Opinião - redes sociais e saúde mental: aliadas ou inimigas?
Menu & Busca
Opinião – redes sociais e saúde mental: aliadas ou inimigas?

Opinião – redes sociais e saúde mental: aliadas ou inimigas?

Home > Lifestyle > Opinião – redes sociais e saúde mental: aliadas ou inimigas?

Os aplicativos de redes sociais estão presentes na grande maioria dos smartphones. Passar horas rolando os feeds já é um hábito que faz parte da rotina da maioria dos indivíduos. Porém, como será que essa atitude afeta a saúde mental dos usuários?

redes sociais
Entenda como as redes sociais podem prejudicar a saúde mental. | Foto: Reprodução.

Instagram, Facebook e Twitter, apesar de terem nomes diferentes, foram construídos com o mesmo propósito: conectar pessoas. Segundo o relatório Digital 2021, produzido pelas empresas norte-americanas de dados Hootsuite e We Are Social, existem 4,20 bilhões de usuários de mídia social em todo o mundo, um número equivalente a mais de 53% da população mundial. É difícil encontrar alguém que nunca tenha criado um perfil nas redes.

Durante a pandemia, eu fiquei dependente da internet para estudar a distância e para trabalhar, pois eu utilizo as redes sociais para me comunicar com colegas de sala e do estágio. Além disso, as redes sociais me ajudam a ter acesso às informações mais rápido, principalmente a respeito da Covid-19.

Ariane Horikawa, 19 anos, estudante universitária.

Impactos das redes sociais

De fato, as mídias sociais oferecem benefícios. Isso ficou claro, principalmente, durante o período da pandemia da Covid-19, no qual a população aderiu ao isolamento social e passou a usar as redes como uma alternativa para as rotinas que exigiam contato presencial, por exemplo, para manter interações com familiares e amigos, para ter aulas on-line e para home office.

O problema surge com o uso excessivo das mídias, que passam a desencadear efeitos nocivos à saúde humana. Segundo Claudia Cristina Di Nardi, 45 anos, psicóloga clínica e hospitalar, “o uso excessivo das redes sociais pode trazer uma falsa sensação de preenchimento de carências, vazios e sentimento de solidão ao ponto de adoecer psiquicamente as pessoas”. 

Consequências do uso desenfreado

O vício nas mídias sociais é visto a partir de alterações no comportamento do indivíduo. Compromissos do cotidiano, como trabalho, estudo, lazer e alimentação, ficam em segundo plano, a prioridade é estar conectado. É caracterizado pela necessidade incontrolável de acessar sites e aplicativos a todo o momento. Além disso, um grande sintoma do vício é o desejo constante de postar fotos, vídeos e outras publicações para ganhar curtidas e comentários.

O botão de curtir é um grande inimigo para a saúde mental dos usuários. No ambiente virtual, foi criada a ideia que a quantidade de curtidas está relacionada com aprovação e popularidade. Nessa lógica, quem tem mais curtidas ou seguidores no perfil é “melhor” ou “mais atraente”. Receber um simples clique em “curtir” consegue fazer com que o cérebro libere endorfinas – substâncias químicas que estimulam a sensação de bem-estar –, o feedback positivo em sua postagem, desperta autoconfiança e alimenta o ego do usuário: é aqui que o vício pode começar.

O vício em redes sociais é uma condição psíquica que necessita de auxílio psiquiátrico e psicológico, na qual se o acesso às mídias não é possível, a pessoa experimenta sensação de grande ansiedade e frustração.

Complementa Cláudia Di Nardi.

