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Crítica: Capitã Marvel

Crítica: Capitã Marvel

Por Beatriz Cavallin – Faculdade Cásper Líbero

O filme Capitã Marvel estreou na última sexta feira (08/03), dia internacional das mulheres. A data, que foi estrategicamente pensada, não poderia ser melhor escolhida: não haveria uma forma mais honrosa de comemorar o dia da mulher do que exibindo nas salas de cinema um filme com uma protagonista tão poderosa quanto essa, empoderando o sexo feminino.

A história foi baseada nas próprias HQs da Marvel e, apesar de sofrer duras críticas no rotten tomatoes, – a maioria machista – se mostrou um filme apto a responder às perguntas – e construir ganchos- com a última história da franquia Vingadores: Guerra Infinita, e a próxima, Vingadores: Ultimato. O filme tem sua trama focada na forma como Carol Danvers – a Capitã Marvel, interpretada por Brie Larson-, descobrirá sobre seu passado enquanto busca por skrulls infiltrados no planeta Terra. Sua trajetória cruza caminho com a do agente Fury, retratado no filme de uma forma mais ingênua do que aquela que estamos habituados.

O longa metragem cumpre muito bem seu papel de apresentar a personagem ao público: o roteiro divergiu opiniões e recebeu algumas criticas do publico fiel à Marvel mas, mesmo assim, o filme bateu o recorde de maior abertura para um longa estrelado por uma mulher e teve também a melhor abertura mundial para um filme de super herói, ficando atrás de Vingadores: Guerra Infinita. A bilheteria internacional do filme é a quinta maior de todos os tempos ( US$ 302 milhões).  

O filme é a história que tanto faltava nas telas: uma mulher forte, que quebra barreiras e descobre seus próprios poderes e limites. Enquanto meninas crescem cercadas por princesas e contos de fadas acreditando num padrão de comportamento e beleza delicadas, meninos crescem cercados por heróis que representam força e determinação. Capitã Marvel chega exatamente em um momento no qual mulheres adultas, vítimas das princesas, estão se descobrindo fortes; e meninas, que tanto tem a aprender sobre si mesmas podem se espelhar em uma história no qual a pessoa mais forte, a protagonista do filme, é uma mulher.  A história de Carol Danvers pode ser um abrir portas para mais protagonismo feminino e não sexualizado, não apenas no cinema, mas no universo geek em geral.

1 Comentário

  1. 7 meses ago

    O FILME DA CAPITÃ: A DIFERENÇA ENTRE WONDER E MARVEL
    – por Alessandro Loiola
    https://web.facebook.com/alessandro.loiola.9

    Estive dia desses no cinema para assistir Capitã Marvel. Fiquei tão impressionado com o discurso do filme que não resisti e vim escrever uma resenha.

    É o seguinte:

    Em 2017, o lançamento de Mulher Maravilha foi exaltado como um hino do neofeminismo. Estrelado pela estonteante Gal Gadot, a história de uma heroína no mais pleno arquétipo Atena + Ártemis exibia, entre outras coisas, uma sociedade de amazonas misândricas como o clímax do ativismo do exército das SJW Progressistas Pós-Modernas.

    Em si, o enredo de Mulher Maravilha não é ruim; a diversão é até decente, mas a mensagem subliminar é questionável. Ainda assim, Wonder Woman custou 149 milhões de dólares e rendeu 821 milhões, o que lhe garantiu o troféu de 9º maior bilheteria de 2017.

    Dois anos depois de Mulher Maravilha, o lançamento de Capitã Marvel ofereceu um novo palanque para os argumentos neofeministas. Inclusive, a atriz principal, Brie Larson, foi acusada de fazer discursos “lacradores” e havia até mesmo a expectativa de que isso gerasse um boicote ao filme. O que não ocorreu:

    Capitã Marvel custou 152 milhões de dólares e após 4 dias de exibição havia acumulado a bagatela de 456 milhões de dólares em bilheteria. No Brasil, Capitã já se tornou a terceira maior arrecadação da Marvel Studios, ficando atrás apenas de Capitão América: Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita. O provável é que seu lucro ultrapasse Mulher Maravilha, mas isso não é o mais importante. O mais importante é a mensagem explícita que carrega.

