Os campeonatos estaduais e sua importância para os clubes menores
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Os campeonatos estaduais e sua importância para os clubes menores

Os campeonatos estaduais e sua importância para os clubes menores

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Muitos se perguntam: “Por que ainda existem os campeonatos estaduais?”, “Eles trazem beneficiações?”. Para os clubes menores, têm uma importância imensa

Quando começa a se pensar nos campeonatos estaduais, muitos se perguntam o porquê de ainda existirem e quais são as beneficiações que trazem. Quando são problematizados, têm como principal discussão o calendário de jogos, justificando que as datas estão cada vez mais restritas. 

Na situação da metropolização em que o futebol se encontra, os resultados, as classificações, os campeões e os telespectadores nas partidas são lacunas para perceber que uma margem muito grande de desiquilíbrio pode ser discutida. À medida que a indústria do futebol vai se sofisticando e movendo valores altíssimos, potências estaduais tendem a se formar, prejudicando ainda mais nos contextos locais.

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O dinheiro, constantemente, fala mais alto do que o próprio aproveitamento. | Foto: Shutterstock.

Por que os campeonatos estaduais perdem sua importância?

O que acontece ano a ano é que os estaduais vão perdendo a sua importância pela recorrente realidade financeira. Não existe atração por grande parte dos que acompanham futebol em assistir a times do interior, o que interessa é apenas a rivalidade dos maiores.

O modelo atual do campeonato está se esvaecendo em nome de uma elitização que agrada os clubes mais populares, mas que, na realidade, o interesse genuíno pelo esporte está sendo desarranjado. 

Não é por acaso que as competições centenárias tenham muita importância no desenvolvimento do futebol brasileiro. No começo do século XX, surgiram ligas de norte ao sul do país, sendo por muitas décadas o torneio “mundial” de cada cidade, uma representação para os amantes de futebol e a formatação do esporte nas localidades. 

E quem, de fato, se interessa?

Para os pequenos, o estadual é o momento no ano em que eles têm visibilidade, jogadores têm oportunidade de mostrar desempenho e, quem sabe, ser contratados por um grande. Pode-se perceber que esses campeonatos estaduais, no Brasil, e os locais que são regionalizados, como na Inglaterra, são de suma importância para os competidores amadores. 

Uma breve comparação pode dizer muita coisa sobre o futebol brasileiro dentro dos estaduais. A exemplo do futebol inglês, que tem diversas divisões, os times que estão abaixo dos maiores são beneficiados por conseguirem mostrar seu futebol e tentarem alcançar um nível mais alto na pirâmide do futebol nacional, enquanto, no Brasil, existem, no máximo, quatro divisões.

Na sexta divisão inglesa, os atletas não precisam contar com tamanho profissionalismo, o objetivo é terem chances de se destacarem e o clube se manter “saudável”, tendo estabilidade para chegar a um patamar maior do que se encontra. 

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Bangu, o campeão carioca de 1966 – 3 a 0 no Flamengo. | Foto: Agência O Globo.

O último pequeno time campeão carioca foi o Bangu, em 1966. Posteriormente, o mais próximo da conquista foi o Americano, em 2002, e o Volta Redonda, em 2005, ambos conseguindo o vice-campeonato.

Uma reformulação para que pequenos consigam ter mais possibilidades dentro das competições contaria com maiores divisões inferiores regionalizadas e, assim, vários campeões conseguiriam alcançar uma divisão acima, como o caso do time inglês Cardiff City Football Club.

O time do sul do País de Gales conseguiu acesso para a primeira divisão depois de ter a primeira disputa da liga nacional galesa, onde caminhou da quarta divisão para a conquista da Championship e acesso à Premier League. 

Confederações como colaboradores

Além de ter estádios, clubes, espaço e torcida disponível para tornar o futebol brasileiro mais diverso, é fundamental ter uma confederação para manter e dar apoio, não apenas investir em ações que sairão maiores do que são, mas contribuir para o crescimento justo dos times.

Como aconteceu recentemente, o detrimento das emissoras televisivas não pode ser mão única para as equipes, a CBF e as Federações Estaduais necessitam cumprir o papel de auxílio. 

Critérios que rondam o esporte, muitas vezes, privilegiam os maiores, como o adiantamento financeiro que a CBF propôs apenas para a Série A (R$100 milhões de reais) e para a Série B (R$15 milhões de reais) do Campeonato Brasileiro, ou seja, muitas vezes, a própria política degrada em certo grau os times pequenos.

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É a partir da base que o aprimoramento se eleva. | Foto: Reprodução.

O desenvolvimento do futebol em cidades menores oferece jogos para uma maior camada popular e fortalece o esporte a partir da base, com a chance de grandes estrelas do elenco se destacarem.

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Por Ana Lúcia Bertolino Muneratti – Fala! Cásper

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