Opinião: Vacina, cloroquina e o místico distanciamento na pandemia
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Opinião: Vacina, cloroquina e o místico distanciamento na pandemia

Opinião: Vacina, cloroquina e o místico distanciamento na pandemia

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O mito dos antivacinas tornou-se mais evidente durante o período de pandemia. Há muito tempo, questões da medicina não eram assuntos para a população discutir, era simplesmente algo que era como um senso comum e pouco discutido pelos mais leigos. Hoje? Hoje, a mesa de bar virtual, embora em muitos casos esteja sendo, contra recomendações, presencial, é o local para discussão sobre qual remédio ou qual vacina deve-se ou não ter credibilidade para ser medicado.

Democratização e inclusão à medicina? Não acredito. 

A forma mais superficial de adquirir informações e passá-las para frente tornou o Brasil um celeiro de muitos discursos e pouquíssima credibilidade imposta. 

pandemia
Vacina, cloroquina e o distanciamento são os temas mais abordados na pandemia. | Foto: Reprodução.

Aos que acompanham os charlatões de gogós extensos, assemelham-se muito aos companheiros de Hernan Cortes ao proferir ao imperador Moctezuma II:  “Viemos em paz em nome do Reino da Espanha”. No fundo, todos sabem que as palavras são belas, mas a credibilidade é pífia.

Seguindo tal linha de raciocínio, inúmeros Messias mostraram saber a resposta para tal situação pandêmica. Seja ela em um remédio sem comprovação científica; em aglomerações para cultos e ritos em momentos de necessário distanciamento; ou seja ela em o bom e velho positivismo imposto nas músicas do sambista Zeca Pagodinho, afinal, o brasileiro sabe deixar a vida o levar. 

Agora, se o Dicionário de Oxford for premiar a palavra do ano, em “distanciamento” nós temos um fortíssimo concorrente. Todos concordamos que foi uma das palavras mais ditas e menos utilizada durante esses cinco meses de estado de pandemia.

“Stay a home”, belíssima expressão, não? Não.

Ótima expressão para aquela parcela da população brasileira e mundial que normalmente é vista apenas em telas de 15x8cm ou de 42′. Afinal, ao sair das redes sociais, quem assume a postura? O narciso que aconselhou a permanência em casa, permaneceu? Ou a corridinha na praia longe dos stories aconteceu? Ou aquela reuniãozinha com os colegas de faculdade rolou? Ou melhor de tudo, aquela live para incentivar a ficar em casa aconteceu com sua bela e profissional equipe de 30 funcionários?

Enfim, nem infectologista, muito menos economista. A questão saúde X economia é assunto para outrora.

A falta de planejamento colocou, mais uma vez, em amostra a incompetência e despreparo de nossos governantes.

A pandemia vai acabar, e irá ser interessante noticiar as posturas quando não se tem o medo de um vírus letal batendo em sua porta (ainda). 

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Por Luiz Eduardo Alcântara de Paula Souza – Fala! UFPR

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