As universidades e a adaptação dos trabalhos ao ambiente digital
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As universidades e a adaptação dos trabalhos ao ambiente digital

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A quarentena e o isolamento social são situações inéditas no mundo todo. Para manter o ritmo dos estudos, as escolas e universidades aderiram ao modelo de educação à distância, o EAD, que foi autorizado pelo Ministério da Educação (MEC). O órgão governamental afirmou que não houve perda da qualidade educacional, mas apenas uma mudança na maneira de aplicar os conteúdos, o que é confirmado pela maioria dos universitários e professores. Este dado contraria o senso comum e as recentes fake news de que as faculdades seriam responsáveis por passar trabalhos em excesso e sobrecarregar os alunos.

universidades na pandemia do coronavírus
Universidades têm aulas on-line em meio ao coronavírus. | Foto: Reprodução.

O professor e titular da Dermatologia da Unisa, Dr. Jayme de Oliveira Filho, afirma que, ao contrário do que é esperado, neste período de quarentena o volume de trabalhos foi bem menor. 

Estou passando bem menos trabalhos. A dificuldade de algo novo e a existência de plataformas que conciliem as novas atividades impossibilitam seguir o planejamento inicial. Além disso, o curso de Medicina conta com muitas experiências práticas, impossíveis de serem feitas pela internet.

Justifica Dr. Jayme de Oliveira Filho

A falta de atividades experimentais é também relatada por Gabriela Demito, estudante de Rádio, TV e Internet da Faculdade Cásper Líbero. A aluna afirma que o trabalho com equipamentos e as pesquisas de campo são essenciais, já que os alunos utilizam locações e realizam entrevistas.

Assim, a falta de relacionamento direto levou ao surgimento de novos modelos de aprendizagem, como as aulas pelo Microsoft Teams, sistema adotado pela faculdade. Entretanto, ela também concorda que esse novo molde de ensino afetou diretamente os trabalhos: 

No ano passado, nesse mesmo período de tempo, de março até abril, a gente teve um número de trabalhos muito maior e atividades muito mais densas. Além disso, havia muitos trabalhos em grupo, que passaram a ser individuais.

A universitária afirma acreditar que a diminuição dos trabalhos se deu, também, devido à necessidade de adaptação dos próprios professores que, assim como os alunos, estão em um processo de aprendizado em relação às novas plataformas. A jornalista Michelle Prazeres, professora da Faculdade Cásper Líbero, reafirma o depoimento de Gabriela e completa:

Concretamente, mantive o planejamento inicial de volume de trabalhos, exercícios e avaliações, mas eles tiveram que ser adaptados para o contexto das aulas remotas. Se existe uma sensação de sobrecarga por parte dos alunos, talvez isso se deva ao fato de estarmos todos nos adaptando a uma nova configuração da relação.

Para Michelle, o diálogo entre professores e alunos é um recurso caso exista o sentimento de sobrecarga, já que pode resultar em saídas para cada caso e contexto. Um exemplo disso é relatado pela futura fisioterapeuta Júlia Stolagli, estudante da Faculdade São Camilo. Segundo Júlia, os professores da faculdade estavam usando o tempo das aulas para a aplicação de conteúdos e pediam a realização de avaliações após este período, o que contribuiu para um cansaço excessivo dos alunos. 

Na faculdade, temos duas notas, a nota final e a nota processual. A nota processual está sendo composta por atividades feitas após cada aula, que contam presença e uma parte do valor total. O problema foi que não tínhamos tempo para realizar essas avaliações e o nosso período livre era totalmente dedicado a elas. 

Conta Júlia Stolagli

Apesar disso, a estudante afirmou que a faculdade e, principalmente, a área de Fisioterapia, têm uma ótima comunicação com o corpo estudantil, a qual foi essencial para que mudanças ocorressem. 

Desse modo, assim como a sociedade em geral se adapta aos novos modos de viver em uma pandemia, os professores e as faculdades, estão em processo de adequação às novas plataformas que surgiram e às aulas online. O MEC afirma que continuará o diálogo com os órgãos representativos das secretarias de Educação de estados e municípios “para, juntos, deliberarem as orientações”.

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Por Maria Cunha – Fala! Cásper

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