Opinião: Ai, esses militares - Crítica à declaração de Gilmar Mendes
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Opinião: Ai, esses militares – Crítica à declaração de Gilmar Mendes

Opinião: Ai, esses militares – Crítica à declaração de Gilmar Mendes

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Fernando Azevedo e Silva, ministro da defesa e entusiasta de golpismos “democráticos”, ficou consternado com as recentes declarações do ministro do STF, Gilmar Mendes, a respeito da participação de militares, mais especificamente do exército, no atual governo.

Mendes fez uso da hipérbole genocídio para criticar a participação desastrosa e incompetente da caserna no ministério da Saúde. À frente da pasta está um general do exército, olhe lá, da ativa, para piorar ainda mais a situação, técnicos da pasta foram substituídos por membros das forças armadas.

Em suas declarações, Gilmar faz a defesa dos militares, chamando a atenção para o imbróglio em que estão envolvidos. Sobre a atuação atrapalhada e confusa no Ministério da Saúde, disse o ministro do Supremo:

Não podemos mais tolerar essa situação que se passa no Ministério da Saúde. Não é aceitável que se tenha esse vazio. Pode até se dizer: a estratégia é tirar o protagonismo do governo federal, é atribuir a responsabilidade a estados e municípios. Se for essa a intenção, é preciso se fazer alguma coisa. Isso é péssimo para a imagem das Forças Armadas. É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. É preciso pôr fim a isso.

Gilmar Mendes
Declaração de Gilmar Mendes irrita militares. | Foto: Reprodução.

Resposta dos militares à declaração de Gilmar Mendes

Está errado? Obviamente não, entretanto, os fardados ficaram polvorosos com a afirmação de que estariam participando deliberadamente da política genocida provocada pelo bolsonarismo. Chegando ao ponto do ministro da defesa apresentar uma reclamação à Procuradoria-Geral da República contra o ministro do STF.

Fazendo uso irrisório da lei de segurança nacional e do código penal militar, Azevedo e Silva saiu em defesa das forças armadas, e com um momento efêmero pelo estado democrático de direito.

Vamos observar a nota divulgada pelo Ministério da Defesa e assinada pelos comandantes das três forças armadas, Ilques Barbosa Junior (Marinha), Edson Leal Pujol (Exército) e Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica).

O Ministro da Defesa e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica repudiam veementemente a acusação apresentada pelo senhor Gilmar Mendes, contra o Exército Brasileiro, durante evento realizado no dia 11 de julho, quando afirmou: “É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável”. Comentários dessa natureza, completamente afastados dos fatos, causam indignação. Trata-se de uma acusação grave, além de infundada, irresponsável e sobretudo leviana.

O ataque gratuito a instituições de Estado não fortalece a democracia. Genocídio é definido por lei como “a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso” (Lei nº 2.889/1956). Trata-se de um crime gravíssimo, tanto no âmbito nacional, como na justiça internacional, o que, naturalmente, é de pleno conhecimento de um jurista.

Na atual pandemia, as Forças Armadas, incluindo a Marinha, o Exército e a Força Aérea, estão completamente empenhadas justamente em preservar vidas. Informamos que o MD encaminhará representação ao Procurador-Geral da República (PGR) para a adoção das medidas cabíveis.

Nota do Ministério da Defesa em resposta à declaração de Gilmar Mendes.

Crítica à situação

O ataque gratuito a instituições de estado não fortalece a democracia. Concordo com a sua fala, ministro, porém, em que momento Gilmar Mendes atacou uma instituição de estado? Bom, os fardados saíram da caserna para fazer política, e do tipo mais abjeta possível.

Agora, alvo de críticas baseadas em fatos, fazem uso do próprio militarismo como subterfúgio para retirar o ônus de suas escolhas políticas. Qual é a indignação que vocês estão sentindo?

O que deveria causar cólera para os nossos “defensores” da ordem democrática é o fato do ministro interino da Saúde, General Eduardo Pazuello, um militar da ativa participar de uma manifestação antidemocrática, com Fernando Azevedo e Silva sobrevoando a praça dos três poderes em uma performance à Pinochet, a nota divulgada em que reconheceu o golpe militar de 31 de março de 1964 como marco para a democracia, as declarações de Augusto Heleno(Gabinete de segurança institucional) sobre consequências “imprevisíveis” e a fala do general Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) com uma “recomendação” para que não se estique a corda.

Peça perdão enquanto há tempo, ministro da defesa, e resgaste o pouco de honorabilidade constitucional que ainda existe no meio militar.

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Por Matheus Alves – Fala! Colégio Pedro II – Graduação

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