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Conheça a poesia de Rupi Kaur

Conheça a poesia de Rupi Kaur


Por Débora Bandeira – Fala! PUC

 

Rupi Kaur, indiana, 24 anos, poeta. Seu primeiro livro, “milk and honey”, lançado no Brasil com o título de “Outros jeitos de usar a boca”, vêm encantando as pessoas no mundo inteiro. Por meio de uma forte carga emocional e poemas curtos, a indiana, que foi criada no Canadá, provoca uma profunda reflexão em quem a lê. A linguagem acessível e o tema principal sendo o ato de sobreviver, explicam porque Rupi se tornou o mais novo fenômeno da literatura poética mundial.

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Rupi Kaur (Foto:Nathan Cyprys)

 

Com versos diretos e simples, a poeta indiana escreve sobre assuntos dolorosos, como a solidão, a violência, a perda e as minúcias de ser mulher.

“A dor que todas as pessoas experimentam na vida e a leveza que faz com elas vençam tudo isso, suas vidas e suas histórias e seu amor são o que me mantêm viva, o que me move a escrever”, declarou a escritora.

Seu primeiro livro, “Outros jeitos de usar a boca”, chegou ao Brasil em março de 2017, publicado pela Editora Planeta, e é dividido em quatro partes: “a dor”, “o amor”, “a ruptura” e “a cura”. A tradução é feita pela escritora e poeta Ana Guadalupe.

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Poeta exibe seu 1º livro (Foto/Reprodução)

 

Lançada de forma independente em 2014, com o nome original “milk and honey” (“Leite e mel”, em tradução literal), a obra alcançou recorde de vendas nos Estados Unidos. Ao ficar 40 semanas seguidas na lista de mais vendidos do “New York Times”, “milk and honey” alcançou mais de 1 milhão de exemplares no país, uma marca rara para um livro de poemas.

O sucesso se deu a partir da divulgação de seu trabalho pelas redes sociais, nas quais têm mais de um milhão e meio de seguidores. Rupi Kaur faz parte de um movimento conhecido como “InstaPoets”, no qual uma série de poetas apresentam seus versos por meio do Instagram.

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O título “Leite e Mel” se originou em um poema seu sobre o genocídio de 1984 do povo sikhs (praticantes do sikhismo, religião monoteísta a qual Rupi é adepta), na Índia.

“Eu escrevo que eles saem desse terror tão suave como o leite e tão grosso como mel”, expressa a poeta.

Cercado por ilustrações da própria indiana, seus escritos são simples e claros, todos feito em letra minúscula e a única pontuação existente são os pontos finais. A escolha por esse modo de se expressar tem origem em sua escrita nativa chamada “gurmukhi”, na qual não há a diferenciação entre letras minúsculas e maiúsculas e a única marcação é o período.

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 “Todas as letras são tratadas da mesma forma. Eu gosto de como isso é simples. Como é simétrico e absolutamente direto. Também sinto que há um nível de igualdade que essa visualidade traz ao trabalho. Uma representação visual do que eu quero ver mais de dentro do mundo: igualdade”, diz Rupi.

“É menos sobre quebrar as regras do inglês (embora isso seja muito divertido), mas mais sobre amarrar em minha própria história a herança dentro do meu trabalho”, completa.

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Assumidamente feminista, muitos de seus poemas trazem questões particulares de ser mulher como tema. “Algumas questões são pessoais e só assim é que consigo transmitir tão bem as emoções. As que não aconteceram a mim, aconteceram às mulheres à minha volta, uma prima, uma amiga ou uma vizinha. Todas as histórias são não-ficção, mas nem todas são sobre mim”, afirma a poeta.

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Biografia

Poeta contemporânea, Rupi Kaur nasceu na Índia na cidade de Punjab, no dia 5 de outubro de 1992.  Aos quatro anos de idade, se mudou com seus pais para Toronto, capital do Canadá, onde começou a pintar e desenhar, desenvolvendo seu lado artístico, inspirada num hobby praticado por sua mãe.

Rupi Kaur (Foto: Baljit Singh)
Rupi Kaur (Foto: Baljit Singh)

 

Tendo dificuldade para se comunicar com as outras crianças da escola, por ser uma imigrante, Rupi passou muito tempo sozinha e os livros se tornaram sua principal companhia. Dessa paixão pela leitura, nasceu uma outra: a escrita, que teve início aos 17 anos de idade.

“Escrever e desenhar eram formas de escapar ao que se passava na escola e de tudo que eu não gostava”.

Somente quatro anos depois, teve coragem de assinar seu próprio nome em seus escritos, em vez de utilizar pseudônimos, começando a divulgar seu trabalho poético nas redes sociais, principalmente no Instagram e no Tumblr.

As palavras não são sua única forma de expressão e de fazer poesia. Ilustração, design, fotografia, videografia, direção de arte e performance são outras de suas facetas como artista.

Em março de 2015, a poeta ficou conhecida internacionalmente por publicar uma foto na qual aparece deitada de costas e sua calça cinza exibe uma pequena mancha de menstruação, o que lhe rendeu censura no Instagram. A imagem fazia parte de um ensaio para o curso de retórica visual da Universidade de Waterloo, na qual abordava esse tabu.

um pequeno vazamento

“Obrigada, Instagram, por fornecer a resposta exata que meu trabalho foi criado para criticar. Vocês deletaram a minha foto duas vezes, afirmando que ia contra as diretrizes da comunidade. Eu não vou pedir desculpas por não alimentar o ego e orgulho de uma sociedade misógina, que terá o meu corpo em uma roupa íntima, mas não está de acordo com um pequeno vazamento quando as suas páginas estão cheias de incontáveis fotos onde mulheres (muitas menores de idade) são objetificadas, pornificadas e tratadas como menos que humanas”, desabafou em sua conta na rede social.

Em 2017, seu livro ganhou tradução para outras línguas, como o português e o espanhol. Até maio deste ano, mais de 55 milhões de cópias foram vendidas no mundo inteiro. Com sua escrita rápida e intensa, Rupi Kaur nos intima a refletir sobre a angústia que é viver, sobre as perdas e dores, decepções e desilusões e, por fim, nos propõe a cura para que possamos seguir em frente. A poesia de Rupi é sobre sofrer, resistir, sobreviver e renascer. É sobre provar do mais amargo sabor da vida e, ainda sim, remetê-la ao doce.

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(Foto: Baljit Singh)

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