    Em inglês, a palavra “wonder” pode ser traduzida como “maravilha”, mas uma tradução mais correta seria “deslumbramento”, no sentido de que “wonder” sugere um êxtase prazeroso da imaginação ou um estado de admiração por encantamento.

    Em contrapartida, apesar de “marvel” também poder ser traduzido como “maravilha”, a palavra tem um sentido mais refinado de espanto ante o extraordinário, um estado de surpresa diante do fenomenal e do grandioso – e esta é exatamente a diferença entre Mulher Maravilha e Capitã Marvel.

    Mulher Maravilha é vistosa, Capitã Marvel é magnífica.

    A super guerreira Diana Prince foi interpretada pela modelo internacional Gal Gadot. Gadot, com 1,78m de altura, Miss Israel em 2004, tem uma beleza incontestável e um corpo super malhado – atributos que foram bem aproveitados pela produção e pela indumentária de sua personagem.

    Em contrapartida, Carol Danvers, a piloto da aeronáutica que se torna um dos seres mais poderosos do universo, foi interpretada pela jovem Brie Larson. Com apenas 1,70m e 58 kg, Larson tem uma beleza mediana e passaria quase despercebida caso comparecesse a uma festa ao lado de Gadot. Mas a Capitã de Brie Larson é um gigante perto da Wonder Woman de Gadot.

    NÃO LEIA DAQUI EM DIANTE CASO NÃO QUEIRA RECEBER SPOILERS

    Durante o longa Capitã Marvel, podemos perceber o quanto Carol Danvers era poderosa antes de ser “poderosa”: ela era o tipo de pessoa que você pode derrubar QUANTAS VEZES QUISER.

    Entenda: para derrubar uma pessoa QUANTAS VEZES VOCÊ QUISER, essa pessoa deve levantar-se TODAS as vezes que cair. E Carol Danvers cai na praia, cai jogando baseball, cai andando de bicicleta, cai correndo de kart, cai treinando na academia militar, cai durante o teste de uma aeronave, cai na explosão de um reator… e levanta-se, sozinha, sempre.

    Nos trechos em flashback, as jovens atrizes London Fuller (que interpreta Carol aos seis anos de idade) e Mckenna Grace (Carol aos 13 anos) dão um show quando se erguem encarando a câmera com um olhar de “Venha, mundo! Mostre o que mais você pode tentar fazer comigo! – e eu vou mostrar de volta o que eu vou fazer com você”. O efeito do close up em cada um daqueles olhares é inspirador.

    Em outro trecho, Maria Rambeau, piloto habilidosa e melhor amiga de Carol Danvers / Capitã Marvel, se vê ante um dilema: ficar em segurança na terra cuidando de sua filha ou guiar um avião recém-adaptado para ir até o espaço e enfrentar uma força alienígena inimiga tecnologicamente mais avançada.

    Quase enveredando por uma típica crise melodramática, Maria ouve sua pequena lhe dizer que momentos como esse existem para que você reflita exatamente qual mensagem deseja passar para seus filhos. E isso basta para que Rambeau entenda o que deve fazer.

    Pessoas “comuns” atropeladas por contextos capazes de trazer à tona a verdadeira matéria que nos constitui: é disso que os bons filmes de heróis deveriam tratar. E as mulheres-heroínas em Capitã Marvel não deixa a desejar: elas são emocionais, vulneráveis e ternas, mas ao mesmo consistentes de um modo flexível, intensas de um modo empático e determinadas de uma maneira fascinante.

    “Eu não sou o quê você acha que eu sou”, diz Danvers para Fury, logo no início do filme, antes de tentar abater um skrull com uma rajada de fótons. Na sequência, enquanto estão em perseguição ao skrull, Fury conversa com Coulson no carro:

    – Você viu a arma dela? – pergunta Fury.

    – Não. – responde Coulson.

    Capitã Marvel não tem braceletes, ou laços mágicos, ou aviões invisíveis. Ela não dispara com armas: ela tem suas mãos, suas convicções e uma missão. E isso é tudo que precisa.

