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O Futuro do Mercado de Trabalho Está Comprometido

O Futuro do Mercado de Trabalho Está Comprometido

Em ‘Tempos Modernos’, Charlie Chaplin interpreta um operário de uma fábrica que tenta sobreviver em um mundo dominado pelas máquinas. O filme é uma alusão ao modelo de produção taylorista-fordista, que passou a controlar o expediente, os corpos e os gestos dos trabalhadores.

80 anos depois, o mercado de trabalho vive outro ápice. Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), argumenta que estamos vivendo nesse momento uma Quarta Revolução Industrial. “Essa revolução está transformando a forma como consumimos e nos relacionamos”, afirma o especialista.

Ganz Lucio é cético com relação as mudanças no mercado de trabalho, e aponta para os resultados negativos dessas transformações – Foto: Augusto Oliveira/OBORÉ

As tecnologias, ao longo da história, foram responsáveis por moldar as relações humanas e o mercado de trabalho. A Revolução Industrial na Inglaterra, por exemplo, propiciou a migração da produção artesanal para o maquinário industrial. Já a Segunda Revolução Industrial, no século XIX, introduziu a energia elétrica e o uso de petróleo.

Na segunda metade do século XX, o desenvolvimento dos computadores marcou a entrada da Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução da informação. Para o sociólogo Manuel Castells, a principal característica dessa era é a sua penetrabilidade.

Já a Quarta Revolução Industrial representa um paradigma para a organização do trabalho. “Até então, as Revoluções Industriais alteraram os padrões produtivos da economia; havia uma mudança na base industrial. Com a Quarta Revolução Industrial, a mudança acontece no interior da prestação de serviços”, ressalta Ganz Lúcio, também professor e sociólogo.

Hoje, com a internet e os smartphones, a tecnologia abrange todas as esferas da sociedade. A partir dessa informatização, despontaram modalidades de trabalho como o home office. Segundo o censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 23% dos brasileiros trabalhavam em home office durante parte da semana.

As políticas de home office tornaram-se uma opção viável para muitas empresas – (Foto: deldevries/Flickr)

Outra categoria é o de profissionais MEI (Microempreendedor Individual), contratados para prestarem um serviço. Nesse caso, não possuem previdência social, 13º salário, férias ou FGTS. O sociólogo expõe que a figura jurídica do MEI foi criada apenas para isentar as empresas de pagarem tributos fiscais. “Essas engenhocas estão mudando o mundo do trabalho. E esse é o novo modo das relações laborais daqui para a frente”, indica o especialista com pesar.

Uma pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) apontou que metade de todos os empregos atuais provavelmente serão automatizados no futuro. “Não é um equipamento produzido pela indústria que vai afetar a vida do profissional; é o equipamento substituindo a vida desse profissional, e reorganizando o trabalho por meio da tecnologia”, declara o professor.

Nesse cenário, nenhum trabalhador executará suas atividades laborais sem a assistência de uma máquina – Foto: Divulgação

Outra corrente de pensamento argumenta que já estamos vivendo uma Quinta Revolução Industrial. Pela primeira vez na história, duas revoluções industriais estariam ocorrendo concomitantemente. “Ela muda o padrão para uma situação na qual as máquinas adquirem a capacidade de ultrapassar as nossas habilidades e capacidades humanas de trabalhar”, revela o Ganz Lucio.

Sobre essas mudanças profundas nas relações de trabalho, o diretor técnico do DIEESE faz uma análise angustiante. “Isso vai gerar ansiedade, estresse, e uma insegurança atroz”, conclui.

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Por Matheus Menezes – Fala! Anhembi

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