Quarentena: Suicídios, problemas psicológicos e consumo de bebidas
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Quarentena: Suicídios, problemas psicológicos e consumo de bebidas

Quarentena: Suicídios, problemas psicológicos e consumo de bebidas

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O isolamento social, conhecido também como quarentena, causa solidão, ansiedade, insônia, rotina alterada, medo, tédio e angústia

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Problemas psicológicos em casa durante a quarentena. | Foto: Reprodução.

Suicídio na quarentena

Durante o período de isolamento, a partir do dia 23 de março, a taxa de suicídio saltou cerca de 30%, de acordo com os dados levantados em Michigan e divulgado pelo Loudwire. Além dos mais de 864 mil óbitos pelo novo coronavírus no mundo, o número de autocídios cresce a cada dia e anda preocupando especialistas.

Em algum momento da vida, qualquer indivíduo pode pensar, pelo menos uma vez, em se suicidar, para a maioria, é um pensamento que como chega, vai embora. Mas quando começa a se pensar muito a respeito disso, os pensamentos se tornam frequentes e se vê o suicídio como uma única saída viável, explica a psicóloga Karen Scavacini em entrevista para a Folha de S. Paulo

De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na capital paulista, o número elevado de suicídios não se encontra somente em classes altas, muito pelo contrário, atingem principalmente as classes mais baixas. Um estudo realizado na China, detectou que, na fase inicial da pandemia, cerca de 30,3% da população apresentou índices depressivos entre leves, moderados e graves. 

Além disso, estudos apontam a prevalência de respostas emocionais negativas dentre todos que respeitam o momento de quarentena. Grande parte da população adulta atingida por estes certos problemas ligados ao estresse, pode se referir a questões financeiras, até porque a queda econômica é capaz de se tornar um problema bem significativo para as famílias, e seus efeitos podem se alongar por meses, concebendo grave sofrimento socioeconômico e, por consequência, psicológico. 

Quase 800 mil pessoas se suicidam anualmente, por volta de uma morte a cada 40 segundos. Sem contar que a cada caso, são pelo menos outras 20 tentativas, ou seja, quase 20 milhões de pessoas tentam se matar, só não conseguem. Os números de mortes só não ultrapassam as por acidentes de trânsito, em que chegam a mais de 1 milhão por ano, conforme dados apresentados pela OMS. Com base nas informações, a maioria é masculina, a cada dez suicídios, oito são homens. Para a mesma organização, 90% dos casos no mundo poderiam ser evitados. 

Ao contrário do Brasil, no Japão, a quantidade de suicídios caiu em torno de 20% comparado com o ano de 2019, foi a maior queda dos últimos cinco anos, e dentre os fatores que levaram isso a acontecer, o aumento do tempo que as pessoas passaram a conviver com seus familiares e a menor proporção de exposição ao estresse, como as atividades escolares que, de certa forma, tornaram-se mais tranquilas e sem muita pressão, foram aspectos significativos para a queda dessa estatística. 

Já nos Estados Unidos da América, o país oferece uma plataforma de emergência própria para casos psicológicos e, de acordo com o jornal Washington Post, em comparação com os meses passados, os casos de sofrimento emocional que entraram em contato aumentaram cerca de 1.000% em abril. Conforme um médico peruano disse, estamos em uma onda diante de um vírus novo, em que não conhecemos, e por esse motivo gera tanta incerteza e insegurança.

As redes sociais têm um papel importante sobre a vida de muitos indivíduos e, por isso, foi feito um levantamento pelo Comunica Que Muda (CQM), plataforma digital voltada para assuntos polêmicos. Após monitorar as redes sociais brasileiras ao longo de 29 dias em maio de 2020, computou cerca de 103.923 menções sobre o tema. Dentro desse grande número, apresentou índices maiores de depoimentos e relatos, em 2017, se totalizou com 6,3%, já em 2020, passaram para 23,5%.

