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Zuzu Angel: uma mulher que fez a diferença

Zuzu Angel: uma mulher que fez a diferença

Por Heloise Pires – Fala!FIAM FAAM

Zuleika de Souza Netto, mais conhecida como Zuzu Angel, foi a primeira estilista brasileira mulher em uma época que somente os homens tinham este título, e as mulheres eram chamadas de costureiras. Além disso, foi uma personagem notória na história do Brasil, pois no ápice da ditadura militar, desafiou o governo após buscar por seu filho que desapareceu, em 1971, ato este que denunciou ao mundo o que estava acontecendo em no nosso país.

Determinada e de gênio forte, Zuzu nasceu em Minas Gerais e ainda menina foi morar em Belo Horizonte, onde começou sua carreira como costureira fazendo roupas para suas primas. Em 1947, foi para Bahia, mas permaneceu por pouco tempo. Logo depois se estabeleceu no Rio de Janeiro e deu início a sua carreira profissional tornando-se assim uma estilista que criava sua própria moda, com uma linguagem muito pessoal.

(Foto: Acervo Editora Globo, Gilvan Barreto, André Seiti, Joan Marcus e Divulgação)

Nos anos 70 abriu sua loja em Ipanema e encantou o mundo. Conquistou o mercado norte-americano, foi vitrine de grandes lojas, começou a divulgar sua marca colocando-a do lado externo da roupa. O anjo era o seu logotipo.

(Foto: Acervo Itaú Cultural)

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A marca Zuzu Angel foi a primeira do país a ganhar repercussão internacional no prêt-à-porter de luxo. Jornais como The New York Times e The New York Post ”rasgavam seda” para as coleções da brasileira, que também mantinha uma loja em Nova York.

Como clientes, Zuzu tinha atrizes como Joan Crawford (1905-1977) e Kim Novak, que viraram suas amigas. Também foi uma das primeiras a investir em sacolas e embalagens personalizadas para que seus produtos fossem vistos pelas ruas do Leblon, bairro carioca onde ficava sua loja.

Seu estilo como designer era único, ela usava muitas cores, renda, seda, fitas, chitas e indumentárias com temas regionalistas e folclóricos, como estampados de pássaros, borboletas e papagaios. Foi por intermédio de sua produção que ela buscava reverenciar os símbolos brasileiros como as baianas e o cangaço. Com ela nasceu na passarela o sentido de valorização da cultura e da identidade têxtil do país. Na época, em entrevista ao The New York Times, disse: “No meu país, eles acham que moda é frivolidade, futilidade. Eu tento lhes dizer que moda é comunicação”.

 

(Foto: Ronaldo Fraga)

Com esse pensamento, Zuzu também levou o protesto para as passarelas por meio de suas roupas que foram bordadas com desenhos pueris de soldados, aviões, anjos e sóis quadrados. Tais desenhos retratavam o momento político que o Brasil passava e também a dor pela qual sentia, tendo em vista que a coleção em questão foi desfilada após o desaparecimento de seu filho Stuart Angel Jones, militante do MR-8, preso, cujo corpo nunca foi encontrado.

Zuzu entrou para história após furar o esquema de segurança norte-americano, em 1976, para entregar uma carta ao secretário dos Estados Unidos Henry Kissinger, na qual descrevia sua tragédia. Com este ato a estilista brasileira tornou-se a primeira mulher a entrar no “Livro de Heróis e Heroínas da Pátria”, em 2017.

Ainda em 76, meses depois, Zuzu veio a óbito após sofrer um suspeito acidente de carro. Antes de sua morte, a estilista deixou um bilhete na casa de Chico Buarque, seu amigo, dizendo: “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”.

Em 2014, a Comissão da Verdade apresentou uma foto que liga um coronel do Exército ao acidente que a matou. No mesmo ano, um ex-soldado, em entrevista para a Folha de São Paulo, disse ter visto Stuart Angel, sendo arrastado com a boca presa ao escape de um carro.

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1 Comentário

  1. José F. Fialho
    8 meses ago

    Ela nunca passou de uma agente comunista, uma traidora que queria jogar os brasileiros na DITADURA COMUNISTA, mas graças a Deus o REGIME MILITAR salvou o Brasil.