Por que há cada vez menos brasileiros na Fórmula 1?
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Por que há cada vez menos brasileiros na Fórmula 1?

Por que há cada vez menos brasileiros na Fórmula 1?


Colunas Esporte Por que há cada vez menos brasileiros na Fórmula 1?

Historicamente, o Brasil sempre foi considerado uma das nações mais
tradicionais na Fórmula 1. Vários pilotos como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna são considerados ícones nacionais e popularizaram a modalidade no país.

Entretanto, o esporte sofreu um hiato na produção de corredores e, nos últimos dois anos, não tivemos nenhum piloto brasileiro no circuito. Mas por que será que isso aconteceu?

Fórmula 1
Fórmula 1 no Brasil

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Ausência de ídolos na Fórmula 1

Um dos motivos para um número cada vez menor de brasileiros na Fórmula 1 é a ausência de ídolos desde Ayrton Senna, último brasileiro campeão mundial da categoria, em 1991.

Fórmula 1
Ayrton Senna foi o último grande ídolo brasileiro na Fórmula 1

Após sua morte, em 1994, mais de 15 pilotos correram pelo Brasil, sendo
Rubens Barrichello e Felipe Massa os que mais obtiveram sucesso. Entretanto, não conseguiram alcançar o status de ídolos nacionais. Entre os dois, Rubinho foi o que chegou mais perto, conseguindo 11 vitórias e 326 corridas disputadas, um recorde na categoria.

Contudo, em seu auge, não foi páreo para o domínio do piloto alemão Michael Schumacher, conquistando apenas dois vice-campeonatos da Fórmula 1. Já Massa quase foi campeão na temporada de 2008, chegando a ficar na liderança do campeonato ao longo desse ano, algo que não era feito desde Senna em 1993. Porém, acabou perdendo o título para o inglês Lewis Hamilton, terminado apenas com o vice-campeonato.

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Nesse contexto, desde Senna, o Brasil não teve pilotos considerados ídolos nacionais, proporcionando uma diminuição do interesse populacional pela F1 e consequentemente, um menor número de pilotos na categoria.

Defasagem em relação à Europa

A formação dos jovens pilotos no país é bem distinta da formação na Europa. Há uma diferença no tipo de equipamento utilizado nas duas “escolas”. Os pneus, por exemplo, têm marcas diferentes: enquanto na F3 europeia eles são Hankook, coreanos, concebidos para os pilotos manterem a aceleração durante toda a corrida, no Brasil eles são Pirelli e apresentam um elevado nível de degradação.

Dessa forma, um automobilista brasileiro, mesmo que talentoso, apresenta mais dificuldade para ter sucesso em campeonatos europeus. Isso já foi observado em vários corredores, como Pedro Piquet, o qual em 2014 e 2015 monopolizou a F3 brasileira, e que, em 2016, ao participar da F3 no Velho Continente, ficou apenas em décimo-nono lugar.

Fórmula 1
Pedro Piquet (esquerda) ao lado do pai Nelson Piquet (direita)
Foto: Autoracing

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Mudanças na própria Fórmula 1

Outro motivo seria a mudança estrutural pela qual a Fórmula 1 passou nos
últimos anos, dificultando o processo para chegar à categoria. As equipes e o número de profissionais técnicos cresceram bastante, fazendo com que o peso da importância desses profissionais seja maior do que o talento do próprio piloto.

O talento ainda é essencial, mas os pilotos precisam do suporte de um grupo de técnicos capazes de trabalhar com a telemetria, analisar dados de desempenho, realizar acertos no carro, entre outras funções.

Além disso, é preciso que os pilotos conheçam os diversos recursos existentes em seu carro e o que cada um deles pode oferecer. A Fórmula 1 busca hoje pilotos que buscam ser o mais rápido possível ao mesmo tempo em que interferem nos comandos do veículo para alcançar esse objetivo.

Formula 1
Volante de um carro de F1, com diversos botões e recursos

Assim, para ter sucesso e chegar à Fórmula 1 atualmente, os pilotos precisam ser mais inteligentes e interessados na área técnica, além do amplo apoio de uma equipe capaz de fazer com que se destaquem.

Má administração da Confederação Brasileira de Automobilismo
(CBA)

Mesmo com o atual mandato de Waldner Bernardo se dispondo a tomar
iniciativas para reverter o atraso que assombra o automobilismo nacional, como tentar implementar uma F4 padrão FIA no território, a CBA ainda sofre pelas suas antigas gestões ruins, que sofreram, inclusive, com inúmeros casos de corrupção.

Dentre os casos analisados pelo Ministério Público, os ex-dirigentes foram
acusados de fraude, tráfico de influência, compadrio, uso indevido de cartão corporativo e recebimentos irregulares por consultorias com o objetivo de garantir uma renda mensal da entidade, o que é proibido.

Esses fatores mostram como a vitoriosa tradição brasileira na Fórmula 1 foi se esvaindo nos últimos anos. Mesmo tempo um passado de bastante sucesso, o futuro nacional na principal categoria do automobilismo mundial apresenta-se como algo extremamente incerto.

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Waldner Bernardo, atual presidente da CBA – Foto: Reprodução

Por Bruno Marquesini e Pedro de Souza – Fala!Cásper

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