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Pedestres perderam espaço na Cidade de São Paulo

Pedestres perderam espaço na Cidade de São Paulo

As calçadas e iluminação nas ruas são um problema para a população que se locomove pela cidade de São Paulo a pé.

Foto: Hildegard Rosenthal. Largo da Sé e a Catedral sendo construída – década de 40

Quem observa São Paulo hoje, uma metrópole com carros por todos os lados, não imagina que algum dia possa ter sido diferente. No lugar dos automóveis, pessoas andando por todos os lados. Há algumas décadas essa era uma realidade, antes de os espaços da cidade serem conquistados pelos veículos individuais.

Não quer dizer que as pessoas não andem mais a pé. De acordo com a pesquisa de mobilidade da Região Metropolitana de São Paulo, do total de viagens diárias, 32% foram realizadas por modos não-motorizados em 2012.

As viagens feitas a pé são acompanhadas por desafios. Caminhar é benéfico à saúde, mas não tanto em São Paulo quando considerada a situação crítica das calçadas. Em um levantamento feito pelo Instituto Corrida Amiga,  das 8.000 fiscalização feitas desde 2014, 71% indicava calçada irregular, ou seja, cheia de buracos. Mas este não é o único problema, tem ainda o descarte irregular de lixo e a falta de acessibilidade.

A coordenadora pedagógica Prisila Altaminâno faz todos os dias parte de seu percurso a pé para ir trabalhar e reconhece os obstáculos da trajetória, “as calçadas são péssimas porque não tem acesso, é horrível” diz. Para ela que possui filhos pequenos, a dificuldade é ainda maior

“tem poste em tudo quanto é canto,  as calçadas são todas irregulares. Eu ando muito com carrinho de bebê, até tinha parado de ir de carrinho pra ver se dava uma facilitada para mim”.  

Cidade de São Paulo
Rua Major Freire, caminho feito por Prisila. Foto: Google Maps

A iluminação também é outro problema. Os postes de luz normalmente estão projetados para a via onde passam os carros. Servem para iluminá-los, não a calçada onde circula ⅓ da população exclusivamente a pé.

Apesar de o espaço do pedestre ter sido reduzido, as primeiras informações oferecidas pela pesquisa Origem e Destino de 2017 mostra que o maior número de distribuição das viagens diárias por modal principal é a pé, com 12,8%, enquanto do automóvel é de 11,3% e ônibus 8,6%. Ou seja, os pedestres estão em maior número mas são os que menos recebem investimento.

No entanto, a  estrutura pública de estudo, atenção e implementação de políticas públicas para mobilidade deveria seguir esses dados e manter equipes do tamanho dos fluxos. Na Secretaria de Transporte existe a CET,  que cuida da engenharia para a circulação e fluidez do trânsito. Os semáforos garantem que os carros sigam, mas não a segurança do pedestre ao atravessar a rua. Outra empresa relacionada à Secretaria é a SPTrans, que cuida dos 15 mil ônibus da cidade de São Paulo. Enquanto essas duas entidades cuidam do trânsito, os pedestres carecem de providências.

Apesar dessas duas empresas possuírem um grupo grande de trabalho, o grupo do pedestre é significantemente maior. Ainda assim, a discussão acerca desse tipo mais comum de mobilidade é pouca. Os estudos e pesquisas feitos hoje em relação ao pedestre ou ciclista são muito menores quando os números apontam que não deveriam. As vias nas marginais para os carros aumentam, enquanto as áreas de lazer, o verde, até mesmo o mínimo como as calçadas, estão sumindo.

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Vitória Castro – Fala!PUC

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