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Coringa – finalmente algo novo nos filmes de heróis. Leia a crítica

Coringa – finalmente algo novo nos filmes de heróis. Leia a crítica


Não se engane, Coringa, o novo filme sobre a formação do famoso palhaço homicida, é quase desprovido de qualquer piada. E isso é ainda mais surpreendente ao notar que o diretor é Todd Philips, que também dirigiu a trilogia Se Beber Não Case.

Mas nesse novo filme do diretor canadense, o Coringa, interpretado magistralmente por Joaquin Phoenix, é um cúmulo de desajustes melancólicos: um homem totalmente desconectado do mundo, que parece a todo momento se esforçar para imitar, de forma pouco convincente, o que seria uma pessoa “normal”. Um cara tão machucado que sua gargalhada é realmente involuntária, uma condição doentia do tipo Tourette que o aflige em momentos emocionais muito fortes.

Arthur Fleck e sua síndrome do riso involuntário.

O filme é ambientado em 1981, em uma Gotham City suja e fortemente inspirada em Nova York. O Coringa em formação é Arthur Fleck, uma figura que a princípio não parece reunir as qualidades que formam um típico vilão de super-herói. Arthur mora com sua mãe idosa e doente (Frances Conroy) em um apartamento sujo, cheio de ratos.

Ele é quase desumanamente magro, sua pele pálida ficando marcada quando esticada sobre os sulcos ósseos de sua coluna e caixa torácica. É muito diferente dos outros Coringas que já vimos nos cinemas, pois a atuação de Phoenix dá ao personagem um tom mais doentio, lunático e até meio infantil.

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Filme de Todd Philips deve ser indicado a vários prêmios Oscar.

Se não é performático como o Coringa de Heath Ledger, é porque não é cínico como aquele era. Ainda assim, as cenas mais marcantes do filme são as danças de Arthur, na cidade e em casa, no banheiro, em uma escada ou logo atrás de uma cortina, levantando braços e pernas e balançando ao som de uma ópera ou show de rock que toca só em sua cabeça.

Embora ele consiga sobreviver com o ofício de palhaço, o que ele realmente quer ser é um comediante de stand-up. É uma meta que parece impossível, dada a sua doença mental bastante incapacitante; ele toma sete medicamentos diferentes, nenhum deles muito útil. Além disso, é como a mãe dele lhe pergunta: “Você não precisa ser engraçado para fazer isso?”.

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Joaquin Phoenix como Coringa,

Como esse homem fraco se tornará o chefe criminoso capaz de governar os bandidos de Gotham City? O filme responde essa pergunta com um lento, perturbador e interessantíssimo estudo do personagem Coringa, e ligando-o ao seu adversário mascarado, Batman, de uma maneira não muito diferente do que Tim Burton fez com a sua série de filmes do Homem Morcego nos anos 90.

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A lenta e magnífica transição de Arthur Fleck até o Coringa.

Mas se você vai ao cinema esperando por algo parecido com Aquaman ou Vingadores, saiba que esse filme em nada se parece com as grandes franquias de super-heróis. Não há pancadaria, viagens no tempo, monstros gigantes, super-poderes e nem CGI; o único efeito especial é Phoenix, retorcendo seus membros e sua alma na espiral de pesadelos que engole e mastiga Arthur Fleck para cuspir o Coringa.

E sabendo disso, o ótimo diretor Todd Phillips constrói o filme inteiro em torno do ator, em uma sintonia fantástica, de tal modo que eu ficarei surpreso se ambos não forem indicados aos respectivos prêmios Oscar. Até aqui, filme do ano.

Coringa (Joker)

Data de lançamento: 3 de outubro de 2019 (2h 02min)
Direção: Todd Phillips
Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz
Gênero Drama
Nacionalidades EUA, Canadá

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