Vacinas: conheça a história dos imunizantes e como são produzidos
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Vacinas: conheça a história dos imunizantes e como são produzidos

Vacinas: conheça a história dos imunizantes e como são produzidos

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As vacinas são substâncias criadas a partir de micro-organismos capazes de causar doenças. Sua utilização induz o sistema imunológico dos seres vivos a combaterem diretamente aquele vírus ou bactéria, em sua versão enfraquecida, que apenas ativa anticorpos em nosso organismo.

Quando um organismo vivo que foi exposto aos micro-organismos, por meio de vacina, é contaminado por determinada doença, ele reage a partir de uma memória de defesa adquirida. Sendo assim, quando seres humanos são vacinados, seu corpo aprende a lidar e combater determinados vírus e bactérias, eliminando-os quando expostos a eles novamente.

Vacinas são aplicadas como um método de prevenção de doenças causadas por vírus e bactérias.
Vacinas são aplicadas como um método de prevenção de doenças causadas por vírus e bactérias. | Foto: Reprodução.

Vacinas foram criadas como um método de combate de doenças que, ao longo de séculos, estão matando a população do mundo. Em alguns casos, esses patógenos foram erradicados por meio de vacinações em massa por todo o globo.

A seguir, saiba mais sobre as vacinas, como foram criadas e quais os passos que cientistas seguem para a produção dessas substâncias.

A história das vacinas e sua evolução

As vacinas surgiram no século XVIII, quando o médico britânico Edward Jenner descobriu uma maneira de imunizar a população inglesa contra a varíola. Sua pesquisa, divulgada em 1798 e intitulada Um Inquérito sobre as Causas e os Efeitos da Vacina da Varíola, relatava sua aproximação com criadores de gado que, aparentemente, não se infectavam com a doença.

A pesquisa de Jenner indicava que a proteção contra o vírus da varíola estava em uma variante da doença, na chamada cowpox, que contaminava gados por toda a Inglaterra. Ele observou que pessoas que mantinham contato com os animais infectados apresentavam resistência ao patógeno que adoecia seres humanos.

As doenças se assemelhavam na formação de pústulas, que no caso das vacas, contaminavam seu leite, que era ingerido pelos humanos. Essas pessoas eram infectadas indiretamente com a varíola, criando anticorpos que combatiam outras variantes do vírus.

Edward Jenner é o responsavel pela invenção da vacina da varíola.
Edward Jenner é o responsável pela invenção da vacina da varíola. | Foto: Reprodução.

Jenner testou sua teoria em 1796, quando coletou pus presente em uma lesão de uma ordenhadora chamada Sarah Nelmes, que possuía a doença (cowpox), e injetou em James Phipps, um garoto de 8 anos. O jovem adquiriu a infecção de forma leve e, após dez dias, estava curado. Posteriormente, Jenner inoculou em Phipps pus de uma pessoa com varicela (variante humana), e o garoto nada sofreu. O médico testou sua teoria em mais algumas pessoas após o sucesso obtido com menino.

Sua descoberta sofreu uma leve resistência por parte da comunidade científica e da população inglesa, porém, em pouco tempo, foi reconhecida e se espalhou pelo mundo. Em 1799, foi criado o primeiro instituto de vacinação de Londres e, em 1800, a marinha britânica iniciou a vacinação local.

No Brasil, a vacina contra a varíola foi trazida pelo Marquês de Barbacena em 1804. Em 1837, foi decretado o uso obrigatório para crianças e, em 1846, se tornou obrigatório em adultos. A vacina, porém, era produzida em pequenas escalas, impossibilitando que todos se vacinassem. A partir de 1884, as vacinas de varíola foram fabricadas em grandes quantidades, possibilitando um número maior de vacinados.

A evolução das vacinas

A vacina da varíola foi um sinal de partida para diversas vacinas surgirem no mundo. Em 1980, sua eficácia foi comprovada na 33ª Assembleia Mundial da Saúde, a doença foi declarada erradicada do mundo, provando que a vacinação em massa era o método mais eficaz para a eliminação de patógenos que assombravam a sociedade.

Os imunizantes foram sendo aperfeiçoados com o tempo, diversas variantes foram criadas, seja na produção da vacina como no método de aplicação. Vacinas em gotas, nasais, injetáveis, com micro-organismos inativos, vivos ou por meio do mRNA.

A evolução é natural, se deve a anos de pesquisa e inovação na ciência, que trabalha todos os dias em novas formas e métodos de vacinação. Com o advento da pandemia de Covid-19, as vacinas se tornaram um assunto em pauta na comunidade científica, e com muito esforço, imunizantes foram criados em um ano. Até hoje, esse é um tempo recorde para se realizar uma vacina do zero.

DoençasAgente causadorAno de descobertaTempo para a elaboração
Malária*protozoários1880140 anos
Tuberculose*bactéria1882138 anos
Dengue*vírus1907113 anos
Febre tifoidebactéria1884105 anos
Meningitebactéria188794 anos
Zika*zikavírus194773 anos
Mononucleose*citomegalovírus196060 anos
Poliomielitepoliovírus190847 anos
Ebolaebolavírus197643 anos
Coqueluchebactéria190642 anos
Cataporavírus195441 anos
AIDS*vírus HIV198337 anos
Rotaviroserotavírus197330 anos
HPVvírus198125 anos
Hepatite Bvírus196516 anos
Sarampovírus19549 anos
Caxumbavírus19454 anos
Covid-19vírus202010 meses
* todas essas vacinas ainda não foram finalizadas, as doenças seguem sendo estudadas.

