Por que a ideia sobre Copa do Mundo a cada dois anos ressurgiu?
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Por que a ideia sobre Copa do Mundo a cada dois anos ressurgiu?

Por que a ideia sobre Copa do Mundo a cada dois anos ressurgiu?

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O mundo do futebol passou por grande turbulência nos últimos meses. Não só a pandemia afastou os torcedores dos estádios e gerou prejuízos milionários, mas ainda a ideia da Superliga de clubes balançou todo o sistema, gerando uma confusão que colocou os 12 clubes signatários contra seus próprios torcedores e instituições, como a Uefa. Eis que chega a Fifa e traz mais uma bomba: a entidade aprovou um estudo para definir se vale a pena fazer a Copa do Mundo de dois em dois anos. A mudança seria a primeira nesse sentido, já que desde 1930 o intervalo é o mesmo, excetuando 1942 e 1946, quando não houve competição por causa da Segunda Guerra Mundial e a posterior reconstrução da Europa.

O momento para essa decisão é de se estranhar e a ideia também, já que a competição de seleções é um sucesso, tendo inclusive odds abertas no Sportingbet hoje mesmo muito tempo antes da bola rolar para a edição de 2022. O que está por trás disso?

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Entenda por que a ideia sobre Copa do Mundo a cada dois anos ressurgiu. | Foto: Reprodução.

Copa do mundo: uma grande disputa de poder

O futebol tem uma grande disputa por poder neste momento. Os grandes clubes europeus quiseram puxar a corda para seu lado e especula-se que a Fifa apoiava a medida. A Superliga caiu por terra, mas não sabemos até quando, porque Real Madrid, Barcelona e clubes ingleses irão querer mais dinheiro e domínio em breve.

A Uefa não quer perder sua Champions League valorizada e ainda defende as ligas nacionais, cujas federações também querem poder sentar à mesa para discutir. Ou seja, é uma grande batalha com vários lados e muitos interesses.

A Fifa já tinha aberto suas asas ao propor um Mundial de Clubes muito maior do que o atual, algo que não tinha empolgado ninguém. Com a Copa do Mundo, a intenção é a mesma: para que ganhar dinheiro de quatro em quatro anos se posso ganhar dinheiro de dois em dois?

O problema é que as seleções não são as principais responsáveis pelos pagamentos dos atletas, e sim os clubes, que teriam que abrir mão dos seus jogadores ou vê-los perder tempo de férias. O calendário atual já é completamente inchado, com clubes europeus encarando a liga nacional, copas domésticas, Champions League ou Liga Europa e ainda vendo seus jogadores disputarem amistosos, eliminatórias, Eurocopa/Copa América e a Copa do Mundo por suas seleções.

Isso fez com que a reclamação do calendário deixasse de ser uma coisa de treinadores brasileiros e passou a fazer parte até do manual de nomes como Pep Guardiola e Jurgen Klopp. Os jogadores estão sobrecarregados e isso não é bom para o produto.

Então, para entender o contexto: os grandes clubes europeus querem mais dinheiro e jogar mais entre eles. A Fifa pode ter apoiado isso, mas deve exigir contrapartidas, como apoio às suas competições, o Mundial de Clubes e uma Copa do Mundo mais frequente. A Uefa quer manter o status quo porque a Champions League é a principal competição de clubes do mundo. As federações não querem perder suas ligas nacionais, nem ver clubes médios e pequenos sem poder jogar contra os grandes e participar da divisão de direitos televisivos. Ou seja, a confusão está pronta.

Tiro pode sair pela culatra

A lógica de fazer mais uma Copa do Mundo é gerar lucro. Mas a graça da Copa do Mundo é ser justamente um evento aguardado, que não acontece sempre. Entretanto, a Fifa já promoveu mudanças que podem tirar um pouco da magia da competição.

Dá para entender a abertura para novos mercados serem sede – como Estados Unidos, Coreia/Japão, África do Sul e Rússia -, mas a decisão pelo Catar foi e é bastante criticada, especialmente com a falta de transparência e notícias de profissionais morrendo na construção de estádios. 

O pulo de 32 seleções para 48 que acontecerá em 2026 também é algo a ser criticado, já que as eliminatórias para a Copa são emocionantes justamente pelo perigo de ficar de fora que seleções importantes correm. Com 48 seleções, basicamente todo mundo irá se classificar e os jogos eliminatórios serão um tédio, além da possibilidade de termos equipes fracas jogando uma Copa e derrubando o nível técnico.

Com um calendário ainda mais lotado e jogadores atuando demais, a Copa do Mundo pode ficar diluída, afetando tremendamente o produto final e o apreço dos torcedores pelo jogo. Nessa briga pelo poder quem mais pode perder são os torcedores.

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Por Luana Biral – Fala! Unip

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