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UERJ vive: como a Universidade Estadual se reergueu

UERJ vive: como a Universidade Estadual se reergueu

Por Glaucia Galmacci – Fala!Cásper

Apostas na UERJ: até a última ficha!

Alunos e docentes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro que seguiram acreditando na instituição mesmo em meio à crise do Estado e uma UERJ que quase fechou suas portas.

Imagem: Carlos Eduardo Cardoso/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Desde 1950, ano em que foi fundada, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) se viu obrigada a passar por diversas transformações. Primeiro batizada como Universidade do Distrito Federal (UDF), a UERJ percorre um longo caminho de mudanças e transições e, finalmente, em 1975, nasce a Universidade do Estado do Rio de Janeiro que segue, até os dias atuais, sendo uma das maiores universidades estaduais do país, com cursos altamente ranqueados pelo MEC. Entretanto, a instituição foi, e ainda é, alvo e símbolo de um período conturbado do estado do Rio de Janeiro.

Em 2016, o Estado do Rio de Janeiro viu se agravar uma crise político-econômica que o levou à falência. Em um estado de calamidade pública, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, consequentemente, sofreu os com os efeitos da crise chegando a ponta do iceberg. A entidade que se mantém a partir da verba fornecida pelo Estado quase foi obrigada a fechar suas portas.

Dessa maneira, a UERJ passa a atrasar os salários de docentes e empresas terceirizadas que prestam serviços a instituição, como setor de alimentação, segurança e manutenção. Segundo a revista VEJA RIO, dos 90 milhões de reais anuais necessários para o suporte da universidade, a entidade teve quitados somente 15 milhões pelo então governo. O não pagamento das bolsas dos estudantes também foi um fator agravante para que eclodissem as greves.

No pré-crise via uma UERJ sem rumo, sabe?” é como define o estudante do curso de Engenharia Mecânica da UERJ, Natan da Silva Beserra (23). Ele ingressou na universidade no pior estágio do declínio da instituição. “Ela ficou muito tempo parada, funcionários sem condições de trabalho, lixos nos corredores e nem o bandejão funcionava.” Com o início da greve, as aulas foram adiadas sem previsão de volta. Milhares de estudantes foram lesados, inclusive aqueles que estavam cursando o último semestre e, devido à demora da volta às aulas, tiveram que enfrentar mais um semestre, adiando suas formaturas.

A também aluna do curso de Engenharia Mecânica da UERJ, Giulia Ferreira Santos (19), nos conta sobre sua experiência em relação à universidade. “Eu lembro que no pré-vestibular que cursei todo mundo tinha receio de fazer a prova, passar, chegar na faculdade e não ter aula. Ou então, demorar anos para se formar por conta da crise. Confesso que eu também tive medo disso acontecer.”, cita a estudante. No ano de 2016, foi publicado uma nota de repúdio pelo Fórum de Diretores das Unidades Acadêmicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) citando os efeitos da crise sob a instituição e, entre eles, destacou-se a diminuição do número de inscritos para o vestibular. A drástica atenuação desse número resultou na redução de 55% dos matriculados para a prova.

Alunos da UERJ protestando contra a situação da universidade.

#UERJRESISTE

Em meio a acentuação da crise na universidade, alunos, docentes, ex-alunos e funcionários da instituição passaram a se reunir para protestar contra o estado de calamidade em que foi inserido a UERJ. O bordão “UERJ Resiste” passou a ser estampado em muros e cartazes, mostrando que, ainda assim, havia muita esperança na recuperação da faculdade. Em uma entrevista a revista EXAME, o reitor da UERJ criticou o então governo, citando que talvez este acredite ser caro manter uma instituição como essa. “Na verdade, ela poderia ser um investimento para apoio na solução de seus problemas, por meio de conhecimento e desenvolvimento de políticas públicas.”, aponta ele.

Durante esse período conturbado em que a universidade vivia, surge o levantamento do projeto de privatização da UERJ. A sugestão federal do Tesouro Nacional à comunidade acadêmica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro de privatizar a instituição gerou indignação e protestos entre docentes e alunos.