O filme O Dilema das Redes, disponível na Netflix, retrata como o uso desenfreado das redes sociais afeta a vida do ser humano. Uma família norte-americana enfrenta as consequências desse problema: não conversa direito mais, os filhos não vivem sem os celulares nas mãos e a filha mais jovem chora por comentários negativos em sua publicação. O Dilema das Redes é uma representação cinematográfica de uma realidade existente em diversas famílias espalhadas pelo mundo inteiro. É um filme que atua como um sinal de alerta para que a sociedade preste atenção na forma que utiliza as mídias sociais. “As redes são sedutoras e perigosas. Quando mal usadas, chegam a prejudicar a vida pessoal e social do indivíduo”, afirma a psicóloga.

O “perfeito” nas mídias

A “perfeição” disseminada pelas mídias impacta diretamente na saúde mental dos seres humanos, que tentam atingir padrões estéticos mostrados em imagens que, muitas vezes, passaram por programas de edição e foram distorcidas. De uma maneira geral, tudo é aumentado no mundo virtual, principalmente, as pressões pelos padrões de estilo de vida e estéticos. A frustração surge da comparação, os usuários sentem que todos ao redor possuem uma vida perfeita e que apenas eles estão lidando com problemas.

A ONG inglesa Girlguiding fez um estudo com mais de mil garotas entre 11 e 21 anos a respeito da relação com as redes sociais. Uma em cada três afirmou que sua maior preocupação era comparar a sua vida com a de outras pessoas por meio das redes sociais. Cláudia conclui: “o problema é que as pessoas tentam tornar real um mundo criado artificialmente”. Esse hábito estimula uma competição entre os conectados e transforma as redes sociais em um ambiente nocivo.

A busca pela “perfeição” desperta ansiedade e estresse, visto que, é necessário estar sempre seguindo padrões inalcançáveis. O sentimento de não ser aceito na internet pode afetar a qualidade de vida e gerar doenças mentais, entre elas, a depressão, que tem como sintomas: baixa autoestima, irritabilidade, desesperança, apatia, entre outros.

É inegável que as redes sociais trouxeram vantagens, porém, se utilizadas de maneira errada, podem desencadear consequências para a saúde mental. Dessa maneira, os usuários devem ficar atentos para que façam um uso saudável das mídias. E, para isso, a psicóloga aconselha: “é importante que nós saibamos identificar nossas demandas emocionais para que não nos tornemos meros fantoches de vidas irreais. É necessário manter em equilíbrio a vida social e também a virtual”. Confira, abaixo, quatro iniciativas que você pode tomar para melhorar a sua relação com as redes:

Como melhorar sua relação com as redes sociais

1) Comece desativando as notificações

Quantas vezes você já não perdeu a concentração em algo que estava fazendo só para ir checar uma notificação que chegou ao seu smartphone? Os seus aplicativos estão disputando a sua atenção a todo instante. O primeiro passo é desativar as notificações de aplicativos que não são tão importantes para você conseguir se libertar do hábito constante de pegar o celular. Além disso, tente estabelecer um horário para mexer nas redes sociais, não deixe que elas tomem a maior parte do seu tempo. 

2) Atividades sem conexão à internet são importantes

Olhe para o mundo ao seu redor, aproveite a presença dos seus familiares e amigos, pratique algum esporte, brinque com o seu animal de estimação. As redes sociais podem esperar. Não se sinta obrigado a estar conectado a todo o momento.

3) O número de curtidas ou de seguidores não importa

A necessidade de aceitação nas redes sociais é um dos motivos pelo qual a saúde mental dos seus usuários está sendo prejudicada. Muitos competem em quantidade de curtidas ou de seguidores. Porém, isso não define quem você é ou quantas pessoas gostam de você, é apenas um número.

4) A vida nas redes sociais passa por programas de edição

Procure não se comparar com as outras pessoas nas redes sociais. Ninguém é “perfeito” como aquilo que é mostrado no feed do Instagram, todos têm defeitos e passam por momentos difíceis. Não se esqueça de que muitas publicações são editadas, não somente com filtros, mas também com outros programas de edição. Cuide da sua saúde mental!

________________________
Por Juliany Rodrigues – Fala! Cásper

Tags mais acessadas