação com maior sucesso de bilheteria do mundo, com cerca de 1,27 bilhões de dólares no total. Mas de onde vem esse sucesso? 

Digamos que o amor incondicional retratado no filme não vem montado em um cavalo branco e nem faz a princesa ser feliz para sempre. Em Frozen, o verdadeiro amor acontece entre irmãs que, mesmo com as adversidades, encontram cumplicidade, afeto e carinho uma na outra. Elsa, personagem principal, foi alvo de diversas teorias e conspirações devido à ausência de um par romântico, mas, de fato, a sua força, coragem e protagonismo, faz com que esse fato torne-se irrelevante e o filme seja o que é. 

Em 2019, foi lançada a continuação do longa e Frozen 2 ia ao ar, superando o recorde do seu antecessor, chegando a alcançar a marca de 1,32 bilhões de dólares e firmando o sucesso da franquia. 

Frozen
Frozen 2, 2019. | Foto: Reprodução.

A Disney divulgou, recentemente, em suas redes sociais, o adiamento da animação que ia ao ar agora em 2020. Em cenário de pandemia e quarentena geral, o filme Raya e o Último Dragão foi adiado e tem data prevista para o dia 12 de março de 2021, trazendo uma nova princesa forte e guerreira. De fato, mais uma aposta de sucesso e representatividade. 

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Por Davi Guabiraba – Fala! UFPE

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