A infraestrutura da faculdade também foi afetada. A estudante de Comunicação Social – Jornalismo da UERJ, Mylena Pereira Pinheiro, cita a falta de investimento em equipamentos e laboratórios. “Um dos problemas que nós alunos enfrentamos é por conta da falta de equipamentos atualizados disponíveis para o uso nas aulas e laboratórios. Esses dias mesmo eu começaria uma aula de laboratório, porém a sala que disponibilizaram conta apenas com computadores ultrapassados, muitos sem funcionar e ainda para completar o ar-condicionado não estava funcionando. Até existe uma sala com computadores novos, porem eles não contam com os programas necessários para as aulas e nem as configurações de acesso à internet e afins, o que a torna inviável para uso.”, diz ela em entrevista para o portal Fala! Universidades.

A crise também foi prejudicial no aspecto do encurtamento das aulas. Os alunos tiveram que fazer o período em apenas 4 meses, quando o habitual são 5. Consequentemente, professores tiveram que correr com os conteúdos para que desse tempo de terminar a ementa do curso.

Uma nova UERJ?

As aulas na UERJ se normalizaram no primeiro semestre de 2018. A faculdade tomou a decisão de juntar dois semestres: o segundo de 2017 e o primeiro de 2018. Com isso, as turmas ficaram superlotadas, entretanto, segundo os alunos, as aulas não foram comprometidas. Estas foram iniciadas em abril e foram até agosto. O segundo semestre de 2018 acabou só em janeiro. A greve já tinha acabado totalmente.

Mesmo com a volta as aulas da universidade e o clima de tensão mais ameno, sabe-se que a crise do Estado ainda afeta a entidade. O atraso na bolsa permanência dos cotistas ainda é uma realidade, por exemplo. O atual governador do estado do Rio, Wilson Witzel (PSC – RJ), afirmou cortes orçamentários nos chamados gastos discricionários. Esse corte afeta diretamente a UERJ, de forma que, a universidade é subordinada a Secretária de Ciência e Tecnologia (SECTI), que terá seus gastos reduzidos.

Entretanto, os alunos abraçam e encaram com otimismo as situações adversas ainda presentes dentro da faculdade. Tendo como exemplo a criação de diversos debates e palestras sobre a situação da faculdade, seja financeira ou social. Assim como a preservação dos banheiros da universidade, onde os estudantes se juntam para comprar papel higiênico, etc.

Ainda no primeiro semestre do ano de 2019, o sentimento que fica com os alunos da UERJ é o de superação e progresso. “Quando eu cheguei na universidade fui totalmente acolhida pelos alunos e professores e ali eu percebi o que era a UERJ. É muito mais que uma instituição, é luta, respeito, educação… é amor!”, afirma a já então citada estudante de Engenharia Mecânica, Giulia Ferreira. Mesmo em meio a tantas adversidades, os estudantes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro que não abandonarem a faculdade no momento mais conturbado de toda a sua história, nos mostram o que têm a dizer: UERJ Resiste!

Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).


7 Comentários

  1. Vitória
    7 meses ago

    Ótima matéria! Muito bem escrita

  2. Eliana Maria Vinhaes Barçante
    7 meses ago

    Maior orgulho de ter feito parte desta Universidade lutadora. Não entregamos nosso trabalho, estudo e sonhos para qualquer aventureiro.
    Hoje superamos o maior ataque, mas, fiquemos alertas e ninguém larga a mão de ninguém!

  3. Eliana Maria Vinhaes Barçante
    7 meses ago

    Maior orgulho de ter feito parte desta Universidade lutadora. Não entregamos nosso trabalho, estudo e sonhos.

  4. Eliana Maria Vinhaes Barçante
    7 meses ago

    Ninguém vai enterrar nossos sonhos, trabalho e comprometimento.

  5. Alexandre Batista
    7 meses ago

    Meu orgulho, paixão… Agradeço profundamente a UERJ-IGEOG

  6. Iara
    7 meses ago

    Sabe, essa reportagem me fez chorar! Sou oriunda da minha UERJinha e vou sempre estar em oração, debates, discussões defendendo o nome dessa instituição. O meu maior sonho era ser aluna da UERJ e ter diploma. O meu maior orgulho é carregar a UERJ no coração.
    V

  7. Adriana Tristão
    7 meses ago

    Excelente matéria!O texto está muito bem escrito.Parabéns!

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