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Violência obstétrica invisível: uma a cada quatro mulheres já sofreu esse tipo de abuso

Violência obstétrica invisível: uma a cada quatro mulheres já sofreu esse tipo de abuso

Por Luiza Granero – Fala!M.A.C.K.

Soro para acelerar a dilatação da mulher, corte e raspagem vaginal, manobra de Kristeller e indução à cesáreas são procedimentos muito mais comuns – e violentos – do que se imagina.

Esse dia das mães será marcado por um evento especial: o filme O Renascimento do Parto 2 estreou no dia 10 de maio e busca reacender e reforçar a discussão sobre violência obstétrica, assunto pouco discutido no nosso país.

Hospital proíbe manobra de Kristeller e reconhece violência obstétrica. – Foto: Catraca Livre

Quando Ana Ferreira, de 35 anos, teve seu primogênito, ela não imaginava o que estava prestes a passar. Ana teve três dos seus quatro filhos em um hospital público de Pindamonhangaba e, principalmente por não saber seus direitos, sofreu diversos abusos por parte da equipe que a atendia.

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A Defensoria Pública de São Paulo considera violência obstétrica como “a apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres por profissionais da saúde, por meio de tratamento desumanizado, abuso de medicalização e patologia dos processos naturais, causando perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos, impactando na sexualidade e negativamente na qualidade de vida das mulheres”.

Ana Ferreira passou por muitos desses procedimentos. Desde raspagem vaginal sem o seu consentimento, uso de soro para acelerar o processo do parto até ofensas por parte dos médicos e enfermeiras. Ela também foi vítima da proibição de acompanhante na sala de parto – um direito assegurado por lei – e da manobra de Kristeller, um procedimento no qual o médico empurra a barriga da mãe com o braço para forçar uma saída mais rápida do bebê, podendo causar fortes dores, o rompimento da vagina e de órgãos internos e até a morte.

Infelizmente, o caso de Ana não é um acontecimento isolado. Em 2015, uma a cada quatro brasileiras dizia ter sofrido violência obstétrica. Mas esse número pode ser ainda maior se for considerado que poucas mulheres de fato sabem quais são seus direitos e quais procedimentos não devem ser realizados pelos profissionais.

O primeiro longa de O Renascimento do Parto, lançado em 2013, discute uma prática violenta, mas extremamente comum: a indução desnecessária de partos cesáreas. A Organização Mundial da Saúde recomenda que até 15% de todos os partos sejam feitos por cirurgia, mas os índices desse procedimento no Brasil alcançam até 60% nos hospitais públicos e 90% nos particulares.

Isso ocorre porque a cirurgia acaba sendo mais conveniente para a agenda dos profissionais da área da saúde. A cesárea é um processo mais caro, – portanto, mais lucrativo -, extremamente rápido se comparado à um parto normal que pode durar até 48h, e previamente agendado. Isso significa que os médicos conseguem ter seus horários estipulados, não tendo que lidar com imprevistos e podem atender um número muito maior de mulheres, sem ficar horas à disposição de uma única paciente.

“Quando as mulheres, através de uma migração em massa, foram para os hospitais para terem seus filhos, elas perderam o poder sobre o nascimento e o entregaram nas mãos dos médicos”. Explica o obstetra Ricardo Jones, especializado na questão do parto humanizado, em entrevista ao documentário O Renascimento do Parto. “As mulheres acabaram se conformando a padrões rígidos estabelecidos pelo sistema médico de que têm que parir num determinado número de horas e que têm que se comportar de uma forma padronizada”.

Em fevereiro desse ano, a OMS mudou suas recomendações sobre o trabalho de parto, frisando que as cesáreas devem ser exceção e, especialmente, condenando o uso de medicamentos que acelerem o processo de dilatação da mulher.

Para Ana Ferreira, a falta de informação e de empoderamento são os principais fatores que permitem que tantas mulheres sejam vítimas desse tipo de abuso. “É do ser humano se retrair diante de uma autoridade. Se você chega em uma delegacia, você fala com o policial, você se retrai. O médico é a mesma coisa, ele é uma autoridade”. Hoje ela possui um blog  pessoal no Facebook onde conta suas experiências e divulga informações sobre violência obstétrica. Ela ainda enfatiza: “Nós precisamos conhecer os nossos direitos e ter forças para lutar”.

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