Segundo a microbiologista e presidente do IQC (Instituto Questão de Ciência), Natalia Pasternak, as vacinas mais antigas, produzidas há 70 ou 80 anos, são realizadas com micro-organismos inativos ou atenuados. Conforme os avanços tecnológicos e científicos, foram descobertos novos métodos, que tornaram a produção do imunizante mais fácil. Nem todos os patógenos conhecidos permitem a criação de uma vacina com os conhecimentos atuais.

Como é produzida uma vacina atualmente?

A produção de uma vacina é um processo complexo, que exige conhecimento e controle de qualidade, que pode ser separada em três etapas. Pesquisa inicial, ensaios não clínicos e ensaios clínicos compõem o passo a passo.

Para ser produzida uma vacina, é necessário conhecer o patógeno que ela irá combater. Esse primeiro passo é uma pesquisa inicial, que identificará como aquele vírus ou bactéria age em organismos vivos. Nesta etapa, conhecida como fase biológica, é realizada a preparação de antígenos, com a cultura de micro-organismos, que posteriormente são purificados e atenuados ou inativados (mortos).

Vacinas passam por diversas etapas em seu processo de criação.
Vacinas passam por diversas etapas em seu processo de criação. | Foto: Reprodução/O Globo.

Esse preparo das bactérias ou vírus causador do patógeno é realizado de acordo com o tipo de vacina que será produzida. Os imunizantes podem ser feitos a partir de:

  • Pedaços de micro-organismos;
  • Micro-organismos inativados;
  • Micro-organismos vivos e atenuados (enfraquecidos);
  • Proteínas do micro-organismo (mRNA).

Esse material é utilizado para induzir no organismo uma simulação da doença em seu estágio mais fraco. O organismo irá combater aquele agente e criará anticorpos que irão agir novamente se contaminados.

Após o estudo da bactéria ou do vírus e de uma análise sobre qual o tipo de imunizante será criado, cientistas passam para a próxima etapa. Nesta fase, é iniciado os testes não clínicos, no qual o composto que está sendo criado é injetado em animais. Se a resposta em seus organismos é positiva, as vacinas avançam para a etapa de testes clínico.

Essa parte pode ser dividida em três fases, nos quais os testes clínicos das vacinas são realizados em diversas pessoas. Cada etapa trabalha com um número maior de voluntários, de faixas etárias diversas e que, em sua maioria, são saudáveis (não apresentam comorbidades).

  • 1ª fase: envolve pessoas saudáveis em um pequeno grupo, assim é possível testar sua segurança em seres humanos (aproximadamente 20 a 80 pessoas);
  • 2ª fase: pessoas que apresentem algum risco são incluídas nos testes, pois, assim, é possível testar a eficácia em situações naturais (o número de pessoas aumenta consideravelmente, chegando na casa das centenas);
  • 3ª fase: nesta fase, o número de pessoas aumenta, mesclando pessoas em grupos de risco e saudáveis (o número de voluntários para a terceira etapa cresce para milhares).

Quando a fase de testes clínicos é finalizada, cientistas possuem os dados referentes a sua segurança (se aquele imunizante é seguro para seres vivos) e eficácia (o quanto a vacina induz resposta imunológica em organismos vivos). Essas informações são transferidas para agências reguladoras, como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que avalia se aqueles dados estão corretos e se o produto criado está de acordo com as normas sanitárias e de saúde daquele país.

Quando autorizadas, as vacinas passam para sua última fase, conhecida como farmacêutica. Durante esse período, ela é fabricada em larga escala, envasa, rotulada, guardada e enviada para os locais de armazenamento ou aplicação.

Vídeo criado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para explicar os processos de uma vacina.

Toda vacina que é produzida passa por todas essas etapas, que garantem sua eficácia. Além disso, todas são aprovadas por agências reguladoras, que ao perceberem qualquer erro, não autorizam o imunizante no local.

Não há nenhuma vacina que não tenha passado por esses processos ou que tenha sido aplicada sem autorização. Com a evolução da ciência, tais etapas se tornam mais rápidas, garantindo imunizantes eficazes em pouco tempo.

Qual a importância de se vacinar?

Quando um indivíduo se vacina contra uma determinada doença, como o novo coronavírus, ele está se protegendo contra aquele patógeno e está protegendo a população. Isso ocorre porque vírus e bactérias não escolhem suas vítimas, eles são seres irracionais que fazem isso para sobreviver.

Ao ser infectado por um desses seres, uma pessoa se torna automaticamente um transmissor. Ela irá contagiar aqueles que estiverem ao seu redor, sejam os indivíduos pessoas saudáveis ou com comorbidades. Aquela doença irá agir de maneira diferenciada em cada ser vivo, porém, alguns organismos não saberão como reagir e irão perecer diante da doença.

Uma vacina impede que as pessoas se tornem transmissoras, sendo assim, aquelas que se vacinarão formam um bloqueio contra aquelas que são frágeis aos vírus e bactérias. Quanto mais pessoas vacinadas, maior é essa proteção, sendo assim, menor é o número de infectados.

Com a vacinação em massa é possível diminuir o número de contágio de uma doença e proteger a população suscetível.
Com a vacinação em massa é possível diminuir o número de contágio de uma doença e proteger a população suscetível. | Foto: Reprodução.

Ao todo, tomamos mais de 30 doses de vacinas na vida. No Brasil, existem campanhas de vacinação promovidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por imunizar toda a população. Este detalhe, torna o País um dos mais reconhecidos por imunizantes, tendo erradicado diversas doenças como sarampo, poliomielite, difteria, rubéola, entre outras.

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Por Luiza Nascimento – Redação Fala!

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