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Sal & Nöel – Conheça e Ajude um Professor a Concretizar sua História em Quadrinhos

Sal & Nöel – Conheça e Ajude um Professor a Concretizar sua História em Quadrinhos

Se você gosta de história em quadrinhos, ou melhor, de história em quadrinhos nacionais, você vai querer conhecer essa história.

O professor Ricardo Morelatto, que é designer, artista plástico e professor pelo Mackenzie, está com uma campanha no catarse para tirar do papel a sua própria ficção – uma história em quadrinho que carrega mais de 30 anos de pesquisa e um roteiro autêntico.

Clique AQUI para ajudar o projeto no Catarse.

 

Para saber mais sobre o projeto, conversamos com o próprio Ricardo, e trocamos uma ideia a respeito dos seus planos, as suas intenções e a história por trás desse trabalho. Confira:

FALA!: Professor, primeiramente, obrigado pelo seu tempo. Cara, você pode contar um pouco sobre esses 30 anos de pesquisa? Basicamente, sobre o que consiste esses estudos?

R.M: Claro. Em minha graduação em Artes realizei um trabalho de iniciação científica com bolsa da FAPESP em que analisei a produção nacional de quadrinhos de 1934 até 1970. Posteriormente, defendi minha dissertação de mestrado na UNESP com o título: A função poética nas histórias em quadrinhos brasileiras: do texto narrativo ao texto em volume.

Ao longo destes 30 anos, publiquei também diversos artigos científicos na área, mais especificamente nas mesas temáticas do INTERCON, Congresso Nacional de Comunicação, onde procurei analisar alguns aspectos da produção em quadrinhos nacional como a ênfase na metalinguagem, a predominância da função poética em algumas histórias e a produção específica de alguns autores, como Luiz Gê, Lourenço Mutarelli e Flávio Calazans.

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Foto: divulgação Sal & Nöel.

 

FALA!: O que os personagens Sal & Noel têm para nos ensinar dentro da história?

R.M: Basicamente, o roteiro consiste em um encontro casual entre os dois personagens – Saul é um músico da noite fracassado, enquanto Nöel é um comerciante de discos antigos e mudo. Uma sequência de interesses mútuos e atitudes nem sempre muito éticas dão origem à história, que trata basicamente do sucesso, do plágio musical, maldições veladas e parcerias mal feitas, que questionam de certa forma os caminhos que a arte toma até chegar ao grande público.

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Foto: divulgação Sal & Nöel.

 

FALA!: Eu fiquei com a impressão de que este quadrinho irá retratar muito do Brasil nos anos 80, com o estouro do Rock no país, a dificuldade de encontrar os discos e o rebuliço que o Rock estava fazendo ao redor do mundo. Afinal, qual é o contexto da história?

R.M: Na verdade o roteiro pode perfeitamente se situar neste contexto que você apontou, como também se encaixar tranquilamente nos dias atuais. Em tempos de políticos corruptos, retrocesso nas conquistas sociais, contradições de um sistema judiciário que funciona para alguns e não se faz igualitário para todos, Sal e Nöel apenas trazem à tona algumas questões que estão muito presentes no nosso dia a dia, mas muitas vezes passam desapercebidas frente ao amortecimento de nossas sensações e sentimentos morais e éticos. Daí a intenção de dar uma cara “creepy” à história, tão presente nas publicações da “EC Comics” americana da década de 50.

FALA!: Qual foi a sua maior inspiração para escrever e desenhar essa história?

R.M: Sem dúvida, minha vontade em escrever uma história em quadrinhos que tivesse em sua alma, alguns temas que me são muito caros, como a arte e a música, o processo criativo de uma obra, a forma como se estabelecem as parcerias autorais e finalmente os limites éticos na apropriação de um texto artístico, o que o leitor somente poderá entender e conferir lendo a história (que eu acho, modéstia à parte, está muito bacana).

FALA!: É complicado produzir quadrinhos no Brasil?

R.M: Acho que a dificuldade em fazer quadrinhos no Brasil é apenas um pedaço, levando em conta as enormes barreiras que os artistas autorais encontram para produzir cultura e conteúdo de qualidade no nosso país. Não me sinto diferente de um músico, um produtor teatral, um coreógrafo ou qualquer artista em seu ramo de atuação, que tem de lutar muito para ver seu trabalho acontecer. Daí a denominação muitas vezes indevida para alguns de “maldito” ou “underground”.

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Foto: divulgação Sal & Nöel.

 

 FALA!: Se tudo der certo com o Catarse, a ideia é continuar com uma segunda edição da história de Sal & Noel?

R.M: Com certeza. Se vingar, a experiência trará outros frutos e talvez outras produções em quadrinhos. Mas prefiro pensar em um passo de cada vez e concentrar energias para a concretização do projeto, contando com a ajuda do público aficionado pela linguagem e das pessoas que acreditam existir vida além da Marvel e da DC Comics.

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Foto: divulgação Sal & Nöel.

 

Por: Marcelo Gasperin – Fala! Universidades

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