O mundo seria melhor se refletisse sobre "responsabilidade afetiva"
Menu & Busca
O mundo seria melhor se refletisse sobre “responsabilidade afetiva”

O mundo seria melhor se refletisse sobre “responsabilidade afetiva”

Home > Lifestyle > Saúde > O mundo seria melhor se refletisse sobre “responsabilidade afetiva”

Quando pensamos em “responsabilidade afetiva” é inegável que está presente no cotidiano de todas as pessoas. Embora possa parecer injusto carregar o peso de ser responsável pelo que o outro sente, tal acontecimento é inevitável.

Diversas vezes passaremos por situações onde enfrentaremos essa responsabilidade e é necessário, por uma questão de empatia, entender sobre esse dever e agir de forma com que a situação seja resolvida do melhor jeito, evitando, desde o princípio, a mágoa.

Esse interesse por refletir está presente em todos os tipos de relações e é essencial compreender que, querendo ou não, a responsabilidade existe e você terá que enfrentá-la diversas vezes.

Sendo assim, cada pessoa deve reconhecer seu dever e desenvolver uma consciência tanto sobre os seus sentimentos, quanto sobre os sentimentos alheios. 

responsabilidade afetiva
A responsabilidade afetiva é essencial. | Foto: Reprodução.

Questão familiar

No âmbito familiar, utilizarei a forma de educação que os pais dão aos seus filhos, entretanto, é importante ressaltar que qualquer relação entre parentes pode ser enquadrada neste caso. 

Quando eles não têm consciência da responsabilidade que carregam, podem criar seus filhos de forma muito rígida, distante e fechada, não se importando completamente com os sentimentos deles, apenas com os próprios.

É claro que, na maioria das vezes, tal desinteresse acontece de forma inconsciente, afinal, os genitores não sabem do tamanho da influência que têm sobre os sentimentos alheios. Contudo, isso não tira o fato de que causa um impacto enorme na vida dos filhos.

O amor materno-paternal é inegável e, é claro que cada um cuida e educa da forma que acha mais correta, entretanto, ao decidir ser rigoroso a maior parte do tempo, não dando liberdade para que filhos expressem seus sentimentos e compartilhem acontecimentos pessoais, os pais acabam afastando-os, criando uma relação distante, sem completa confiança por parte do filho.

Mas como isso impacta na vida da pessoa? A resposta é que, provavelmente, por causa de tal relação distante, a pessoa poderá ter uma série de problemas emocionais e psicológicos no futuro.

O que está em jogo é o equilíbrio emocional e, quanto mais cedo os criadores perceberem que têm uma responsabilidade afetiva enorme na vida de seus herdeiros, melhor será a relação entre pais e filhos.

Afinal, é certo que todos querem o melhor para seu filho, sendo assim, é muito mais inteligente e saudável criar uma relação de carinho, confiança, abertura e companheirismo, do que de completa rigidez e repressão. 

Responsabilidade afetiva em relacionamentos

Neste caso, abordarei tanto relações entre amigos, quanto em namorados ou possíveis futuros namorados.

No livro O Pequeno Príncipe, a raposa fala uma frase que será extremamente essencial para a compreensão da responsabilidade neste âmbito.

Ela diz: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. A citação é relativamente fácil de ser interpretada e, ao ser enquadrada no assunto debatido, temos uma noção de que, sim, somos responsáveis pelo que fazemos o outro sentir. Tal “peso” tem que ser aceito e compreendido, para que, assim, problemas sejam evitados.

A forma mais simples e efetiva de lidar com essa situação é com o diálogo, comunicação, afinal, para que haja uma evolução de pensamento e atitudes, é necessário ser empático e deixar sempre claro suas intenções com o outro.

Erros de interpretação sobre o que a outra pessoa fala são comuns pelo fato de que nem sempre elas se expressam de forma direta e fácil de ser compreendida. Neste caso, o diálogo simples e sincero é essencial, importante notar que, ao ser verdadeiro 100% do tempo, deixamos claro as nossas intenções, não criando espaço para as outras pessoas criarem expectativas irreais e acabarem se iludindo.

Entretanto, caso a pessoa crie expectativa, é necessário agir da forma mais sutil e simples, conversando, compreendendo a dor do outro, refletindo sobre sua responsabilidade e prestando apoio. Ao invés de cortar completamente a conversa e relações, escute o que o outro sente e tem para falar, para que, assim, possa decidir algo que conforte ambos.

É importante ressaltar que erros por falta de comunicação são normais, neste caso, uma boa reflexão sobre seus interesses e “abrir o jogo” com o próximo são atitudes essenciais, por mais difícil que seja.

empatia
A empatia faz parte da responsabilidade afetiva. | Foto: Reprodução.

Auto responsabilidade afetiva

Em relação à responsabilidade sobre si mesmo, é preciso entender que está relacionado com autoconhecimento e amor próprio. Para que haja uma realização de tal responsabilidade é necessário, antes de entrar em um relacionamento amoroso, se perguntar: “Será que estou preparado? Será que tenho uma maturidade emocional suficiente para isso?”. 

A importância dessas perguntas está no fato de que, caso a autossuficiência não exista, a pessoa entrará no relacionamento e se tornará um dependente emocional. O problema é que não existe um relacionamento saudável onde há dependência, logo, será uma experiência ruim onde ambos se machucarão.

Sendo assim, é necessário ser justo consigo mesmo, se conhecer, criar uma independência e amor próprio, ter conversas francas e sempre seguir seu próprio tempo, sem apressar as coisas.

A pergunta da manchete

A questão é: por que penso que o mundo seria melhor caso todos entendessem, nem que minimamente, sobre responsabilidade afetiva? Isso se dá pelo fato de que o assunto está ligado com empatia.

A questão é sobre entender que, querendo ou não, fazemos parte dos sentimentos de outras pessoas e que devemos pensar mais nos outros, não sendo egoístas. Além disso, assumindo tal responsabilidade, percebemos a importância da comunicação e conversa dentro de relações. 

Logo, na minha percepção, podemos aprender muito sobre nós mesmos e conseguiremos evoluir como seres humanos ao compreender sobre a inevitável responsabilidade afetiva.

_________________________________
Por Felipe Sapia Zocolotti – Fala! Cásper

Tags mais acessadas