Opinião - Rogério Ceni: Ser campeão está em seu sangue
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Opinião – Rogério Ceni: Ser campeão está em seu sangue

Opinião – Rogério Ceni: Ser campeão está em seu sangue

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Rogério Ceni é destaque no Brasileirão

O Campeonato Brasileiro de Futebol, hoje chamado de Brasileirão, teve início no século passado, mais precisamente no ano de 1959. De lá para cá, foram 63 edições, distribuídas em diferentes formatos e nomes, o que gera conflitos até hoje.

Desde então, o Brasileirão coleciona jogadores históricos e marcantes, provocando discussões infindáveis sobre qual o maior nome da história da competição. Pelé? Paulo Roberto Falcão? Tostão? Zico? Edmundo? A verdade é que diversos craques e ídolos estão marcados na memória dos torcedores e do principal campeonato do futebol brasileiro.  

O Brasileirão 2020 se reencontra com um dos maiores nomes do torneio: Rogério Ceni. O ex-goleiro é, nada mais, nada menos, do que o jogador com mais jogos disputados na história da competição: 575 partidas, distribuídas em 23 edições. Nesse meio tempo, o “M1t0”, como é chamado pela torcida do São Paulo, clube pelo qual jogou durante toda sua carreira, ganhou 3 títulos (2006/07/08), além de sete conquistas do prêmio Bola de Prata (seis Bola de Prata e uma Bola de Ouro).

Destaque de Rogério Ceni no futebol

Ceni é o segundo maior vencedor da premiação, ficando atrás apenas de Zico (cinco Bola de Prata e 2 Bola de Ouro). Além das premiações individuais e títulos, Rogério marcou 65 gols (38 de pênalti, 26 de falta e um de bola rolando) no torneio, o goleiro com mais gols pelo torneio.

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Rogério Ceni comemora o tri-brasileiro em 2008. | Foto: Almeida Rocha/Folhapress.

Porém, mesmo diante de todos os recordes, títulos e premiações, um fator importante faz com que seu nome não seja uma unanimidade como o maior do torneio: sua arrogância. 

Nos tempos de jogador, Rogério Ceni era considerado soberbo e arrogante por parte da mídia e de amantes do futebol por todo o Brasil. O torcedor são-paulino, por sua vez, recusava-se a concordar com isso. Talvez pelo fato de não aceitar ver seu maior ídolo ser rejeitado por grande parte dos torcedores brasileiros. 

Como esquecer, por exemplo, da marcante transmissão em que, sem querer, o narrador Milton Leite se referiu ao ex-goleiro como “chato pra c******”?

Incômodo para os torcedores do São Paulo

Entretanto, desde que o agora treinador assumiu o comando técnico do Flamengo, suas coletivas de imprensa têm sido duras para o torcedor do São Paulo. Isso porque, algumas vezes, o treinador chegou a comparar os ambientes das duas equipes. No último domingo, antes da partida contra o Internacional, Rogério declarou: “Eu trabalhei no São Paulo durante tantos anos e é um clube de massa. Mas aqui, assim, é uma atmosfera diferente”.

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Rogério Ceni sendo exaltado por seus jogadores após o título brasileiro. | Foto: Lucas Figueiredo-CBF.

O fato que mais incomoda os torcedores do tricolor paulista é que o comandante rubro-negro nunca treinou a equipe em um jogo com torcida e, consequentemente, não conhece esse calor do mais apaixonado rubro-negro.

Quis o destino que, por incrível que pareça, o jogo mais importante da carreira de treinador de Rogério Ceni fosse, justamente, contra o São Paulo, no Morumbi, estádio onde ele fez história e conquistou muitas glórias. Por outro lado, nessa nova função, o tricolor nunca foi derrotado por seu ídolo desde que virou técnico.

Vitória

O Flamengo chegou para o jogo precisando de uma simples vitória para se consagrar octacampeão brasileiro. No Beira-Rio, em Porto Alegre, o Internacional de Abel Braga precisava de uma vitória sobre o Corinthians e um tropeço dos cariocas em São Paulo para levar o título. Ao Tricolor, além da classificação direta para a Libertadores, também estava em jogo a sua dignidade. Para o seu torcedor, certamente ia doer muito ver o ex-goleiro levantar o caneco na sua antiga casa.

O resultado? Foi como de costume. São Paulo venceu o confronto contra seu ídolo e Rogério Ceni, graças ao tropeço dos colorados, sagrou-se campeão. Aliás, ser vitorioso está em seu sangue. Como jogador, venceu os maiores torneios que um atleta poderia ganhar. Como treinador, a história começa a se repetir. 

Rogério Ceni
Rogério Ceni e comissão técnica ao lado do título brasileiro. | Foto: Alexandre Vital.

Em quatro anos como técnico, Ceni já acumula cinco conquistas entre campeonatos nacionais, regionais e estaduais. Entre os nacionais, em 2018, pelo Fortaleza, Rogério foi campeão da Série B do Campeonato Brasileiro. Hoje, duas temporadas depois, ele volta a colocar seu nome entre os campeões do Brasileirão, desta vez como treinador.

A realidade é que Rogério Ceni é, sem dúvidas, um dos maiores nomes da história do Campeonato Brasileiro, goste ou não. Ser vencedor, e a busca por sempre ser o melhor, está no seu sangue. 

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Por Guilherme Napolis – Fala! Cásper

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