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Recomendação para Ir ao Cinema: Zoom – Um Filme Contemporâneo com o Roteiro Incomum.


De fato, não é fácil escrever algo sobre esse filme. Eu mesma não sei como o diretor, Pedro Morelli, não se perdeu ao filmar essas três histórias ligadas entre si.

Com certeza é um filme sobre a sociedade contemporânea e para a sociedade contemporânea. Aborda temas extremamente atuais de um jeito muito jovem e inovador, seja por meio da rotoscopia (se desenha por cima de cada frame filmado), ou de sua própria narrativa um tanto quanto nonsense.

Ironicamente, essa história faz todo o sentido e funciona como uma incrível metáfora do momento atual. Não há como não se identificar com ao menos um personagem, já que todos estamos inseridos nesse mundo de aparências e distanciamento da alma humana.

Uma garota escreve uma história em quadrinhos sobre um diretor, que dirige um filme sobre uma moça, que escreve um livro sobre a primeira (a que está fazendo a história em quadrinhos). Um entrelaçamento de histórias, cada qual com sua narrativa e peculiaridades próprias, onde todos brincam de deuses mudando o destino e brincando com os sentimentos alheios para o seu próprio prazer. No fim, são todos manipulados, assim como nós os somos também pela mídia e pela sociedade.

É uma história extremamente original, especialmente no que se refere ao modo de narrativa do cinema brasileiro (que por sinal só tem nos presenteado com suas últimas belíssimas produções). E, após ouvir tantas frases em inglês, é especialmente reconfortante seguir Michelle até o Brasil e se deparar com nossa língua natal. Aliás, Mariana Ximenes e Cláudia Ohana formaram uma bela dupla nesse filme, sendo deixado por conta delas a parte, digamos, mais humana da história.

A comédia, por sinal, vem em grande parte de Alison Pill (que se encaixou perfeitamente na personagem) e Gael García Bernal (sim, o ator mais famoso e bonito da trama aparece somente em desenho, talvez por ironia tenha se dado a escolha dele), nos mostrando até onde vai o ser humano para se encaixar nos padrões exigidos pela sociedade. Por vezes, nos vemos neles, o descontentamento com sua própria imagem e a busca por aceitação.

Claro que, lendo este texto de uma fã de David Bowie, não poderia deixar de citar que somos presenteados com a música “Oh! You Pretty Things”, embalando a sequência final de cenas, onde nos sentimos presos e oprimidos, mas ao mesmo tempo com forças para nos libertarmos de nossas próprias amarras, assim como nos diz a música.

A frase final encerra o filme em si: “Acordem” e deixem de lado os julgamentos pela aparência, deixem as pessoas de fato mostrarem como são em seu interior, se aceitem e aceitem até mesmo as mudanças de comportamento e pensamento que os outros ao seu redor possam ter. Não somos perfeitos e nem estáticos, mudamos de aparência e de desejos.
Parafraseando Fernando Pessoa (sim, esse trecho é recitado durante o filme, e só essa cena já valeria para assisti-lo), “ Adoramos a perfeição, porque a não podemos ter; repugná-la-íamos se a tivéssemos. O perfeito é o desumano porque o humano é imperfeito”.

zoom
Foto: www.setimaart.com

 

Clique AQUI e saiba onde o filme está em cartaz.

 

Por: Júlia Lelli – Fala!Anhembi

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