Opinião: Por que Bolsonaro ainda não sofreu impeachment?
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Opinião: Por que Bolsonaro ainda não sofreu impeachment?

Opinião: Por que Bolsonaro ainda não sofreu impeachment?

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A confirmação da vitória de Jair Bolsonaro nas urnas, em 2018 resultou em uma resposta rápida de alguns partidos, que deram um tom de oposição imediato ao presidente recém-eleito. Em um ano e sete meses do novo governo, 48 pedidos de abertura de processos de impeachment contra Bolsonaro já foram enviados a Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados. Dessas solicitações, 41 foram enviadas desde o início da pandemia do novo coronavírus. Então, surge a dúvida por que ainda não foi instaurado um processo de impeachment?

posse Bolsonaro
Bolsonaro e esposa em sua posse. | Foto: Reprodução.

Desde a época da campanha eleitoral, Jair Bolsonaro demonstrou falas provocativas e afrontosas, algo bem parecido com o que fez durante os 28 anos em que foi Deputado Federal. Durante as eleições, a oposição se debruçou nesse jeito do até então candidato. Apesar de todos os esforços, Bolsonaro foi eleito contra seu maior “rival”, o Partidos dos Trabalhadores (PT), alvo de fortes acusações pelo ex-parlamentar durante os últimos anos.

Por que Bolsonaro ainda não sofreu impeachment?

2019 – Primeiro ano do mandato

A chegada ao Palácio da Alvorada, residência da presidência da república, não trouxe mudanças inicias nas atitudes de Bolsonaro. O primeiro ano de mandato já foi marcado por “temperaturas altas” na Praça dos Três Poderes. Isso porque o Presidente não conseguiu instaurar uma boa relação com os poderes Legislativo e Judiciário. 

Além dessa questão, problemas com o seu antigo partido, PSL, investigação contra seus filhos e, principalmente, falas polêmicas fizeram com que o primeiro ano de Bolsonaro tivesse um saldo negativo, mesmo com algumas conquistas para o governo, como a aprovação da Reforma da Previdência. O ex-deputado federal terminou 2019 com 5 ações contra seu mandato presidencial.

2020 – O ano da crise “perfeita”; saúde, política e economia

Em 2020, até março, apenas 2 solicitações foram encaminhadas à Presidência da Câmara. Essa realidade, entretanto, mudou com a chegada da pandemia do coronavírus. Desde o início da crise da saúde no país, Bolsonaro passou por algumas polêmicas. Falas como “gripezinha” se referindo à Covid-19, troca de ministros da Saúde, saída polêmica do ministro da Justiça e Segurança Publica, Sergio Moro, desrespeito às recomendações de cientistas e apoio à atos antidemocráticos trouxeram ainda mais instabilidade ao governo.

Apesar dessa soma de fatores, Bolsonaro ainda mantém aglutinado um bom número de apoiadores no Congresso. Essa base, que se beneficiou na onda bolsonarista em 2018, defende o presidente independente de seus atos e traz uma certa segurança.

Bolsonaro e manifestantes
Bolsonaro e manifestantes. | Foto: Reprodução.

A crise pandêmica também beneficia Bolsonaro de certa forma. Uma possível abertura de processo de impeachment tiraria o foco no combate ao coronavírus e aumentaria ainda mais o clima da política nacional.

Nas últimas semanas, no entanto, é visível a tentativa do presidente de dar um tom mais moderado a suas ações. Essa mudança de atitude começou após a prisão de Fabrício Queiroz, amigo íntimo de Bolsonaro e investigado no inquérito de esquema de rachadinha, que tem como alvo Flávio Bolsonaro, quando ainda era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Jair Bolsonaro tenta aumentar sua base. O presidente já vem ensaiando uma aproximação com o chamado “Centrão” por meio da disponibilização de cargos público – algo duramente criticado por ele na corrida eleitoral de 2018. A nomeação de Renata D’aguiar para a diretoria do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) é um exemplo dessa nova postura do governo. Nas últimas eleições, ela foi candidata à deputada distrital pelo PP do Distrito Federal.

Fato é que a abertura de um processo de impeachment contra Bolsonaro depende de suas ações nos próximos meses. O plano de recuperação do país pós-pandemia será um ponto-chave para esse quebra-cabeça político que perdura em Brasília.

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Por Lucas Soares – Fala! UFRJ

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