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Resenha: Alguma Coisa Assim

Por Joice Martins – Fala!Mack

 

Resenha: Alguma Coisa Assim

 

O longa foi um dos cotados para ser o representante do Brasil no Oscar 2019 (Reprodução/ Vitrine Filmes)

 

O filme Alguma Coisa Assim, de Esmir Filho e Mariana Bastos, estreou no dia 26 de julho desse ano e ficou menos de um mês nos cinemas. A recepção fria por parte do público brasileiro não se refletiu na crítica especializada, que chegou a comparar o filme com o estadunidense Boyhood. A história acompanha a vida de dois amigos, Caio e Mari, durante um período de dez anos, focando em três momentos em que a relação deles foi posta à prova: 2006, 2013 e 2016.

O único material inédito é o de 2016. Os outros dois momentos já haviam sido transformados em curtas e lançados em seus respectivos anos, o primeiro ganhando, inclusive um prêmio no Festival de Cannes para o também roteirista do curta Esmir Filho.

A história começa em 2006 com os dois amigos curtindo uma noite na Rua Augusta. Eles são adolescentes e ainda estão em fase de descobertas. Dúvidas e angustias são mostradas. Caio (André Antunes) não tem certeza sobre sua sexualidade e Mari (Caroline Abras) parece nutrir um sentimento pelo seu amigo que vai além da amizade, porém não externa isso. Esse silêncio começa a torturar a jovem que vai se isolando cada vez mais nos seus sentimentos ao longo dos anos.

A atuação de Abras é o destaque entre os dois, ela realmente rouba a cena. Antunes parece não se enquadrar totalmente no papel, principalmente no primeiro curta.  Apesar disso, a atuação dos dois é bem digna ao longo dos 80 minutos de filme, deixando um pouco a desejar somente na cena de maior força dramática no final do filme, quando não se consegue passar todo o drama necessário.

A fotografia do filme é belíssima, rendendo enquadramentos e cenários deslumbrantes, com destaque para as cenas da floresta e da iluminada rua Augusta. A montagem consegue juntar todos esses momentos de uma forma muito natural e deixar ainda mais sublime a fotografia.

 

Rua Augusta viva, colorida e iluminada pela fachada  dos estabelecimentos (Reprodução/ Vitrine Filmes)

 

A grande força do filme está nos temas relevantes que aborda: sexualidade, amizade, aborto e drogas. Temas esses que possuem uma carência de discussão no Brasil. O fato do terceiro e último momento se passar em Berlim, choca ainda mais por mostrar o quanto estamos atrasados socialmente e politicamente.

O longa mostra temas importantíssimos, porém carentes de atenção no Brasil e carregados de intolerância, que parecem longes de serem aceitos pela sociedade e pela classe política conservadora. Parece tudo cinza e sem vida como a Augusta não mais iluminada e viva como outrora esteve presente no filme e marcou o começo e o fim da história de Mari e Caio.

 

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