Telma Seidi: Entrevista com a empreendedora e influenciadora digital 
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Telma Seidi: Entrevista com a empreendedora e influenciadora digital 

Telma Seidi: Entrevista com a empreendedora e influenciadora digital 

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Nascida na Guiné-Bissau (Bissau), Telma Seidi é uma mulher de personalidade forte e determinada. O seu nome artístico Tita Pipoka faz juz à sua personalidade. Apesar de ser guineense, emigrou muito cedo para Portugal

“Segundo Telma Seidi, empreender em Guiné-Bissau para as pessoas que vivem num contexto de exclusão econômica e social terem chance de tirar uma ideia inovadora do papel é difícil, além disso não tem programa que proporciona investimento, capacitação e mentoria. Contar com uma rede de apoio é muito importante. Devemos aprender a usar as conexões para fazer acontecer. Sozinhos, não avançamos muito”.

Telma Seidi
Empreendedora e influenciadora Telma Seidi. | Foto/ Reprodução: Acervo Pessoal

Entrevista com Telma Seidi 

1. Na tua opinião o que falta para que a Guiné-Bissau decida, finalmente, investir na formação de empreendedores?

Falta vontade por parte dos nossos governantes de criar projetos que possam dar formação à juventude em áreas de aprendizagem simplificada e posteriormente a criação de micro créditos para impulsionar jovens empreendedores. Os governantes têm de tomar esta iniciativa como um investimento de longo prazo, pois empreendedores geram empregos e riqueza para o país. 

2. A atitude protecionista do governo em alguns campos econômicos afeta o empreendedorismo?

O governo e os dirigentes têm de abrir as portas para o empreendedorismo, sem medos nem receios. Se a Guiné-Bissau ainda não conseguiu ser uma atração para investidores apesar de todas as suas riquezas naturais, isso deve-se à falta de confiança que o próprio investidor sente em relação ao país. Um país onde a lei está do lado dos mais fortes e não da verdade não pode evoluir economicamente.

3. Em quais áreas empreendedoras da Guiné  tem um bom desempenho?

Sendo mulher, tenho focado mais nas áreas femininas e vejo que a mulher guineense, apesar de todas as dificuldades, tem estado a investir na sua formação. A área de beleza, turismo e restauração têm tido uma maior procura no país. 

Temos tido cada vez mais mulheres empreendedoras, empresárias nas mais diferentes áreas. Por exemplo, a campanha de caju é majoritariamente feita por homens, mas hoje em dia já temos mulheres que investem na área também.

4. A inclusão do tema empreendedorismo no currículo escolar é uma necessidade?

A inclusão do empreendedorismo é uma necessidade urgente no currículo escolar visto que a percentagem daqueles que abandonam os estudos por falta de meios ainda é alta. Então se desde cedo os jovens tiverem formação na área e mentoria poderão desenvolver qualidades comerciais incríveis que possivelmente poderão ajudar outros a atingir as mesmas metas.

5. Você se “especializou” em algo para trabalhar como influenciadora digital? Segue uma linha em especial de assuntos ou fala sobre qualquer tema?

As minhas áreas de estudo nada têm a ver com o meu trabalho de influenciadora digital. Estudei Ciências Biomédicas, Relações Internacionais e Estudos Europeus. Nunca imaginei que hoje poderia ser considerada uma influenciadora digital.  Não sigo nenhuma linha específica, simplesmente falo sobre assuntos sociais dos quais penso que sejam importantes dar a minha opinião e de certa forma debater com os meus seguidores.

6. Como é esse mercado, como é a concorrência com os diversos digitais influencers que surgem diariamente?

Para mim é normal. Não tomo isso como concorrência e sim orgulho. Pois penso que a Guiné-Bissau precisa de muitos mais influenciadores de opinião e em todas as áreas. É de extrema necessidade o empoderamento digital, marketing digital para aqueles que queiram realmente fazer disso uma carreira, saberem como ganhar dinheiro ou criar um produto. 

7. Como  lida com o fato de estar influenciando milhares de pessoas?

Penso que até hoje a ficha ainda não caiu. Mas tem sido incrível e entusiasmante cada vez que sou parada na rua.

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Telma Seidi acredita na importância do empoderamento por meio das redes sociais. | Foto/ Reprodução: Acervo Pessoal

8. Quando percebeu que havia potencial para transformar suas redes sociais em um negócio?

Apercebi-me quando alguns seguidores perguntavam sobre o meu cabelo, roupas, unhas, etc ou simplesmente mandavam mensagem a pedir opinião. Então pensei “eu posso vender” então arrisquei-me na venda de cabelos humanos. Assim como também ganhei dinheiro através das minhas redes com parcerias. Hoje em dia já não ganho dinheiro no Facebook pois a Guiné-Bissau é uma região que não tem add breaks. Mas existem sempre outras formas de compensar. 

9. Na sua opinião, a sociedade atual espera coisas diferentes da mulher e do homem? Por quê?

Especialmente a sociedade da Guiné-Bissau ( onde agora resido),  esperam que a mulher seja mais submissa, enquanto o homem pode tudo! Então ter uma Pipoka, mulher, empoderada e dona do seu nariz, tem incomodado alguns e motivado muitas mulheres a correr atrás dos seus sonhos.

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Por Benazira Djoco – Fala! UNIESP PB 

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