Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Quero me cadastrar!
Menu & Busca
Resenha: Quase Memória

Resenha: Quase Memória

Por Daniel Benites – Fala!Cásper

O quão estranho seria encontrar fisicamente você mesmo trinta anos mais velho? Ou então um idoso deparar-se com a pessoa que fora trinta anos mais jovem? O que diriam um para o outro? Ou melhor, para si mesmo? A diferença de idade é o bastante para afastar o eu jovem do eu ancião? O que um sabe e o outro ainda não viveu? E o que um lembra e o outro não?

[read more=”Leia Mais” less=””]

São essas as perguntas que regem o filme de Ruy Guerra, Quase Memória. Protagonizado por Tony Ramos e Charles Fricks, o enredo se passa na residência de Carlos, vivido por Fricks em sua juventude e por Ramos em sua idade avançada. O jovem Carlos vive o fatídico dia da proclamação do AI-5, em 1969, enquanto seu eu envelhecido vive na mesma casa o dia em que Ayrton Senna morreu ao disputar a Fórmula 1, 25 anos depois. Ambas as datas são marcos conhecidos e deprimentes na história brasileira, e as duas versões de Carlos se entristecem profundamente ao serem noticiados dos respectivos fatos ocorridos.

Em dado momento, os dois acabam se encontrando. O fato de ambos estarem, tecnicamente, dentro da própria casa os estranha e se perguntam quem o respectivo outro é. Após segundos de perplexidade e indagação, os dois Carlos se reconhecem como sendo as duas versões de si mesmo, distanciados pela idade.  O que certamente não diminui a surpresa de ambos.

Na sequência, o que os dois Carlos tentam entender é porque estão ali, se há alguma falha temporal que os permitiu se encontrarem, ou se ambos vivem uma história sendo narrada por uma entidade superiora, a quem eles chamam de “O Criador”. Mas quem seria tal criador? Como alguém pode se encontrar com si mesmo décadas mais jovem ou mais velho nas conjunções naturais mundanas?

Tentando entender o que está acontecendo com eles (ou com ele), diversos acontecimentos importantes do passado lhe são mostrados, aumentando ainda mais o tom sobrenatural do longa. Entretanto, o passado que lhes é remetido não é o deles. Trata-se da história de seu pai.

Diversos amigos, parentes e conhecidos de seu pai aparecem na reconstituição de sua vida e ambos os Carlos imaginam que, por meio da história de seu pai, eles consigam tanto entender algo de sua própria história como descobrir o que estão fazendo ali.  

Entretanto, o foco do filme é muito centrado na reconstituição da vida do pai de Carlos, o que acaba tirando um pouco o espaço da própria situação bizarra que o jovem e o velho passam.  A demora constante em responder às questões apontadas pelas duas versões de Carlos pode ser um motivo para o desapontamento de alguns espectadores.

Ainda assim, o roteiro é conduzido com suspense e leva quem assiste ao longa a desejar descobrir o que vai acontecer: o que houve para que ambos se encontrassem e como irão superar tal situação. A fotografia escura e melancólica é feita de modo a manter a atenção fixa de todos e a atuação dos protagonistas, sobretudo de Tony Ramos, não deixa a desejar em momento algum, interpretando o papel de um idoso amargurado e cansado da vida, sem fôlego nem tampouco conhecimento para responder às questões levantadas por seu eu mais jovem, bem mais curioso, por sinal. Uma clara analogia a como todos mudamos com o passar dos anos.

[/read]

 

Confira também:

Resenha: Uma Temporada na França

Resenha: Baseado em Fatos Reais

1 Comentário

  1. Giuliana
    1 ano ago

    Excelente crítica do Daniel Benites!! Parabéns, Daniel, por seu trabalho exemplar. Adorei as colocações!

Tags mais acessadas