Sensação em números: Morte de pessoas negras cresce em uma década Sensação em números: Morte de pessoas negras cresce em uma década
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Sensação em números: Morte de pessoas negras cresce em uma década

Sensação em números: Morte de pessoas negras cresce em uma década

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Divulgado na manhã desta quinta-feira (27), o Atlas da Violência 2020 reforça a sensação e a realidade brasileira: negros são a maioria das vítimas de homicídio, enquanto pessoas não negras apresentaram queda nos últimos 10 anos

Comparando os resultados entre 2008 e 2018, do Atlas da Violência 2020, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a população não negra demonstrou queda de 12,9% na taxa de homicídios, enquanto para a população negra, houve aumento de 11,5%.

O número expõe de forma clara as desigualdades raciais em nosso país, além de reforçar a violência que a população negra está vulnerável, em especial a violência letal, principalmente entre os jovens como principais vítimas. 

morte de pessoas negras
João Pedro. | Foto: Reprodução Twitter/@_danblaz.

Caso João Pedro: Aos 14 anos de idade, o jovem foi morto por um tiro de fuzil na barriga enquanto brincava com seus primos na casa da família, no dia 18 de maio de 2020. Policiais retiraram o corpo do garoto da cena do crime, mas não comunicaram aos familiares para onde levaram o jovem, sendo que apenas 17 horas após o ocorrido o corpo foi encontra já sem vida no IML (Instituto Médico Legal).

vidas negras
Manifestação da ONG Rio de Paz traz cartazes com nomes e histórias de crianças mortas por balas perdidas no Rio. | Foto: Reprodução Facebook Rio de Paz.

Morte de pessoas negras cresce em uma década

Um dado recente e que corrobora com essa perspectiva é o de 2018, em que 75,7% das vítimas de homicídio são negros, em uma taxa de 37,8 por 100 mil habitantes, enquanto de não negros é 13,9 por 100 mil habitantes, significando que, para cada indivíduo não branco morto, 2,7 negros foram mortos.

A taxa mais alta de homicídio se concentra nos estados da região Norte e Nordeste, o estado que apresentou o maior índice de homicídios de negros no ano de 2018 foi Roraima, com 87,5 por 100 mil habitantes, na sequência aparece o Rio Grande do Norte (71,6), Ceará (69,5), Sergipe (59,4) e Amapá (58,3). Já os estado que demonstraram menores índices nas taxas de homicídios de negros em 2018 foram São Paulo, com 9,8 por 100 mil habitantes, seguido por Santa Catarina (12,6), Paraná (17,7) e Minas Gerais (19,9), estados na região Sudeste e Sul, acompanhados do Estado do Piauí (20,3) da região Nordeste. 

O número discrepante também recai sobre as mulheres. Em 2018, 68% do total de homicídios entre mulheres era de peles negras, com a taxa de mortalidade em 5,2 por 100 mil habitantes. No decenário analisado, entre 2008 e 2018, a taxa de homicídios aumentou 12,4% entre mulheres negras, e nas não negras houve queda de 11,7%. Além disso, a chance de um negro ser assassinado é muito superior em relação a de pessoas não negras, com exceção do Paraná que, em 2018, demonstrou taxa de homicídios de pessoas não negras superior a de pessoas negras, segundo os dados analisados.

Ágatha Félix
Ágatha Félix. | Foto: Reprodução.

Ágatha Félix: Baleada nas costas quando estava em uma kombi com mãe, a caminho de casa, na noite do dia 20 de setembro de 2019. Na denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o policial militar Rodrigo José de Matos Soares estava em serviço quando atirou de fuzil contra duas pessoas que estavam em uma moto pensando se tratar de integrantes local do tráfico de drogas. O PM errou a mira e atingiu Ágatha Vitória Sales Félix.

Todos esses números reforçam as manifestações, ainda tímidas, que ganharam coro nos últimos meses, no Brasil e no exterior. Mesmo que os dados não sejam deste ano, o problema não mudou ou muito menos apresenta uma perspectiva de melhora. É necessário e urgentemente que políticas públicas sejam implementadas, visto que há um perfil bem claro de mortos, e um perfil dos que são protegidos, ou que são beneficiados de alguma forma.

Os dados apresentados pelo Atlas da Violência mostram de forma clara e existencial o racismo estrutural e o resultado de processo histórico de escravidão em que o país, no caso, vivem, mas não podem servir jamais como desculpa para que números como esses persistam a existir. 

Dados: Atlas de Violência 2020, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado em 27 de agosto de 2020. 

Fontes: UOL, BBC News Brasil, Folha de S. Paulo

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Por Igor Rodrigues – Fala! UFG

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