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Análise: Thiago Neves brilha e Cruzeiro em vantagem na Copa do Brasil

Por Renan Carvalho Nievola – Fala!Cásper

FOTO: Ramon Lisboa/EM/D. A Press

Os 90 minutos

O Cruzeiro largou na frente da decisão da Copa do Brasil deste ano, ao vencer o Corinthians por 1 a 0 na noite desta quarta-feira, pelo primeiro jogo da final da competição, no estádio do Mineirão. A partida começou truncada e bastante disputada no meio campo, com bate-rebates seguidos e poucas jogadas técnicas.

O alvinegro paulista teve um desempenho fraquíssimo no setor ofensivo. Em uma das raras vezes que criou uma jogada de algum risco aos mineiros, Léo Santos cabeceou a bola após cruzamento de Jadson, mas ela não passou muito perto do gol de Fábio. Após os dez minutos iniciais, o time mineiro passou a ter amplo controle da posse de bola, chegando a ficar 67% do tempo de jogo com ela nos pés, contra 33% do Corinthians. Aos 18 minutos da primeira etapa, o Cruzeiro realizou sua primeira jogada de maior perigo. Após toque de Barcos no meio-campo, Thiago Neves chutou forte e Cássio fez boa defesa. No rebote, Robinho cruzou para Thiago, que finalizou novamente, desta vez de cabeça e para fora.

Em meio a tamanha posse de bola da Raposa, o Corinthians pouco conseguia criar. A jogada protagonizada por Clayson, aos 28 minutos da primeira etapa, retratou o desempenho do clube paulista na metade inicial do jogo: dois chapéus em marcadores cruzeirenses, e a bola perdida pouco depois, sem construir algo que pelo menos se parecesse com uma chance de jogada perigosa.

Cruzeiro e Corinthians. Reprodução: Globoesporte.com

 

No trigésimo quarto minuto do primeiro tempo, o Cruzeiro por pouco não abriu o placar. Em mais um chute de Thiago Neves, a bola explodiu na trave. No lance, o goleiro Cássio escorregou, mas não teria conseguido evitar o gol caso a bola tivesse ido alguns centímetros para direita, mesmo se não tivesse derrapado.

Perto do final da metade inicial do jogo, o Corinthians já tinha dois jogadores que haviam levado cartão amarelo, Jadson e Léo Santos, reflexo de uma equipe que apresentava dificuldades para conter os fortes avanços do Cruzeiro, e acabava cometendo faltas mais duras para parar as jogadas de ataque dos mineiros.

Aos 45 minutos do primeiro tempo, o lateral-esquerdo Egídio fez boa jogada pela esquerda, cruzou a bola para dentro da área e mais uma vez ele, Thiago Neves, apareceu para tocar de cabeça. A bola desviou no zagueiro corintiano Henrique e tirou qualquer chance de defesa do goleiro Cássio. Cruzeiro 1 a 0. Cinco minutos depois, o juiz apitou o final da etapa inicial do jogo.

O início do segundo tempo se assemelhou muito com o começo do primeiro. Partida truncada no meio-campo e poucos passes verticais e jogadas criadas. O técnico Jair Ventura, então, decidiu fazer substituições na equipe do Corinthians:  Primeiro, tirou Mateus Vital e colocou o chileno Ángelo Araos, buscando dar mais qualidade à saída de jogo. Posteriormente, sacou Jadson para a entrada do atacante veterano e ídolo Emerson Sheik, para tentar aumentar o poder ofensivo da equipe.

Não deu certo. Aráos entrou pilhado e fez péssima partida. O meia recebeu dois cartões amarelos e, com isso, acabou expulso já no final do jogo. Sheik não conseguiu levar perigo ao gol de Fábio. Com o fim do jogo e a vitória pelo placar mínimo, o Cruzeiro obteve vantagem para o embate decisivo da volta, que será disputado na semana que vem, na Arena Corinthians, em São Paulo.

Análise do Corinthians

 

Corinthians ataca. Reprodução: Globoesporte.com

 

Poderia ter sido pior para o Corinthians. O desempenho do alvinegro paulista no jogo de hoje retratou como a equipe vem se comportando quando joga fora de casa na maior parte deste ano: Excessivamente postada na defesa e esperando o adversário para tentar algo no contra ataque. No ano passado, essa maneira de jogar até dava certo, porque a mentalidade defensiva implantada por Mano Menezes e mantida e aprimorada por Tite e Carille era realmente sólida, e quando a equipe retomava a bola, tinha alternativas criativas e rápidas para construir contra-ataques perigosos. Agora, a situação é diferente.

Após perder primeiramente Maycon e depois Rodriguinho, as alternativas de armação de jogo ficaram definitivamente escassas. Sobrou tudo para Jadson, que sozinho, pouco consegue fazer. Como se não bastasse as saídas no meio-campo, a equipe já havia perdido sua principal referência ofensiva do ano passado: Jô, artilheiro do último Brasileirão, competição conquistada pelo Corinthians.

Após inúmeras saídas de jogadores, o alvinegro tem pouquíssimas peças para criar jogadas. A consequência disso é um setor ofensivo – que já não era o forte do time em 2017 – ainda mais comprometido. A equipe pega a bola no meio campo e os jogadores simplesmente não tem para quem tocar. A jogada morre e os passes passam a ficar horizontais quando a bola chega perto do último terço do gramado. O esquema de jogo do Corinthians, levando em conta a escalação que foi a campo diante do Cruzeiro, evidencia essa falta de opções ofensivas. Nenhum atacante de ofício. Clayson e Romero – teoricamente os mais ofensivos do time – são jogadores de beirada de campo. Dificilmente se apresentam como finalizadores.

Análise do Cruzeiro

A equipe mineira mostrou a força de seu time titular no primeiro jogo da final da Copa do Brasil. O seguro capitão Henrique e o habilidoso Lucas Silva, que se encaixou muito bem no time desde sua volta depois do insucesso no Real Madrid, formam uma boa dupla de volantes. No meio-campo, o time mescla o poder de armação de Robinho com a velocidade de Rafinha. Como meia-central, Thiago Neves assume a responsabilidade de ser o principal jogador da equipe. No ataque, o às vezes criticado Hernán Barcos tem dado conta do recado – pelo menos na Copa do Brasil.

Os pontos fracos do Cruzeiro que podem levar a equipe a perder o título do torneio nacional são a sua falta de ousadia ofensiva – que no jogo de hoje impediu que a equipe atacasse mais e pudesse fazer até um placar maior diante do Corinthians, e que pode ser um reflexo da mentalidade tradicionalmente defensiva de seu técnico, Mano Menezes – e a pressão por ganhar uma competição de mais relevância no ano, que se agravou após a equipe ser eliminada da Libertadores, seu principal objetivo na temporada.

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