Qual a importância da representatividade feminina na literatura?
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Qual a importância da representatividade feminina na literatura?

Qual a importância da representatividade feminina na literatura?

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A discussão da importância da representatividade feminina na literatura começa com a informação de que as mulheres representam 51,8% da população brasileira, segundo o IBGE. E ainda sim, vemos uma resistência na literatura escrita por mulheres, onde desde o seu início mulheres não podiam escrever, por ser considerado “algo de homem”. Temos relatos de que no século XIX, mulheres usarem pseudônimos masculinos para poderem ter seus textos publicados, por exemplo a autora inglesa Mary Ann Evans, usava o pseudônimo de George Eliot, e até mesmo a famosa Jane Austen (autora de Orgulho e Preconceito), durante o início da carreira publicava seus romances anonimamente, segundo dados da BBC.

A representatividade das mulheres na literatura vem sendo debatida.
A representatividade das mulheres na literatura vem sendo debatida. | Foto: Freepik.

A importância da mulher na literatura

Dentro de uma estrutura patriarcal e machista, como o Brasil, muito se tem debatido pelo espaço ocupado pelas mulheres. Poucos livros que estão em grades de ensino, ou até mesmo, obrigatórios em vestibulares, foram escritos por mulheres, então diante dessa situação precisaríamos aumentar o consumo de literatura escrita por mulheres, para assim, reconhecer mais autoras e criar mais perspectivas de leitura.

Não devemos somente consumir textos escritos por mulheres, mas também nos questionar os papéis das personagens femininas nas histórias, porque muitas ainda seguem os imaginários de mulheres indefesas e submissas, ao invés de reforçar a ideia de liberdade e força. Então nos perguntar qual o papel da mulher naquela história, é fundamental para entender que tipo de discurso está sendo reforçado. E não tão somente, questionar o presente, mas o passado, e buscar entender a marginalização de autoras femininas desde o princípio.

Temos agora mais acesso à informação, então cabe a nós consumir e levar adiante materiais escritos por mulheres. Hoje temos grandes nomes da literatura que também são assumidamente feministas, como Chimamanda Ngozi Adichie, que é nigeriana e escritora do livro Sejamos todos feministas, em que debate a necessidade de toda a sociedade lutar pelos direitos das mulheres, mas também é autora de romances, como o livro Hibisco Roxo.

No Brasil, um dos nomes mais fortes da literatura é Clarice Lispector, que além de escritora, foi jornalista e esteve presente na cena literária da primeira metade do século XX, onde pode ganhar muito espaço para literatura escrita por mulheres, pois durante esse período, a maioria dos escritores ainda eram homens, de sua maioria brancos e ricos. Outro nome importante para a literatura feminina, é Conceição Evaristo, que diferente de Clarice Lispector, nasceu já na metade do século XX, e é linguista e foi pesquisadora-docente universitária, conhecida por lutar pelos direitos das mulheres negras, e tem, entre suas obras, poesias, contos, romances e ensaios, entre eles o livro de contos Olhos D’água.

Não basta apenas falar dessas autoras, mas sim comprar e consumir os seus textos, livros e conteúdos produzidos. É necessário discutir sua importância em instituições de ensino e questionar a sua presença (ou falta dela), nas obras recomendadas por professores e planos de ensino. Dessa maneira, pode-se comprar livros escritos por mulheres em qualquer livraria, online, na Amazon.com.br, Livraria Cultura, Saraiva, etc. Em sebos, de maneira online pela Estante Virtual ou presencialmente, e uma recomendação para quem mora em São Paulo, ir até a livraria Gato sem Rabo, no centro da cidade, que é uma livraria inteiramente dedicada a obras escritas por mulheres. 

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Por Gabriela Martin – Fala! Fecap

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