Stop Motion - Uma arte quase extinta
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Stop Motion – Uma arte quase extinta

Stop Motion – Uma arte quase extinta

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As animações em Stop Motion, apesar de causar uma grande ilusão de ótica, estão se tornando cada vez mais raras nos cinemas

Entre tantas formas de ser fazer uma animação, a técnica do Stop Motion, se tornou quase extinta no mundo das animações, por exigir muito tempo, dinheiro e paciência. O esforço exigido por esse tipo de trabalho acaba tornando os poucos filmes existentes em verdadeiras obras de arte.

Stop Motion
Técnica Stop Motion. | Foto: Reprodução.

Stop Motion

Stop Motion é a técnica que se utiliza de uma sequência de fotografias, de um mesmo objeto, onde cada tomada há uma pequena mudança em relação à tomada anterior. Dessa forma, juntando as fotos, consegue-se simular um movimento do objeto.  

Essa simulação de movimento se dá por conta da Persistência Retiniana, que é um fenômeno que provoca uma ilusão no cérebro humano de que algo inanimado esteja se movendo.

O fenômeno persiste na captação do olho humano, onde a imagem se fixa na retina por uma fração de segundo. Dessa forma, quando várias imagens são projetadas em um ritmo superior a 16 segundos, as mesmas se associam na retina sem qualquer interrupção.

As fotografias são chamadas de quadros durante a produção de qualquer filme em Stop Motion. Fotos sempre são tiradas de um mesmo ponto, assim, quanto menor for a movimentação do objeto, mais real será o movimento final. 

Apesar de muitas pessoas acharem que a técnica é algo recente, o Stop Motion remonta os primórdios do cinema. Foi a partir dessa técnica que George Mélies alcançou o ápice de sua carreira.

Mágico e ilusionista francês, George Mélies procurava uma nova forma de prosseguir e dar sequência aos seus truques misteriosos. E foi na ilusão de ótica que o Stop Motion oferece que ele conseguiu fazer um foguete chegar à Lua, no filme Viagem à Lua, de 1902, um dos primeiros filmes animados e também um dos primeiros filmes de ficção cientifica.

Antes da existência de uma tecnologia capaz de criar qualquer tipo de efeito especial em algum computador, os diretores sempre procuravam o Stop Motion para criar tais efeitos, principalmente em filmes relacionados a robôs e a monstros. O que acabou tornando esse modo de fazer animação uma base para os efeitos especiais que existem nos dias de hoje.

Filmes com a técnica

A técnica, que na tradução significa “Movimento Parado”, possui grandes fãs. Entre os diretores famosos, temos Tim Burton e Wes Anderson, que já declararam seu amor por essa arte e já produziram alguns filmes, nos quais se tornaram referências em filmes de Stop Motion.

Temos como exemplo os filmes O Fantástico Sr. Raposo (2009) e Ilha dos Cachorros (2018), ambos dirigidos por Anderson e indicados, respectivamente, em seus anos de lançamento para o Oscar de melhor animação.

Já Burton, foi autor do filme O Estranho Mundo de Jack (1993) e do filme Noiva Cadáver (2005), o qual também dirigiu. Sua produção em Stop Motion mais recente foi  Frankenweenie (2012), na qual também foi autor e diretor. Seu primeiro e o último filme com essa arte foi uma parceria com a Walt Disney Pictures, enquanto o filme de 2005 foi uma parceria com os Estúdios Laika.

Fundado em 2005 por Phil Knight, o Estúdios Laika se tornou referência na arte do Stop Motion. A parceira com Tim Burton em Noiva Cadáver, foi o pontapé inicial do estúdio, sendo que por conta dos traços mais sombrios do diretor, o estúdio acabou adotando um teor sombrio e até mesmo um certo clima de terror em suas obras. Atualmente, o estúdio é liderado por Travis Knight, filho do fundador e que participa ativamente nos projetos.

filme Os Boxtrolls
Travis Knight movimentando os personagens do filme Os Boxtrolls. | Foto: Reprodução.

Um dos maiores sucessos de bilheteria da Laika é o filme Coraline e o Mundo Secreto, de 2009, que muitos consideram, por conta do clima de terror da história, como um filme de terror para as crianças. Indicado em 2010 para melhor filme de animação do Oscar, o filme é mundialmente conhecido até hoje, sendo um dos filmes mais lembrados quando se fala em Stop Motion.

Outros sucessos da Laika são:  Paranorman (2012), Os Boxtrolls (2014), Kubo e as Cordas Mágica (2016) e Link Perdido (2019). Todos foram indicados na categoria de melhor filme de animação da Academia, de acordo com seus lançamentos, e o longa de 2019 acabou ganhando de melhor animação no Globo de Ouro.

Outro estúdio bastante conhecido por seus filmes em Stop Motion, é o Estúdio Aardman. Foi criado em 1970, sendo considerado um dos mais tradicionais no ramo. Apesar de produzir vários seriados animados com a técnica, foi somente em 2000 que o estúdio se arriscou em criar um longa metragem.

O estúdio britânico fundado por Peter Lord e David Sproxton, tem o filme em Stop Motion com a maior bilheteria do mundo: A Fuga das Galinhas (2000). Além de ser o primeiro longa do estúdio, ainda é um dos filmes mais memoráveis quando se fala em animações de quadros. Apesar do seu sucesso, não foi com esse longa que o estúdio ganhou o Oscar, mesmo ele sendo indicado.

Foi com o filme Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais, de 2005, que Lord levou a estatueta pelo seu trabalho. Contudo, as demais histórias produzidas por Aardman, não tiveram tanto sucesso e nenhum indicação na Academia.

É preciso ressaltar um dos grandes nomes nas animações de quadros: Henry Selick, que dirigiu o mais famoso filme da Laika, o primeiro contato de Burton com stop motion e o filme James e o Pêssego Gigante (1996), da Walt Disney Pictures.

Por mais que a maioria dos filmes com essa técnica sejam voltados para o público infantil, há alguns dos filmes que são exclusivos para os adultos. O longa Anomalisa, de 2015, foi indicado pela Academia e teve direção e roteiro assinado por Charlie Kaufman. Há também o filme Mary e Max: Uma Amizade Diferente, de 2009, que foi dirigido por Adam Eliot e apesar de não concorrer ao Oscar, está na lista de melhores filmes de todos os tempos do IMDb.

Também é preciso relembrar os filmes em stop motion considerados clássicos: A Rena do Nariz Vermelho (1964) e A Festa do Monstro Maluco (1967). Por serem alguns dos primeiros filmes com a técnica de Stop Motion, a qualidade que se encontra nesses filmes não é a mesma na qual encontramos nos filmes recentes da Laika. Porém, são uma obra de arte por todo o esforço exigido e também por suas histórias.

Muitas pessoas acabam chamando esses longas de “filmes de bonequinhos”. Às vezes, não conhecem o nome, ou até mesmo não sabem como é a produção, mas aqueles que sabem um pouco do que se passa nos bastidores, aplaudem de pé essa arte quase extinta.

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Por Sofia Luppi Palacine – Fala! PUC

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