'The Midnight Gospel' - Crítica da série que discute temas complexos
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‘The Midnight Gospel’ – Crítica da série que discute temas complexos

‘The Midnight Gospel’ – Crítica da série que discute temas complexos

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Seja com um ex-presidiário condenado à morte ou um médico especialista em vícios, The Midnight Gospel discute temas complexos sem perder a irreverência

Mindfulness, perdão e a aceitação da morte. Podem parecer temas complicados de serem discutidos por um desenho animado em menos de, em média, 30 minutos, mas The Midnight Gospel não falha em usar o seu pouco tempo para hipnotizar e dar perspectivas inéditas. As entrevistas estão muito mais para conversas, que por sua vez estão mais para divagações. Em diversos momentos Clancy, personagem principal dublado por Duncan Trussell, discorre sobre como os assuntos discutidos têm relação com a sua própria vida e conta momentos pessoais que ilustram isso. 

The Midnight Gospel
Série The Midnight Gospel discute temas complexos. | Foto: Reprodução.

The Midnight Gospel – leia a crítica da série

A confusão e o caos de The Midnight Gospel, tanto nos diálogos quanto na animação psicodélica, fazem jus à mente ansiosa e questionadora de seu protagonista, que busca respostas para o seu próprio mundo entrando em realidades simuladas.

A relação entre personagem e espectador é inerente, pois, por muitas vezes, também nos pegamos consumindo algo e trazendo aquilo para a nossa realidade. O desenho também chega a um período propício, visto que estamos num momento “semi-apocalíptico” e nos encontramos ancorados a nossas próprias realidades singulares, procurando por outras visões, sejam em séries, filmes, livros, músicas, e outros. 

As escapadas de Clancy proporcionam experiências verdadeiramente únicas e, para isso, a animação frenética conta histórias que vão muito além das conversas que estão acontecendo. Por vezes, fica complicado acompanhar tudo que está acontecendo, mas, novamente, isso serve para ilustrar a confusão que é trazer para um plano físico e tornar palpável conceitos que são apenas ideias. Assim, fica claro que o desenho não se contenta com o básico, nem mesmo a já clássica representação da Morte escapa. 

Ao não ficar tentando se explicar, o desenho dá um tom tão natural ao surrealismo de seu mundo que o espectador simplesmente aceita o que quer que esteja acontecendo na tela e embarca nessa viagem. Seus tópicos, muitas vezes, assustam quem busca um desenho para rir e se desestressar após um dia cansativo, mas, ao mesmo tempo, a meditação que ele propõe sobre a vida, a morte e tudo que está no meio é tão assustadora quanto necessária. Tentar resumir a série a algo para “assistir chapado” é de uma mediocridade assustadora.

Contudo, apesar da sua grande variedade de conversas e falas, alguns dos momentos mais brilhantes da série se encontram em situações extremamente simples. Quando, no último episódio da temporada, Clancy pergunta a sua mãe como lidar com a morte dela e toda ansiedade em querer expressar a sua tristeza com isso e ela responde “você chora”, essa simplicidade é de estraçalhar o coração de qualquer pessoa que sente esse medo.

É difícil descrever o que The Midnight Gospel pode proporcionar ao seu público, dada que a experiência varia de pessoa para pessoa, sua originalidade e subjetividade transforma as conversas entre pessoas em uma conversa consigo mesmo e provoca uma reflexão profunda. Essa jornada, por vezes confusa, outras vezes mais simples, mas sempre emocionante, é algo que toca profundamente o espectador e que ilustra muito bem o que é a vida.

Sinopse e trailer oficiais

Um apresentador de espaçocast visita mundos malucos em seu simulador de universo explora questões existenciais sobre a vida, a morte e muito mais.

Netflix.

Ficha técnica

Título Original: The Midnight Gospel
Lançamento: 20 de abril de 2020
Duração: 1 temporada (8 episódios)
Direção: Pendleton Ward e Duncan Trussell
Gênero: Animação, Fantasia
Classificação: 18 anos
Origem: EUA

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Por Pedro Cabral Marques – Fala! UFRJ

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