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USPGameDev

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Então você estuda na USP e tem interesse em videogames? Mais – tem interesse em trabalhar com videogames, mas não sabe onde pode haver um núcleo de interesse sobre o assunto? Conheça o USPGameDev. Ativo há mais de quatro anos, o grupo já lançou projetos como Horus Eye e PsyChObALL, tendo participado também da Global Game Jam de 2014. O Fala! USP entrevistou Vinícius Daros (fã de Age of Empires II e Street Fighter), Henrique Gemignani (que ama Diablo II) e Wilson Kazuo (que sempre acaba voltando para Osu! e a série Touhou), três fundadores do grupo e já formados ou formandos de Ciência da Computação pelo IME. O grupo tem reuniões regulares na sala C1-10, no Biênio da Poli, e é aberto para todos os interessados. Aqui vai a entrevista:

Fala! USP: Já que vocês estão no grupo desde o começo, podem contar como ele surgiu?

Vinícius: Acho que era o prof. Coelho que sabia que existia um esquema de representação de classe na POLI, achava interessante e queria levar pro IME. Então foi conversar com o orientador pedagógico aqui da POLI, que chama Juliano. Eles foram levar o sistema de representação de classe lá pro IME, então a gente fez várias reuniões sobre o curso e em uma dessas reuniões o Juliano disse que sabia de vários interessados em jogos na Engenharia da Computação e que, por sermos da Computação, devia ter bastante também. E eu era interessado, daí o Juliano perguntou por que a gente não se reunia e via se rolava alguma coisa. A primeira reunião foi no IME, a gente convidou por lista de e-mail, choveu de gente…

Wilson: Metade da POLI e metade do IME, mais ou menos.

Vinícius: Isso, bastante gente tanto da POLI quanto do IME. E lá a gente disse ‘bom, todo mundo que tá aqui gosta de jogo, então por que a gente não faz um?’

F! USP : E como vieram parar na sala C1-10?

Wilson: Era complicado. Teve uma época que a gente ficou nômade.

Vinícius: O IME tem muito problema de espaço, então todas as salas ou eram usados pela graduação ou pela pós-graduação ou pela pesquisa. E como a gente não era um projeto de iniciação científica nem nada, a gente até podia usar as salas, mas se alguém chegasse a gente tinha que sair.

Henrique: Tinha dia que a gente chegava e falavam “é, gente. Não tem sala.”

Vinícius: Aí o Juliano ofereceu essa sala pra gente, porque ela é de responsabilidade da orientação pedagógica. Teoricamente ela é pra atividades extracurriculares, mas ela é muito pouco usada. A gente não pode dizer que a sala é nossa, porque de qualquer jeito ela tem um alarme e a gente tem que pedir a chave na secretaria.

F! USP: Mas então até onde vai a relação institucional? Vocês devem alguma coisa aos departamentos ou os projetos e metas são definidos por vocês?

Vinícius: O lado ruim de não sermos um grupo formalizado é justamente não termos apoio pra recursos. Tudo é muito chorado. Mas, em compensação, como a gente não deve nada pra ninguém, nós fazemos os projetos do jeito que a gente quer. Quantos serão, os prazos e metas são todos definidos por nós.

Wilson: O que acontece também é que nós damos cursos das ferramentas que a gente usa pra comunidade USP, pra quem estiver interessado. E há algum tempo nós entramos com um projeto no Programa Ensinar com Pesquisa, junto com um professor do IME, pra dar alguns cursos especificamente voltados pro pessoal da ECA.

F! USP : Como é o fluxo de entrada e saída de membros? Fiquei sabendo que já teve alguém do Audiovisual da ECA aqui.

Wilson: Alguéns! Na verdade a gente já teve membros de várias unidades da USP. Além do IME e da POLI, já tivemos membros da FAU, da FFLCH e da ECA – suas veteranas.

Vinícius: No primeiro ano, em 2009, nós colocamos como meta que lançaríamos nosso primeiro jogo até 2010 e assim a gente fez. Depois disso, começamos a pensar sobre como a gente ia fazer pra renovar o grupo, trazer novas pessoas. Em 2011 nós decidimos fazer um processo seletivo, divulgando por toda a USP e, depois, daríamos uma palestra para os interessados explicando o que a gente fazia e o que não fazia. Recebemos 81 inscrições, eu acho. Não dava nem pra dar palestra pra esse tanto de gente! Dividimos em dois dias. Mas o maior problema foram desistências. Depois de perguntarmos no que cada um gostaria de trabalhar, dividimos todo mundo em vários grupos para que cada um organizasse um projeto que os veteranos, entre aspas, ajudariam a realizar. Todos os projetos estavam legais, então dissemos que todos podiam continuar se quisessem. E aí um monte de gente saiu…

Henrique: Muita gente saiu, mas muita gente ficou também. Tanto que a gente fez um projeto com todo mundo depois.

Vinícius: Mas agora a gente desencanou de qualquer burocracia. A gente pede pra todo mundo que fala com a gente pelo site vir falar conosco no horário das reuniões. A gente geralmente fica com três reuniões por semana, de 4 horas cada. Mas normalmente estendemos o horário. E é importante que haja pessoas com visões diferentes. A gente sabe que existem muitas pessoas interessadas em videogames e em fazer videogames, mas falta essa comunicação entre os alunos. Aí acabam se formando núcleos pequenos. Quando fiz a matéria de Game Design na FAU, vi como é o mundo fora do IME. O pessoal de Design é muito interessado em como tornar o jogo acessível, como tornar uma fase interessante. O pessoal do Audiovisual é muito bom em narrativa. No IME e na POLI o pessoal normalmente só quer saber de funcionalidades, sistemas. É importante que todos se juntem, sob o nome USPGameDev ou não, pra desenvolver algo junto e é isso que eu gostaria de ver.

F! USP: E como são desenvolvidos os projetos?

Wilson:  A gente tem uma política de usar software livre. Isso é pra que todos que peguem nossos jogos consigam estudar, modificar, aprender e compartilhar conhecimento. Além disso, nós trabalhamos bastante com script. Porque código é uma coisa feia, precisa compilar e isso é um processo lento. Script é uma coisa meio intermediária, que roda quando você mandar. Então a engine que a gente fez pro Horus Eye, nosso primeiro projeto, tem suporte pra duas linguagens de script.

Vinícius: Além disso a gente usa as linguagens Python e Lua, GIMP pra edição de imagens, Blender pra fazer modelos 3D e CMake pra ajudar a compilação.

Asteroids Wars Horus Eye Logo USPGameDev PsyChObALL

Se você ficou interessado – você ficou, eu sei – pode saber mais pelo site do USPGameDev, http://uspgamedev.org/; pela página do Facebook, http://www.facebook.com/UspGameDev;  pelo Twitter, seguindo @USPGameDev; por email, em contato@uspgamedev.org; ou, naturalmente, visitando a sala C1-10 no Biênio da Poli!

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