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Uma crônica sobre o dia Internacional da Luta contra a LGBTfobia

Uma crônica sobre o dia Internacional da Luta contra a LGBTfobia


Por uma aluna da Faculdade Cásper Líbero

Hoje é dia de luta. Dia de lembrarmos que o amor vem em primeiro lugar, que o respeito nos faz pessoa melhores e que a igualdade é direito de todo cidadão. No dia internacional de luta contra a LGBTfobia, devemos lembrar que o Brasil é o país mais transfóbico do mundo, e que a luta da resistência vai continuar enquanto os direitos não forem garantidos.

“Eu até aceitaria ter uma filha lésbica, mas ficaria profundamente triste”

Foram essas as palavras que me fizeram perceber o quão cruel é o preconceito. Estávamos voltando para a casa quando mamãe me disse isso, comentando sobre um programa televisivo que falava sobre a lgbtfobia sofrida dentro de casa.

Palavras que me trouxeram memórias de ações que relevei no passado, me proibir de ter o cabelo curto, pedir para que eu me vestisse de forma mais feminina e até as proibições de encontrar amigas de longa data. Tudo isso pelo medo de que sua filha não se encaixasse no padrão ideal.

Nunca me pareceu tão duro, minha bolha social fazia parecer fácil. Minha bissexualidade nunca virou assunto porque sempre foi algo natural – como deveria ser para todo mundo – eu não gastava horas pensando sobre o assunto pois nunca foi um problema para mim. Não até a fala de minha mãe.

Eu não suportaria deixar meus pais tristes, mas evitar essa tristeza eminente me deixa em pedaços, é doloroso pensar que ser quem eu sou é que meus sentimentos em relação às outras pessoas possa gerar tanta confusão.

Estou presa num impasse, tenho orgulho de quem sou e de levantar minha bandeira, me sinto bem quando vejo um casal gay de mãos dadas na rua, me sinto bem quando vejo demonstrações de afeto, me sinto bem quando, mesmo que por apenas alguns minutos, sinto que o amor é mais forte.

Mas os números sempre fazem questão de me lembrar o contrário, no Brasil matam um de nós a cada 19 horas, é difícil de acreditar até você, com 16 anos, ter que lidar com o suicídio de um amigo próximo. Encontrado na varanda de casa, o corpo já frio.

Nos matam todos os dias física e psicologicamente e o impasse permanece. Parece cada vez mais difícil simplesmente ser quem sou.

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