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Woodstock, 50 anos de paz e música

Woodstock, 50 anos de paz e música

Festival Woodstock, em 1969. (Foto: Divulgação)

Tudo por trás do festival de rock de 1969

Festival Woodstock.
Cartaz de divulgação do Festival de Música e Artes Woodstock, Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz e Música. | Fonte: Divulgação

Quando Michael Lang, John Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld anunciaram o “Festival de Música e Artes Woodstock, Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz e Música”, provavelmente não imaginaram que estavam criando algo para ficar marcado na história mundial.

Realizado entre 15 e 18 de agosto de 1969, na cidade de Bethel, no estado de Nova Iorque, o Woodstock ainda é lembrado como um dos eventos culturais mais importantes do século 20.

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Precedido por uma década marcada por protestos civis como os movimentos antirraciais, LGBTQ+, feministas e aqueles a favor dos direitos civis, o festival surgiu como um apelo do movimento hippie contra a Guerra Fria, os governos autoritários e, principalmente, a Guerra do Vietnã, na qual os Estados Unidos lutavam desde 1961 e continuaram lutando até 1973, quando assinou o Acordo de Paz de Paris.

O movimento hippie, destaque desde o Festival de Música Pop de Monterey, em 1967, e os slogans “Flower Power” (Poder das Flores) e “Peace and Love” (Paz e Amor) se tornaram símbolos da filosofia de não-violência contra a Guerra do Vietnã e se fortaleceram até chegar ao Woodstock em 1969.

“Muita gente estava lá, não pelas bandas, mas pelo acontecimento, a paz e o amor. Eles achavam que realmente poderiam mudar o mundo daquela forma. Eles tinham um pensamento positivo tão forte.”

relembra Walcir Chalas, proprietário da loja Woodstock Discos, no centro de São Paulo, famosa para os brasileiros amantes do rock e heavy metal, fundada em setembro de 1978 e batizada em homenagem ao festival.

Apesar de calcado na positividade e na pacificidade, os organizadores tiveram muitas dificuldades com o festival, a começar pelo local, que precisou ser trocado inúmeras vezes.

De início ele seria realizado na cidade de Woodstock, no interior de Nova Iorque, mas a população ameaçou processar os organizadores, que foram expulsos de várias cidades até Max Yasgur concordar com a realização do festival nos 600 acres de sua fazendo de gado leiteiro.

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Contudo a maior dificuldade foi que o número de pessoas esperado mais que dobrou: foram vendidos aproximadamente 200 mil ingressos, porém cerca de 500 mil pessoas foram ao festival, derrubando cercas e invadindo o espaço.

Assim, foi anunciado que a entrada seria gratuita, para evitar acidentes e maior depredação ao local. O acontecimento gerou mais de 20 quilômetros de trânsito entre as cidades de Nova Iorque e Bethel, além da falta de infraestrutura para abrigar o público, esgotamento de comida e ameaça de interferência militar.

Além disso, o festival foi marcado por chuvas torrenciais que, além de transformar todo o espaço em um grande lamaçal, causou muitos atrasos dos artistas e complicações com equipamentos de filmagem.

“O Woodstock chamou a atenção. Nossa, 500 mil pessoas! Ninguém ia imaginar que alguém ia para ver um show de rock. Hoje é normal, nos estádios, mas isso aí foi marcante, o auge de uma geração, foi o auge da geração hippie de conseguir levar todo o mundo para um mesmo lugar.”

comentou Chalas.
Woodstock
Vista aérea do Festival de Woodstock. | Fonte: Divulgação

Chalas ainda comentou sobre quem tinha o ingresso e não pode chegar ao local, mencionando Jon Zazula, ex-empresário do Metallica, com quem conversou quando esteve na loja: “Ele comprou o ingresso, mas quando viu o trânsito enorme falou que ficou com medo, e desistiu, e foi embora para casa.”

