Os soldados sem nome da Guerra das Malvinas finalmente foram reconhecidos
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Os soldados sem nome da Guerra das Malvinas finalmente foram reconhecidos

Os soldados sem nome da Guerra das Malvinas finalmente foram reconhecidos

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Projeto de reconhecimento de soldados mortos, liderado por Inglaterra e Argentina em parceira com a Cruz Vermelha Internacional, consegue identificar 114 soldados anônimos enterrados no arquipélago.

Na pequena ilha de Falklands/Malvinas há 238 argentinos enterrados no pequeno cemitério Darwin, desses, 122 não possuem nenhum tipo de identificação. Nas cruzes que identificam os soldados somente há uma frase escrita “soldado argentino solamente conocido por Dios” (soldado argentino somente conhecido por Deus).

Idealizado em 2012 e iniciado oficialmente em 2016 pelos governos britânico e argentino, e intermediado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), o Plano do Projeto Humanitário Falkland-Malvinas (PPH) buscava reconhecer os militares não reconhecidos que morreram na Guerra das Malvinas

O último relatório foi entregue em 2018, ou seja, a pesquisa foi encerrada nesse momento. Contudo, segundo o representante do CICV para a Argentina, Gabriel Valladares, as equipes forenses continuam trabalhando na identificação das últimas oito amostras.

Guerra das Malvinas

Entre os dias de 2 de abril e 14 de junho, o arquipélago de Falklands foi palco de uma guerra entre a Grã-Bretanha e a Argentina. Possessão inglesa desde 1833, as ilhas sempre foram um desejo argentino que argumentava uma dívida colonial.

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Fonte: BBC

Pensando em restabelecer o nacionalismo e criar um apoio popular, a Junta militar que governava a Argentina desde 1976, liderada pelo presidente Leopoldo Galtieri e pelo almirante Jorge Anaya acreditava que o governo britânico não iria usar sua força para retomar um pequeno conjunto de terra no Atlântico Sul. As 21 horas do dia 1º de abril as primeiras forças argentinas desembarcaram no território e no dia 3 em duas das ilhas a bandeira argentina tremulou.

A reação britânica demorou, mas a força política do governo Thatcher em buscar apoio de outras nações foi mais eficaz que o da junta argentina. Apoiada pela OTAN, ONU e pela Comunidade Econômica Europeia, as forças britânicas conseguiram reagir de forma contundente a ação argentina.

A iniciativa para recuperar as ilhas iniciou em 9 de abril, quando os britânicos iniciaram a Operação Corporate. A frota inclui duas fragatas, um navio patrulha e um submarino nuclear. Essa força estava muito acima de qualquer expectativa e poder de fogo argentino. Em 2 meses de guerra a superioridade europeia foi bem clara e resultou em várias baixas argentinas.

No dia 14 de junho, o general Mario Benjamin Menendez se rende e a Operação Corporate termina juntamente à guerra. No dia 15, a bandeira britânica volta a tremular no arquipélago. Ao final do conflito 649 militares argentinos morreram em batalha. Pelo lado inglês, 255 militares e 3 civis foram mortos durante o período de combate.

Projeto Humanitário Falkland-Malvinas

Desses 649 mortos, 238 estão enterrados no cemitério Darwin, a 88 quilômetros de Port Stanley principal cidade do arquipélago. 122 dos 238 não estão identificados. Buscando reconhecer esses soldados, os governos da Argentina e da Grã-Bretanha decidiram que iriam usar suas pesquisas para identificá-los. Ambos os países estão seguindo uma lei do Direito Internacional Humanitário (DIH) que afirma que é necessário identificar os mortos no campo de batalha.

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As nações optaram por dar esse trabalho para o CICV devido ao histórico do comitê em identificar mortos em zonas de conflito. Por isso o nome Falkland-Malvinas, já que a cruz vermelha Internacional preza pela neutralidade e não quis aparentar qualquer apoio. Compondo a equipe foram convocados 14 forenses da Argentina, Austrália, Chile, Espanha, México e Reino Unido que fizeram todo o processo de exumação, análise, obtenção de amostras e documentação. As informações sobre os reconhecidos apenas são divulgadas para a famílias que adquiriram a análise.

Esse histórico positivo do comitê está muito vinculado com o cumprimento do DIH. Segundo Gabriel, o fato de o comitê ser guardião desses direitos faz com que a instituição siga com empenho o que está escrito.  “Nossa instituição tem muito claro que todos têm o direito ser identificados depois do falecimento e isso inclui aqueles que faleceram no campo de batalha.”

Um dos graves problemas que o PPH encontrou foi a resistência de alguns setores da sociedade que preferiam que os corpos não fossem analisados, já que essa ação poderia mexer com algum sentimento familiar ou até mesmo nacional. Valladares afirma entender esses grupos, mas foca na missão do CICV. “entendo que possa existir opiniões divergentes em relação a esse trabalho, mas nos alegra saber que será possível devolver a identidade a muitos dos soldados não identificados e, com isso, dar respostas a uma grande parte dos familiares que esperaram por mais de trinta anos.

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Independente de 83% do financiamento do grupo ser por parte dos países parte da Convenção de Genebra, a crise econômica argentina e o Brexit não influenciaram o desenvolvimento do projeto. Filipe Tomé de Carvalho, chefe-adjunto da delegação do CICV afirmou que as economias complicadas de ambos não afetaram o projeto, já que o comitê e independente economicamente e não precisa utilizar obrigatoriamente os recursos que esses países doaram nesta ação.

Visto como um caso de sucesso, o Plano do Projeto Humanitário Falkland/Malvinas conseguiu com apoio de 14 pesquisadores e atingiu resultados expressivos, já que obteve sucesso em reconectar de alguma maneira os soldados mortos com suas famílias.

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Nicola Ferreira – Fala!Cásper

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