Unifesp abre vagas específicas para imigrantes; confira!
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Unifesp abre vagas específicas para imigrantes; confira!

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Procurando uma vida melhor em outro país, os imigrantes querem oportunidades de estudar e trabalhar. Ao viajarem de tão longe, carregam uma bagagem de vida e formação, muitos têm graduação ou pelo menos começaram e, às vezes, com especialização. A nova pátria necessita fornecer auxílio para poderem criar raízes.

Graduação a imigrantes é um dos benefícios oferecidos pela Cátedra Sérgio Vieira de Mello, que busca difundir em centros universitários brasileiros e na América Latina. Ele está há 15 anos possibilitando maior aprendizado e capacitação de alunos e professores com o tema de refúgio e mais diversidade no ambiente acadêmico e estabelecendo um caminho de igualdade no ensino.

Um projeto conjunto da Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). “A função da universidade não é só oferecer conhecimento, mas melhorar a vida da sociedade a partir do conhecimento”, afirma João Amorim, professor de Relações Internacionais da Unifesp e coordenador da Cátedra na instituição.

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Unifesp abre vagas específicas para imigrantes. | Foto: Reprodução.

Unifesp abre vagas específicas para imigrantes

A Unifesp realizou o primeiro vestibular para cotas de refugiados, apátridas e visto humanitário, oferecendo 37 vagas para os cursos de graduação, resultando em 167 inscrições. Nessa prova, havia 25 questões de múltipla escolha e uma redação de mínimo 12 linhas, em quatro horas. O objetivo não era facilitar o exame, um processo seletivo que atenda às peculiaridades da realidade dos vestibulandos.

Entre os estudantes aprovados, o haitiano Carlile Max Dominique entrou em Psicologia e tem visto humanitário. No seu país, publicou um livro de poesias e, hoje, colunista no portal Parágrafo 2. Ele mora com os dois irmãos e a irmã em Pinhais, no Paraná. Após passar na prova, mudou-se para Santos, litoral paulista. “Às vezes, tenho a impressão de ser uma pessoa que vive em fuga, por mais de dois anos minha vida seguiu em todas as direções e parece não estar prestes a parar”, afirma.

O haitiano Jean Rockson Catule, 33 anos, passou em Engenharia Química e possui visto humanitário. Ele estava cursando Ciências da Computação no seu país no particular, com ajuda do seu primo no Canadá, mas, com a possibilidade não alcançada de uma bolsa no México, saiu do curso.

Em 2014, veio ao Brasil, onde o irmão estava morando há um ano. Ele aprendeu o português em seis meses, com a ação do prefeito de Santo André, na época, de oferecer um curso do idioma para estrangeiros. Jean diz que o Brasil fez demais dando acesso para trabalhar e estudar. “Há mais de 10 anos, o meu sonho é ter um diploma e entrar no mercado de trabalho normal, trabalhar como um cidadão e ter uma família como tenho agora”, conta o estudante.

Jean estava cursando Administração de empresas na Anhanguera, mas parou um ano antes de terminar e, agora, entrou na Unifesp. Ele descobriu o vestibular por meio de grupo do Facebook e passou a estudar via Internet.

No Haiti, há algumas dificuldades para estudar. Entre eles, a luz não funciona 24h, se trabalha durante o dia, não consegue estudar a noite e um trajeto de 30 minutos sem trânsito de ônibus acaba demorando duas horas da sua cidade Croix-des-bouquets a capital. Apesar dos problemas, contam ter os melhores resultados os estudantes das escolas públicas que particulares, pois têm mais esforço.

“Tudo o que tem a ver com competência não pode ter desigualdade, todos são iguais. Não importa se é negro ou branco, tem que estudar e fazer uma prova igual”, afirma o estudante. Por isso, ele desaprova a existência de cotas e não vê problema fazer o Enem, inclusive, fez três vezes.

O professor Amorim rebate contando haver dois gargalos no Brasil ligados à inclusão. “A revalidação do diploma de estrangeiros e o gargalo da continuidade de estudos seja nível de graduação e pós-graduação, ou seja, aperfeiçoamento e diversidade das instituições de ensino, públicas ou privadas. Elas podem auxiliar na redação e até extinção dos gargalos, oferecendo processos seletivos e vagas especificas para refugiados”.

Na sua visão, por causa dos gargalos, as vagas do Enem não teriam benefício nenhum. “Não há problema de ele fazer a prova e ingressar na universidade via Sisu, mas o Enem não é uma prova que qualquer refugiado vai conseguir fazer devido às próprias características do exame”.

Além disso, no último relatório divulgado da Cátedra, há parceria com 22 universidades pelo Brasil. Essa análise apontou que a quantidade de refugiados no ensino superior dobrou em 2019 em relação a 2018, mas apenas 3% dos refugiados em idade acadêmica estão matriculados em universidades. Entretanto, só 18 instituições brasileiras oferecerem cursos de português, atendendo quase 1,4 mil refugiados, migrantes e solicitantes de asilo.

Nesse relatório, estabelece que a Unifesp, oferece auxílio aos refugiados no ensino, pesquisa, serviços à saúde, ensino de Língua portuguesa e ingresso facilitado. Porém, a instituição não está entre as oito instituições prestadoras de serviço pela revalidação de diploma do estrangeiro.

A Reitora da universidade, Soraya Soubhi Smaili, contou ter a discussão e a possibilidade de criar um programa de ingresso a esses estudantes na graduação desde 2016. As instâncias da faculdade entenderam que a inclusão de um programa especifico para os refugiados, apátridas e portadores de visto humanitário traria para a Unifesp grandes benefícios, entre eles “à pluralidade de cultura e de valores, mas que também trará novas demandas acadêmicas, pedagógicas e de acolhimento para os cursos, docentes e para estruturas de apoio ao estudante.”, conta Soraya.

Atualmente, a Unifesp oferece curso de português para estrangeiros pelo projeto Memoref, em vários campi da faculdade. Além disso, tem recursos institucionais a todos os estudantes, como o núcleo de apoio ao estudante (NAE), setor de orientação pedagógica, e a própria comissão do curso, que está planejando um projeto de tutoria e acolhimento para estudantes imigrantes apoiado pelos estudantes veteranos do curso/ campus.

A reitora afirma que a instituição está avaliando a capacidade de ofertar um maior número de vagas deste programa no futuro.

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Por Carina Gonçalves – Fala! Mack

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