O número de notícias subiu de 7,5% para 42%, ao mesmo tempo que o fluxo de piadas diminuíram de 34% de publicações para apenas 3%. A pesquisa também contabilizou e avaliou os posts que semeavam um conteúdo positivo, com reflexões a respeito da depressão ou que são voltados para incentivo à busca de ajuda.

Há três anos, o número e as publicações eram de 28,8%, em 2020, atingiram cerca de 63,5%. Este tipo de comentário abre um leque de oportunidades para que os indivíduos compreendam a importância de falar como se sentem, sabendo que alguém irá ouvi-los, além de serem extremamente necessários para balancear o debate do tema dentro das plataformas digitais, para, assim, quebrar desinformações. 

Abuso de álcool na quarentena

bebidas alcoólicas na quarentena
Consumo de bebidas alcoólicas aumentou na quarentena. | Foto: Reprodução.

O assunto pode deixar algumas dúvidas, como, por exemplo, qual seria o motivo exato desse aumento descontrolado de bebidas no período de distanciamento social? De acordo com algumas pesquisas, a situação de estresse gerado pela pandemia é um dos fatores desencadeantes para o consumo excessivo do álcool. Os transtornos dominantes na pandemia são a ansiedade, a insônia, a depressão e o estresse pós-traumático, todos esses capazes de estimular o abuso de álcool ou até a dependência dele.   

O aumento de bebidas alcoólicas durante o período de quarentena causa preocupação global. De acordo com as informações publicadas pela Abead (Associação Brasileira de Estudos de Álcool e outras Drogas), chegou a apresentar crescimento de 38% das vendas de bebidas alcoólicas nas distribuidoras e 27% em lojas de conveniência, assim como o consumo de maconha, que veio a dobrar. 

Podemos citar a Rússia como um caso bem significativo, o país levou 13 anos para conseguir a redução de 40% no consumo de bebidas alcoólicas, e em cerca de um mês de quarentena, a venda retornou ao patamar antigo, com aumento de 47% no caso dos uísques. 

Para aqueles que tinham o costume de sair para beber com seus amigos nos finais de semana, sentiram uma grande diferença em suas rotinas, e por conta disso, se desencadeou a vontade de beber sozinho, assistindo a uma live, em uma sexta-feira, por exemplo. Ao longo do tempo, esse indivíduo se pega bebendo em dias de semana, e assim se obtém um novo hábito, ingerir bebidas alcoólicas sozinho. Ao fim da pandemia, o mesmo conseguirá resgatar sua rotina antiga para os finais de semana, porém contará com um novo costume, além de beber com a galera às sextas e sábados, também irá beber sozinho, em casa. 

O consumo descontrolado de álcool em domicílio não se consiste exclusivamente em uma preocupação sanitária, pode acabar sendo um dos motivos associados ao aumento das ocorrências de violência doméstica, além de que o álcool pode reduzir a imunidade e, consequentemente, aumentar as chances de contaminação do novo coronavírus. Esse conjunto de impactos fez com que a OMS recomendasse ao governo, a limitação da venda de bebidas alcoólicas durante o distanciamento.  

Em alguns países, como a África do Sul, a venda de bebidas lícitas foram totalmente proibidas e, assim, conseguiram diminuir as internações em decorrência do álcool e nos incidentes policiais. No entanto, essa medida possibilita pensar na hipótese de que as vendas dispararem quando tudo “voltar ao normal”, cenário pré-pandêmico.

O isolamento gerou muita ansiedade, incertezas, solidão, agressividade, pobreza, o que acabou contribuindo muito para o aumento de bebidas alcoólicas. O álcool tira a pessoa da realidade, assim como qualquer outra droga, entorpece, anestesia, fazendo com que ela tenha uma falsa sensação de bem-estar e que não existe o problema.

Eliana Bortolato, psicanalista do IBCP (Instituto Brasileiro de Ciências e Psicanálise).

