Opinião: Impactos dos atos pró-governo, 10 dias depois
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Opinião: Impactos dos atos pró-governo, 10 dias depois

Opinião: Impactos dos atos pró-governo, 10 dias depois

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As manifestações que aconteceram no dia 15 de março em apoio ao governo de Jair Bolsonaro aconteceram em meio a um momento de tensões na economia e de fragilidade na saúde devido ao novo coronavírus.

Hoje (25), faz 10 dias que os atos pró-governo aconteceram. Os atos ocorreram, pacificamente, em ao menos 11 capitais do Brasil e cidades do interior, mesmo com as recomendações de autoridades da saúde para evitar grandes aglomerações. As principais reivindicações feitas foram anti-democráticas e inconstitucionais, entre elas, intervenção militar, fechamento do congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal) e a volta do AI-5. 

Havia escritos nas faixas de manifestantes como: “Congresso e STF matam mais que coronavírus”, “Canalhas Vírus: Congresso Nacional”, “Fora Rodrigo Maia e companhia.” E, em Goiânia, onde o governador proibiu o uso do carro de som local, os manifestantes caminharam gritando “Fora Maia e Alcolumbre”

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Dias antes do ato, o apoio de Bolsonaro às manifestações em um vídeo compartilhado por ele em seu WhatsApp, já havia repercutido de forma negativa. No entanto, mesmo a favor da manifestação, o presidente afirmou que, diante do cenário, o ato deveria ser repensado. E ainda ressaltou que não se podia colocar em risco a saúde da população.

Entretanto, Bolsonaro compartilhou vídeos das manifestações no seu perfil, em uma rede social. Além disso, em Brasília, o presidente fez uma live, em que cumprimentava apoiadores com apertos de mão e fazia selfies em frente do Palácio do Planalto, desrespeitando  recomendações das autoridades de saúde, inclusive do seu próprio ministro da saúde, Luís Henrique Mandetta.

Bolsonaro havia estado há pouco tempo nos Estados Unidos e integrantes da sua comitiva haviam voltado contaminados com o coronavírus da viagem, por isso Bolsonaro fez o teste para saber se estava infectado e foi orientado a aguardar o resultado em isolamento.

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Para o governo, os atos contra o congresso nacional significaram a ampliação do isolamento político de Bolsonaro, dificultando ainda mais o diálogo com os demais poderes. E também tiveram pouco apelo politico, sendo ofuscado pelas atitudes do presidente e de manifestantes que fugiam do comportamento a ser seguido durante uma pandemia.

Com isso, Bolsonaro, que vem perdendo capital político, tenta colocar seus seguidores fiéis contra os parlamentares, refletindo a falta de jogo de cintura de seu governo até aqui.

As manifestações apenas comprovaram a aprovação de Bolsonaro em seu eleitorado já cativo, que provavelmente compareceram ao ato impulsionados por declarações do presidente como a de que existe um superdimensionamento da mídia sobre a pandemia e a de que o vírus é uma fantasia. 

Dessa forma, a repercussão dos protestos contra o congresso ficou a cargo do comportamento do presidente que recebeu críticas até de seus aliados políticos, que temiam a reação do restante do eleitorado. Assim, o fato do presidente da república ter ignorado especialistas, profissionais e autoridades da saúde, durante uma pandemia, gerou ações hostis.

A bancada do Psol na câmara denunciou Bolsonaro à OMS e à ONU, por ter banalizado a vida da população. Marcelo Freixo, parlamentar do partido, destacou, em uma rede social, a carência de leitos no SUS que não suportará um contingente grande de infectados.

Alessandro Molon  (PSB-RJ) também demonstrou repúdio a postura do presidente. O líder do PSB na câmara considerou que a atitude foi além do ataque a democracia, consistindo em uma ameaça à vida das pessoas. E acrescentou “É isso que acontece quando se governa pensando em concentrar e manter seu próprio poder.”

Já a OMS não citou o nome de nenhum país, porém, sugeriu fortemente às pessoas que não participassem de manifestações e eventos de massa como forma de conter o coronavírus. Tedros Adhanon, diretor geral da OMS, ressaltou que para combater o vírus é preciso “compromisso político do mais alto nível”, que não basta confiar o trabalho somente ao Ministério da Saúde, e que a “liderança principal” precisa dar exemplo.

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Por Camila Nascimento – Fala! Cásper

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