Quase três décadas depois do fim da Guerra Fria - veja como estão algumas instalações da época
Menu & Busca
Quase três décadas depois do fim da Guerra Fria – veja como estão algumas instalações da época

Quase três décadas depois do fim da Guerra Fria – veja como estão algumas instalações da época

Home > Notícias > Urbano > Quase três décadas depois do fim da Guerra Fria – veja como estão algumas instalações da época

Local da explosão fica a 20 km de Novosibirsk, terceira cidade mais populosa da Rússia.

 Fonte: ScienceAlert

Na última segunda-feira 4, o ex-primeiro-ministro soviético Mikhail Gorbachev disse, em entrevista à BBC, que “todas as nações devem declarar – todas as nações – que as armas nucleares devem ser destruídas“, apontando um estado de conflito entre Rússia e Estados Unidos. O antigo líder não falou à toa — ameaças e suspeitas existem.  Em 17 de outubro, uma explosão de gás e um incêndio atingiram o centro de pesquisa VECTOR, em Koltsovo, distrito do sul da Rússia.

De acordo com a administração do local, apenas um funcionário ficou ferido e não houve contaminação: é que o centro, construído durante a Guerra Fria, abriga vírus biológicos letais e possui uma das maiores coleções desses agentes do mundo de acordo com a Interfax, agência de notícias russa.

 O VECTOR, hoje oficialmente um Centro Estadual de Pesquisa em Virologia e Biotecnologia, fica na província russa de Novosibirsk e abriga vírus letais como o do Ebola, da varíola e do HIV. Enorme instalação com várias divisões, ele possui vírus que atingem níveis máximos de risco biológico de acordo com a classificação de 1 para nível mínimo e 4 para extremo do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos: neste mais extremo estão vírus fatais para os quais ainda não existem vacinas.

Esse local foi inicialmente um centro de pesquisa de armas biológicas da Guerra Fria — foi um dos dos dezoito laboratórios da extinta Biopreparat, uma agência de guerra biológica russa que existiu oficialmente entre 1973 e 1990. 

O medo em relação a estas instalações aumentou quando em 1979 houve vazamento da arma anthrax em uma delas, na cidade de Sverdlovsk — nessa ocasião, 105 pessoas morreram. O mais curioso é que, um ano antes de dar início a esta agência de armas biológicas — ou seja, em 1972 — a Rússia assinou, justamente, a Convenção das Nações Unidas sobre a proibição do desenvolvimento, produção e armazenamento de armas biológicas.

Para o jurista brasileiro e doutorando em direito internacional Tarciso Dal Maso Jardim, a situação hoje não surpreende.

Que a Rússia detém esse tipo de conhecimento me parece bastante claro, e já usaram para controle de ameaças consideradas terroristas.

Citação em referência ao episódio do Teatro de Moscou de 2002, quando 118 pessoas morreram após terem sido feitas de reféns por separatistas da Chechênia (região então ocupada pela Rússia) — durante a operação de resgate, autoridades russas lançaram no sistema de instalação do teatro um gás químico que ocasionou as mortes. 

O incidente em Koltsovo ocorreu cerca de um mês depois de outro ainda mais grave — em 9 de agosto, dois militares e cinco engenheiros nucleares morreram após uma explosão em uma faixa de testes nucleares na cidade de Nyonoksa, no extremo norte da Rússia. O governo local orientou os moradores a deixarem a cidade.

Não foi especificado pelo governo russo qual tecnologia estava sendo testada nesta instalação, mas Putin disse, no começo de setembro, que o país vai produzir mísseis nucleares anteriormente proibidos pelo INF, o Tratado de Forças Nucleares Intermediárias assinado por EUA e pela então União Soviética na Guerra Fria. O presidente americano Donald Trump tirou seu país do acordo em 2 de agosto deste ano e ele foi, assim, encerrado.

Para a cientista política Jane Boulden, especialista em controle de armas nucleares da Royal Military College do Canadá, existe uma demonstração de força:  “A Rússia vem trabalhando há algum tempo na tentativa de modernizar suas forças armadas para estar em uma posição melhor em relação aos EUA e à China”, diz.

E pensar em algum tipo de inspeção por parte da comunidade internacional nas instalações deste país é um cenário distante.

Seria necessário o consentimento da Rússia para fazer isso, e esta é a parte difícil: é pouco provável que o país  jamais aceitaria algo do tipo.

Diz Boulden.

No caso do acidente com o teste nuclear, para a especialista, “já que o INF está no fim, a única saída possível seria um outro acordo”.

______________
Thais Fernanda Navarro Nascimento – Fala!USP

0 Comentários

Tags mais acessadas