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Opinião: A onda de extrema-direita chega ao Brasil mais uma vez

Por Flávia Carolina – Fala!Anhembi


Opinião: A onda de extrema-direita chega ao Brasil mais uma vez

Com uma democracia ainda jovem, o país tende a cair mais uma vez nos braços de um governo autoritário

São trinta e três anos desde o fim do regime militar que causou um enorme impacto no país. Censuras, prisões, torturas e problemas econômicos fizeram parte do cotidiano, criando uma atmosfera lapidada pelo medo. Barreiras foram colocadas entre o povo e o congresso de forma figurativa, sem a necessidade de uma divisão visível como o Muro de Berlim. Trabalhadores, estudantes, artistas não se abalaram e lutaram até o fim pelo direito mais sutil e humano da existência: o voto direto!

Diante dos fatos históricos apresentados nos livros didáticos, nas grandes reportagens, nas memórias de quem vivenciou o quase holocausto brasileiro, é difícil parar de não pensar que sinais dos anos sombrios estão em toda parte novamente. As eleições deste ano revelaram algo que nossa jovem democracia temia e abriu caminho para discussões modernizadas do que se discutia há duas décadas. A repressão, como um espetáculo milimetricamente calculado, vem formando novos rostos, tomando novas formas, ferindo nossas duras almas.

Assim como o Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai são exemplos de países sul-americanos que vivenciaram um governo ditatorial e hoje são redemocratizados, com certo custo. Penaram duramente pelo direito de se poder escolher um candidato entre muitos para representar um só povo e, infelizmente, alguns outros vizinhos ainda presenciam uma liderança de extremo totalitarismo.

 


Pensando e estudando sobre política, Steven Levitsky e Daniel Ziblat, ambos professores da Universidade de Harvard, publicaram esse ano o livro “Como as democracias morrem”, que ganhou forma a partir de uma ampla análise sobre como Donald Trump conseguiu sua ascensão até conquistar a presidência dos Estados Unidos da América. Distribuído por aqui pela editora Zahar, o estudo tem como base os rompimentos das democracias ao longo de cem anos. Desde a chegada de Hitler e Mussolini ao poder, nos anos 1930 até o populismo surpreendente da extrema direita pela Europa nos tempos atuais, passando também pelos regimes militares na América Latina na década de 1970, os autores alertam para uma nova forma de queda de um governo popular. A escalada do autoritarismo, segundo Levitsky e Ziblat, se dá atualmente por meio do lento e constante enfraquecimento de instituições criticas (imprensa, judiciário) e a gradual extinção de normas políticas. Tais características podem ser vistas ao longo dos últimos vinte anos no nosso país, e alcançaram o ápice a partir do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Na maioria das vezes, o povo não gosta de autoritarismo e não vota em populistas. Mas, às vezes, isso acontece porque os eleitores estão bravos com o status quo, com os partidos políticos e com a classe política em geral. Um populista é alguém que basicamente promete colocar tudo isso em um saco para jogá-lo no rio. Quando eleito, ele passa a atacar as instituições democráticas. Há muitos exemplos no mundo, e o Brasil é um deles”, disse Steven Levitsky em entrevista à BBC News Brasil.

Quando perguntado a respeito de algumas afirmações sobre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) serem lados opostos de uma mesma radicalização, Levitsky responde que “[…] o PT é um partido institucionalizado, estabelecido e democrático. Nasceu em 1979 e, por quase 40 anos, jogou dentro das regras democráticas. O PT governou o Brasil por 14 anos e, se você olhar para qualquer medida de democracia, o Brasil se mantém igualmente democrático, se não mais democrático do que antes. O PT respeita a independência da Justiça e da imprensa. As eleições sempre foram livres. Se você olhar para o registro do PT no poder, verá que há muito erros, como a política fiscal e os casos de corrupção. Mas (daí a) chamar o PT de chavista, ou de autoritário…”

Levitsky, ainda em entrevista à BBC Brasil, comenta que não acha Jair Bolsonaro fascista, como dito por muitos durante a campanha, mas pensa que ele é claramente autoritário.

As ações do recém eleito presidente, Bolsonaro, ainda geram dúvidas e vivem com bases em especulações populares, estudos acadêmicos e pesquisas científico-políticas. No entanto, sua vitória após muitos discursos polêmicos e, até mesmo de cunho preconceituoso, geram um enorme impacto sobre a sociedade daqui pra frente.

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