Entretanto é importante cuidar da saúde física, assim como da saúde mental, a todo instante, ainda mais no período atual. E, para isso, a psicanalista entrevistada, indica exercícios como meditação, trabalhar respiração, manter a rotina de acordar no mesmo horário pré-pandêmico e destaca ainda mais as atividades físicas. Para ela, o momento que estamos vivenciando tem um peso diferente para cada cidadão, mas vale a pena refletir sobre tudo e olhar para dentro de si, observar e valorizar hábitos pequenos que antes não recebiam o devido valor. “É uma fase difícil”, completa a profissional. 

É fundamental discutir sobre os temas abordados durante a matéria, a todo instante, não somente no “setembro amarelo”. Afinal, ansiedade, depressão, dependência e suicídio, ocorrem o ano inteiro, e não em um único mês!

setembro amarelo
Setembro Amarelo. | Foto: Reprodução.

Sinais de alerta

  • Expressão de ideias ou intenções suicidas;
  • Automutilação;
  • Se entregar para álcool ou drogas;
  • Agir de modo ansioso, agitado ou irresponsável;
  • Insônia;
  • Se sentir isolado/sozinho ou acabar se isolando;
  • Demonstrar raiva ou espírito vingativo;
  • Falta de perspectiva de futuro;
  • Alterações repentinas de humor.

O que fazer

  • Nunca deixe a pessoa sozinha;
  • Dialogar de forma aberta, respeitosa, empática e compreensiva;
  • Procure saber como a pessoa está, como está se sentindo ou o que tem feito ultimamente;
  • Indique ajuda especializada, se dispondo a acompanhá-la;
  • Ofereça suporte emocional;
  • Seja presente, e mostre que você se importa com ele(a);
  • Ligue para canais de ajuda. 

O que não fazer

  • Esboçar reações ou falas que expressam choque, “não acredito que você está pensando nisso!”, por exemplo;
  • Chorar, tente conter caso dê vontade;
  • Dizer que é drama! Você não está na pele dele(a) para saber o que a pessoa está sentindo. 

Se você precisa de ajuda

  • Prometa a si mesmo de que não fará nada;
  • Respire fundo;
  • Faça exercícios de relaxamento;
  • Alimente-se bem;
  • Descanse;
  • Não abuse de álcool ou outras drogas;
  • Compartilhe seus sentimentos com alguém de confiança;
  • Procure por um psicólogo ou psiquiatra.

Alguns mitos sobre o suicídio

  • “Quem diz que vai se matar não se mata”;
  • “Quem quer mesmo se matar não muda de ideia, e nem fica enrolando, eles estão decididos!”;
  • “Falar sobre suicídio estimula a vontade”.

Atendimento gratuito

Centro de Valorização da Vida
Contato: 188 (telefone) / via web (www.cvv.org.br).
Disponibilizado 24 horas por dia.

CAPS (Centro de Atenção Profissional).

Bem Care
Atendimento on-line pelo site (https://bem.care/covidzero/), válido até 30/09/20.

Psicanálise na Praça Roosevelt, de São Paulo
Atendimentos aos sábados, das 11h às 14h.

Psicanálise na Rua, de Brasília
Contato: facebook.com/psinarua.
Para moradores do DF e entorno; atendimentos às sextas, das 16h30 às 18h30, e aos sábados, 10h às 12h.

Psicanálise na Praça, de Porto Alegre
Atendimentos aos sábados, das 11h às 14h.

Eternamente Sou
Contato: psi.eternamentesou@gmail.com /  (11) 98104-6490.
Atendimento: on-line.

Psicanálise de Rua, de São Carlos (SP)
Atendimentos aos sábados, das 11h às 14h, região de São Carlos.

Varandas Terapêuticas (Instituto Gerar)
Contato: tel. (11) 3032-6905 e (11) 97338-3974.
Atendimentos: mediante agendamento.

EscutAto – Instituto de Psicologia da USP
Atendimentos: mediante agendamento.

suicídio
Você não está sozinho na quarentena. | Foto: Reprodução

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Por Gabrielle Fernandes – Fala! Cásper

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