Seraphim del Grande: 'A essência do futebol brasileiro foi deixada de lado'
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Seraphim del Grande: ‘A essência do futebol brasileiro foi deixada de lado’

Seraphim del Grande: ‘A essência do futebol brasileiro foi deixada de lado’

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Atual Presidente do Conselho Deliberativo do Palmeiras, Seraphim del Grande, analisa o futebol brasileiro, fala sobre o presente do Verdão e conta bastidores da Era Parmalat

Não há dúvidas que a “Era Parmalat” foi o período mais vitorioso da história da Sociedade Esportiva Palmeiras e muito disso se deve a um homem: Seraphim del Grande. Diretor de Futebol na época, foi responsável por trazer a marca para o clube em 1992 e iniciar a cogestão que marcou o futebol por ser completamente fora da curva. Apesar de ter passado anos longe do clube, ele voltou a fazer parte da diretoria em 2017 e permanece até hoje na presidência do Conselho. 

Seraphim del Grande
Seraphim del Grande. | Foto: Reprodução.

Sendo assim, Seraphim del Grande contou bastidores da Era Parmalat, explicou sobre a temporada atual do Verdão e opinou sobre o futebol brasileiro na atualidade. 

Era Parmalat

Sabendo de toda sua história, é inegável que ele foi um homem forte nos anos 90 e ainda é nos dias atuais. Tendo conhecimento sobre os bastidores, Seraphim contou sobre o processo de introdução da cogestão:

Foi muito gratificante, porque na realidade foi uma inovação feita na época, né? Não existia cogestão na América Latina e eu era Presidente do CD na época que o Palmeiras fechou os acordos e contratos. Pode-se dizer que foi um processo muito longo e demorado porque era uma coisa totalmente nova, especialmente pro Palmeiras que é um time extremamente tradicional, então dividir uma gestão era uma coisa bem difícil. Mas aí deu tudo certo por causa de reuniões informais que fazíamos com os conselheiros para explicar o projeto.

Sobre como funcionava a gestão, ele explica: “No ano seguinte me tornei Diretor de Futebol e fizemos um plano de trabalho onde tudo que era discutido passava por quatro mãos, eu, diretoria do Palmeiras, Parmalat e conselheiros, então, tudo relacionado a futebol como contratações, vendas e coisas da gestão, passava pela opinião dos quatro. Além disso, nós colocamos uma filosofia de que as pessoas que iam trabalhar conosco, eram pessoas do clube. Aí quando tínhamos que substituir alguma função, trocávamos apenas o profissional e não a comissão técnica inteira. Um exemplo disso foi com a saída do Otacílio que estava sendo pressionado pela imprensa e decidiu desistir do cargo, aí chamamos o Luxemburgo e avisamos que ele só viria sem a comissão técnica dele, podia trazer só o auxiliar”.

Quando questionado sobre o clima do elenco com a direção, Seraphim contou: “Era tranquilo, a gente procurava sempre ter muito contato com os jogadores. Nós, do Palmeiras, e o Brunoro, com a Parmalat, fazíamos uma reunião no final de todo ano para analisar o desempenho de todos os jogadores e decidirmos, juntos, que decisões tomar, seja vender alguém ou procurar algum jogador para comprar. Nós fazíamos isso porque o objetivo era chegar na pré-temporada com o elenco fechado já. Aí procurávamos sempre manter o contato com todos os jogadores, então em toda concentração, almoço ou janta, tinha um diretor, pelo menos, em contato com o grupo analisando e conversando para saber a situação. Se detectasse alguma coisa, já passava para a direção que nós tomávamos as providências”.

Palmeiras atual

Por ser um homem envolvido com a política do clube, o presidente do CD contou sobre o que espera desta temporada: “Olha, por ser um ano completamente fora do comum, os clubes vão precisar se reestruturar porque vai ter uma queda no faturamento de uns 40% e o salário dos jogadores não vai ter redução por causa do contrato de trabalho, então, vai precisar ter muito pé no chão. A queda se deve a bilheteria que não vai ter, o sócio-torcedor que caiu muito e a venda dos jogadores da base. Acreditamos que a compra e venda de jogadores vá diminuir muito e isso nos prejudica bastante”.

Outra questão importante são os jogadores da base que estão fazendo sucesso. Sabendo disso, Seraphim contou os planos para os meninos:

A princípio, a ideia é manter eles. É lógico que se vier uma proposta irrecusável, não tem como segurar até pelo bem do rapaz, né? O Palmeiras tem uns 6 ou 7  jogadores da base que têm condições de assumir a titularidade do time principal, claro que com um trabalho constante e bem feito, não pode ser feito do dia para a noite, né? Mas, eles terão cada vez mais oportunidades.

Uma questão preocupante que existe no Verdão são os jogadores de mais idade que estão fazendo “volume” no clube. Ele comentou brevemente isso: “É preocupante a situação dos jogadores que já têm idade e, infelizmente, têm contratos de 4 ou 5 anos, ganhando um valor muito alto e não estão rendendo. Aí, por ser muito caro manter eles, você dificilmente conseguirá colocá-los em outro lugar. Então, vai correr o risco de diversos jogadores que estão ganhando muito não serem nem emprestados, porque nós (Palmeiras) teríamos que pagar metade ou até todo o salário”.

Futebol em geral e Seraphim del Grande

Por ser um grande conhecedor de futebol, Seraphim deu sua opinião sobre o futebol brasileiro da atualidade: “Eu acho que a essência do futebol brasileiro foi deixada de lado. O que acontece é que a essência do futebol brasileiro sempre foi a individualidade, o futebol bonito, o drible, hoje, você, dificilmente, vê um jogador que dá o drible para continuar a jogada. Hoje, tirando o Neymar, qual outro jogador que busca o drible e a individualidade? Não tem mais! O jogo tá muito cadenciado, robotizado e a preparação física está sobrepondo a parte individual”.

Além disso, ele também contou quando, na opinião dele, o futebol perdeu essa essência:

Eu acho que foi no momento que teve muita ascendência dos técnicos do Sul, que fazem muito esquema de ferrolho, defesas fechadas e transformaram o futebol em um dependente do vigor físico e da transição direta da defesa para o ataque. O Palmeiras mesmo tem 5 jogadores de meio de campo e nenhum deles é conceituado como craque, são jogadores que jogam e fazem partidas boas e  ruins, são instáveis, não conseguem armar jogadas por causa desse estilo de jogo que utiliza pouco o meio de campo.

Sendo um grande conhecedor da história do futebol, ele deu sua opinião sobre a seleção brasileira: “Eu acho que o que tá faltando é a habilidade individual, porque você vê que na Copa de 70, nós tínhamos jogadores que eram brilhantes tecnicamente! Hoje não têm mais, a preocupação da maioria dos técnicos é fazer o centro-avante voltar para a defesa para marcar, abrindo mão de fazer a jogada para o gol”.

Por fim, Seraphim contou sobre sua seleção e jogadores favoritos:

A melhor seleção que já vi jogar foi a de 70 e dificilmente existirá outra como aquela! Em relação a jogador, Pelé foi o maior de todos, ele era fora de série, fantástico! Mas, em relação à habilidade mesmo, para mim, foi o Ronaldinho Gaúcho.

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Por Felipe Sapia – Fala! Cásper

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