O trabalho e o consumo do jornalismo na pandemia
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O trabalho e o consumo do jornalismo na pandemia

O trabalho e o consumo do jornalismo na pandemia

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A ampliação da importância do jornalismo durante a crise sanitária

A gente acabou achando formas alternativas de fazer gravações que nem sempre primam pela qualidade, mas sim pela informação.

Afirma Handerson Pancieri.

O estabelecimento da crise do coronavírus na conjuntura brasileira, em março de 2020, surtiu efeitos em todas as parcelas da sociedade, o que aconteceu por conta das novas medidas sanitárias e a necessidade de isolamento social. Entre os cenários impactados pela atualização do modo de viver, está o meio jornalístico, não restrito aos profissionais, mas também ao público consumidor de notícias.

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Entenda como o jornalismo está atuando na pandemia. | Foto: Shutterstock.

Jornalismo em meio à pandemia

Mesmo antes da pandemia, o exercício de transmitir notícias era responsável por reorientar sentidos, desmistificar estereótipos e respeitar as diferenças. Agora, não apenas isso, como diz Handerson Pancieri, apresentador do programa Bom dia Goiás, na TV Anhanguera, emissora afiliada à Globo em Goiás: “A pandemia deu um upgrade em tudo isso, porque ela também traz essa necessidade de reorientar; precisamos desmistificar, porque são tantas fake news que surgem por aí, que é preciso criar informações verdadeiras; também respeitar as diferenças, porque isso é entender que estamos todos no mesmo maremoto, mas cada um com formas diferentes de enfrentar.” Esse reforço das funções do trabalho jornalístico fortalece também a sua essencialidade na contemporaneidade, apesar das novas dificuldades que podem ser observadas no ambiente de trabalho.

Segundo Vinícius Sassine, repórter da Folha de S.Paulo, a impossibilidade de o jornalista ir a campo realizar a sua função e a virtualização do serviço dificultam o desenvolvimento das reportagens, o que se torna muito mais burocrático. Mesmo com isso, a informação é priorizada em detrimento da qualidade, visto que a necessidade do trabalho jornalístico tornou-se ainda mais essencial durante as pandemias sanitária e informacional presentes na sociedade brasileira.

Pancieri afirma que a diferença que mais observou é, justamente, nessa questão da qualidade: “Não a editorial, mas sim a técnica, mas isso não compromete tanto num momento em que a informação se faz extremamente necessária”.

Importância do jornalismo

O caráter fundamental da permanência dos meios informacionais comprometidos com o seu papel social conversa, precisamente, com a inescusável luta contra o sensacionalismo pautado na exploração de violência e injustiça social, por exemplo, que mantém o mercado jornalístico descomprometido. Como diz Pancieri:

Esse sensacionalismo cria esse tipo de visão distorcida do fato, e acaba fazendo com que as pessoas acompanhem todos os outros fatos da mesma maneira. Isso causa o impacto de perder a essência da notícia e, consequentemente, a essência da informação enquanto transformação da sociedade. É uma infodemia, de certa forma, porque as pessoas adoram falar de tragédia, e esses fatos passam a disseminar rapidamente, enquanto notícias mais necessárias, que causam impacto na vida das pessoas, acabam não tendo essa mesma repercussão.

Além de prejudicar a percepção popular acerca da veracidade dos fatos, a infodemia ainda sobrecarrega o público das notícias com a quantidade de informações, de modo que esse precise se precaver contra os impactos do fenômeno. Állan Christoffer, 19, estudante de Inteligência Artificial no Instituto de Informática (INF) na Universidade Federal de Goiás (UFG), ao ser questionado sobre como lida com esse cenário responde:

Eu tento me desligar um pouco, em alguma parte do dia, das notícias, pensar só em mim e na minha família. Meditação me ajuda muito; o próprio fato de eu não pegar no celular, que hoje é o dispositivo que eu mais uso para obter informação, é a principal forma que eu lido com esse fenômeno da infodemia, para justamente não pirar: não sofrer nenhum tipo de prejuízo.

Ainda nesse contexto, Adsson Luz, licenciado e mestre em Geografia pela UFG, conta: “Eu passei a ter mais cuidado com as notícias que eu vejo, principalmente no que diz respeito à doença. Eu busco averiguar se as notícias são verdadeiras ou falsas, verificar a veracidade”.

Fake news e a busca por informações verdadeiras

Nesse momento, como afirma Sassine, “as pessoas passaram a buscar mais por informações corretas, por prestação de serviço”. Esse é um cuidado necessário diante do contexto político e social atualmente vivido na conjuntura brasileira, por conta do aumento da disseminação de fake news.

Frente a essa realidade, Állan diz: “Diante das fake news, minha postura foi sempre, primeiro, verificar em sites que eu já estou acostumado a obter informações. Por ser uma pessoa da área da tecnologia, conheço ferramentas que testam a veracidade daquelas informações, ver se aquilo é realmente verdadeiro. Basicamente isso: nunca tomar nenhum tipo de decisão e nem sair espalhando, o que é pior ainda. Tento antes validar em algum lugar: seja nos sites que eu confio, seja usando algumas dessas ferramentas”.

Uma das ferramentas que podem ser utilizadas é o Fake Check – Detector de Fake News, uma plataforma desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade de São Paulo (USP), para verificar notícias falsas. O utensílio trabalha com uma tecnologia que analisa as características de escrita para determinar a veracidade da notícia, e funciona através de um robô no número de WhatsApp.

Apesar da existência de recursos como esse que possibilitam a verificação das fontes informacionais, há grupos de pessoas que não dominam este tipo de tecnologia, ou que simplesmente não têm acesso a elas. Esse aspecto da realidade brasileira reforça a necessidade do reconhecimento da relevância do trabalho jornalístico comprometido, o qual combate a difusão de notícias falsas, como afirma Sassine: “É preciso diferenciar o jornalismo profissional da profusão de opiniões em redes sociais e no ambiente virtual. Temos um código de ética e sua aplicação deve ser buscada todos os dias”.

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Por Eduarda Leite – Fala! UFG

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