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A Cabana – Leia a nossa Crítica

A Cabana – Leia a nossa Crítica


Um filme místico, que faz você pensar na existência de todas as crenças. Fica evidente então a semente do sucesso da obra literária A Cabana, um best-seller estrondoso que agora desmembrou-se num filme protagonizado por Sam Worthington e pela atriz vencedora do Oscar Octavia Spencer.

Aqui, Deus é uma mulher. Uma mulher negra e de olhar e gestos serenos. Uma mulher que não só fala de paz, mas também a transmite. Ao abordar a “intervenção” de Deus na vida de uma pessoa de maneira não-ortodoxa, o livro soube comunicar-se com um público amplo e diversificado.

No entanto, é uma pena que por mais bonito (e até certo ponto desafiador) que seja o conceito de Deus proposto pela obra, ele esteja inserido em um contexto que mina totalmente suas chances de provocar boas reflexões: a narrativa atolada de clichês, a breguice em todo o seu vergonhoso esplendor desfilando cena atrás de cena e uma direção covarde e cinematograficamente oca.

Crítica: A Cabana
Crítica: A Cabana

Nos emocionaríamos com mais facilidade se o filme não quisesse o tempo todo nos emocionar. Parece contraditório, mas faz sentido: a trilha incidental e suas melodias habitam A Cabana por praticamente todo o seu tempo de duração e nos distraem, afastando-nos do que está acontecendo na tela e aproximando-nos de uma experiência sensorial fora de contexto – não há uma construção cautelosa do “sentir”, há apenas a preguiça dos realizadores e a vontade exacerbada de fazer chorar, recorrendo, para tanto, a velhos truques (quase) infalíveis.

A música, em A Cabana, serve para manipular o público e não para enriquecer a narrativa ou transmitir sentimentos. É quase como se a personagem Sarayu estivesse ali querendo desesperadamente coletar as lágrimas das pessoas enquanto estas assistem ao filme.

Sarayu, por sinal, remonta a outro dos grandes problemas do longa: as atuações, muitas delas prejudicadas pelo péssimo roteiro. Se Sam Worthington se esforça para conferir peso dramático ao seu complicado Mackenzie, Octavia Spencer faz o que pode para transmitir um pouco de verdade, mas seu Deus é unidimensional, Avraham Aviv Alush, que faz a representação do humano filho de Deus.

A narração em off que abre a fecha o filme é outro elemento que serve às suas pretensões sensacionalistas. Trata-se de uma muleta para a narrativa, que caminha a passos trôpegos em direção ao caos. É muito mais fácil, quando não se sabe como abordar uma história em seus detalhes mais profundos, utilizar-se de um narrador onisciente que ilumine esses detalhes, pois é muito complexo administrá-los visualmente.

A Cabana seria mais suportável se, mesmo com os diálogos melodramáticos e o sentimentalismo barato, a direção do filme trouxesse algo de visualmente interessante para a narrativa. Mas, infelizmente, não é o caso.

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