    Numa cena-chave, Danvers encontra-se no ambiente virtual da Inteligência Suprema, o governante soberano do planeta Hala. Ao tentar revoltar-se contra a subserviência imposta pela Inteligência, é golpeada por raios de força. Imobilizada, recebe um aviso: “o que lhe foi dado também pode ser retirado”.

    Esta frase marca uma epifania, quando Danvers compreende que sua “stamina” não foi “dada”: ela sempre esteve ali, porém acorrentado pelos mecanismos de controle daquilo que ela conhecia como Inteligência Suprema. E o que aconteceria se ela, uma simples terráquea voluntariosa e altruísta, decidisse renunciar ao servilismo? O que aconteceria se ela decidisse parar de lutar “com uma mão amarrada às costas” e desse vazão à sua avassaladora energia feminina?

    Finalmente liberta do domínio da “Inteligência Suprema”, Danvers manifesta toda sua potência, destrói a ameaça alienígena no espaço – que foge com o rabo no meio das pernas – e retorna à Terra para um último compromisso: próximo aos destroços de uma nave, a Capitã encontra seu antigo instrutor, Yon-Rogg (interpretado por Jude Law).

    Rogg era a ferramenta que a Inteligência Suprema havia colocado ao lado e acima de Marvel para garantir sua submissão à autoridade. As frases pseudo-motivacionais de Rogg – “tudo que quero é que você seja a melhor versão de si mesma” – nunca foram potencializadoras, mas limitadoras das capacidades de Carol.

    Se a Inteligência Suprema é todo o conjunto de Moralidades virtuais masculinas e femininas que agrilhoam as aptidões femininas, o traidor Rogg é a própria personificação do mito da “sociedade patriarcal machista opressora”. Ciente de sua desvantagem na situação, ele desafia Marvel para um embate mano a mano, sem que ela use plenamente seus poderes.

    – Estou tão orgulhoso de você! – diz Rogg, colocando sua arma no coldre. – Você percorreu um longo caminho desde que a encontrei naquele dia, à beira do lago. Mas será que você consegue controlar suas emoções tempo o suficiente para me enfrentar? Ou irá permitir que elas roubem o melhor que você tem? Eu lhe disse: você estaria pronta apenas quando controlasse suas emoções e me vencesse sendo você mesma. E esta é sua chance! Este é o momento, Vers!

    E então Rogg ergue os punhos, desafiando-a:

    – Desligue seu show de luzes e prove, prove para mim, que você é capaz de me vencer sem… – e antes que possa terminar sua frase, Rogg recebe uma cacetada fotônica disparada por Danvers, sendo arremessado com violência contra uma pedra a centenas de metros de distância. Danvers aproxima-se dele. Rogg está caído e ferido. Ele a olha com temor. Ela o olha com desapego enfático.

    – Eu não tenho que lhe provar coisa alguma. – responde Carol, enquanto cata Rogg pela mão e o arrasta pelo deserto.

    Assistir Capitã Marvel é uma aula do legítimo poder feminino que as feministas atuais, ainda deslumbradas com a ilha de Themyscira, com os sovacos peludos e os absorventes mastigáveis, deveriam assistir várias vezes.

    O feminismo não é, não deveria ser e nunca se tratou de uma luta contra os homens. Para as mulheres, o feminismo deveria significar uma busca pela feminilidade em seus genes, pelo poder singular que reside nos seus dois cromossomos X.

    O Aretê Feminino não consiste em provar o seu valor para ou contra os outros, mas simplesmente descobrir sua Identidade Pessoal e cumprir seu propósito com força, coragem, honra, sentimento, justiça e sabedoria; sem amarras; por si, para si e para o bem dos outros à sua volta.

    Em um trecho revelador, o líder skrull Talos pergunta a Danvers: “Você gostaria de saber quem você realmente é?”.

    Esta é a pergunta que ecoa pelo filme e mais além. E esta, sim, é uma questão Maravilhosa para as autênticas mulheres do século XXI – e um espetáculo para todos os homens que as admiram.

    Capitã Marvel é um filmaço.

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