Depois do evento, muitas pessoas que, assim como Zazula, haviam pago pelo ingresso e devido o congestionamento nas estradas não conseguiram chegar ao festival, cobraram uma indenização aos organizadores, que saíram no prejuízo ao investirem US$3,1 milhões e arrecadaram apenas US$1,5 milhões. A dívida foi quitada apenas 11 anos depois, em 1980.

No Brasil, em meio à ditadura militar e a forte censura, o festival de rock apareceu com uma conotação um pouco diferente. Chalas contou que, aos 14 anos de idade, não pôde assistir ao filme “Woodstock”, realizado no festival e já com essa proposta.

“A notícia chegava aqui no Brasil praticamente depois do festival ter acontecido. Na época foi anunciado o filme e ele era proibido para menores de 18 anos. Então eu não poderia nem ter ido no festival, porque não tinha como, nem poderia assistir ao filme, porque ele era proibido.”

Ainda lembra da mensagem na capa do “Diário Popular” da época: o mundo selvagem dos hippies. “Não tinha nada de errado, mas naquela época a censura era muito forte para esse tipo de evento então eles categorizaram tudo como 18 anos.” Disse também que só assistiu anos depois, quando foi lançada uma edição especial estendida do filme, separado em três partes.

O Woodstock contou com mais de 30 atrações artísticas, com destaque para Santana, Melanie, Janis Joplin, The Who, Creedence Clearwater Revival e Jimi Hendrix, anunciados como atrações principais.

Apresentação de Jimi Hendrix no Woodstock. | Fonte: Reprodução

John Fogerty, vocalista de Creedence Clearwater Revival, contou em entrevista ao programa televisivo CBS Sunday Morning que, devido às chuvas, a banda entrou no palco por volta das 3h da madrugada e comparou o cenário que viram a “uma cena dantesca. Apenas corpos do inferno, interligados, sobrepostos, dormindo, enlameados.”

Jimi Hendrix, o artista mais esperado do festival, também foi prejudicado pelas fortes chuvas: ele subiu ao palco apenas às 9h da manhã de segunda-feira, 18 de agosto, quando o público já havia se reduzido para apenas 45 mil pessoas, uma vez que a grande maioria acreditou que tudo havia acabado na noite de domingo.

Ingresso do festival, 1969. | Fonte: Divulgação

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O Festival Woodstock também ficou marcado pelo uso de drogas recreativas de forma tão abundante que a própria organização passou a suspeitar do que ingeriam, chegando ao extremo de irem até uma cidade vizinha para comprar comidas e bebidas lacradas.

Foram quase quatro dias de um festival com regras próprias, onde a nudez não era condenada, pelo contrário, era incentivada, assim como a liberdade dos banhos coletivos e dos relacionamentos afetivos e sexuais explícitos. As pessoas viviam com base na liberdade dos padrões, na paz e no amor. Foi a epítome da expressão “sexo, drogas e rock and roll”.

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Durante todo o festival, mesmo com a superlotação, chuvas e drogas, houveram apenas duas mortes: uma por overdose de heroína e outra por atropelamento. “O lugar não estava preparado para aquele monte de gente, então foi um caos,” lembrou Chalas “morreu gente, nasceu gente… Mas não tinha como, com 500 mil pessoas, não acontecer alguma coisa assim chata.’’

Edição da revista Life sobre o Woodstock, 1969 | Fonte: Twitter (@LIFE)

Ele ainda afirma que o Woodstock foi um divisor de águas:

“Os Beatles se separaram seis meses depois, foi o fim de uma era. Ele vai fazer 55, 60 [anos] e sempre vão lembrar. Pode ter coisa até maior, mas o primeiro, da forma que foi, ninguém esquece. Para mim é importante, inclusive, como a loja também fez uma história importante, eu honrei o nome do festival. E ainda bem! Ainda bem que eu fiz alguma coisa que marcou praticamente a geração seguinte, a geração dos anos ‘70 e dos ’80. A [loja] Woodstock continuou a história do rock no Brasil.”

E terminou exibindo uma reimpressão comemorativa de 35 anos do festival de Woodstock da revista Life, com entrevistas e fotos exclusivas de 1969.

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Por Bruna Janz – Fala! PUC

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