A comunidade budista brasileira
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Junto à imigração japonesa, vieram sua cultura e religião, marcando o início do budismo no Brasil

A história do Budismo tem suas origens conhecidas por muitos. Ele nasce com esse nome, na Índia, há aproximadamente 2.600 anos, quando Sidarta Gautama, príncipe da região que hoje conhecemos como Nepal, abandona sua vida na realeza ao perceber o sofrimento das pessoas de fora dos castelos e dedica-se a encontrar a origem e solução para as aflições humanas.

Conhecido como Buda, esse nome refere-se ao príncipe como “aquele que acordou”, “o iluminado”. E, assim, são budas todas aquelas pessoas que conseguem, tal qual Gautama o fez, atingir o nível máximo de autoconhecimento: o desabrochar da consciência, a paz e a iluminação, o Nirvana.

Budismo
Budismo. | Foto: Reprodução.

Fatos sobre o Budismo no Brasil

Em nosso país, a filosofia budista chega com os imigrantes japoneses, em 1908, que vieram ao Brasil procurando se afastar da realidade de crises em seu país de origem. Nesse momento, a religião conservava suas tradições culturais e mantinha-se, aqui, em funcionamento restrito aos imigrantes asiáticos. Foi na década de cinquenta, junto a outras manifestações do budismo no Ocidente, que o Brasil desenvolveu o seu auge na adesão da filosofia.

Antes disso, para chegar aos japoneses, o Budismo percorreu o Oriente, se expandindo para diversas regiões. Foi o caso da China, que se tornou praticamente budista, favorecendo esse intercâmbio entre indianos e chineses e desenvolvendo outras práticas da doutrina. Um exemplo é a escola de Zen, muito difundida entre praticantes do Budismo, que traz como o essencial para alcançar os valores da filosofia, a prática da meditação, acima ainda das liturgias e textos.

Esses outros “budismos”, como assim alguns preferem nomear, surgiram após a morte de Sidarta Gautama, com a decisão de concílios a ramificar os ensinamentos de Buda. Coexistiram, então, as linhas “Mahayana”, do Norte da Ásia, e o atual “Theravada”, existente majoritariamente no Sul, em minoria em relação à primeira. De cada uma destas, surgiram ainda outras linhas de pensamento.

Estima-se que hoje, no Brasil, existam 250.000 adeptos do budismo e, na cidade de São Paulo, 250 templos. A maior concentração de budistas na cidade está no bairro da Liberdade, criado para abranger a cultura japonesa. É curioso, também, o fato de que muitos adeptos preferem que as reuniões sejam feitas nas casas uns dos outros, valorizando a cultura do diálogo mais próximo entre membros e dispensando a obrigatoriedade de templos para cultos e propagação da filosofia.

Outro fato da cultura budista no Brasil, diz respeito à difusão dela entre pessoas até mesmo de outras culturas. Hoje, diferente da época em que a filosofia chegou ao Brasil, integrantes afirmam que existem muito mais budistas de nacionalidade brasileira à japonesa, o que mostra que o que antes era um budismo “fechado”, passou a ser muito mais incluído no cotidiano de adeptos brasileiros.

Uma questão interessante ao falarmos no Budismo é a absorção das características dos países em que passa. Monja Coen, a primeira monja de ascendência não-japonesa a assumir a Presidência da Federação das Seitas Budistas do Brasil, busca, em seus vídeos, explicar as adaptações a cada país em que se insere a religião.

No Brasil, de acordo com ela, um exemplo são as comidas nos mosteiros: como a cultura no geral é de trazer as refeições do dia a dia, em nosso país, o costume é do básico arroz com feijão, ou pão com manteiga para os cafés da manhã. É diferente da França, por exemplo, onde o vinho é indispensável junto à alimentação.

Monja Coen budismo
Monja Coen traz, em seu canal do YouTube, os principais valores seus e de Buda. | Foto: Reprodução/Hypeness.

Outro exemplo dessas adaptações, são as roupas. Na Índia, de clima quente, é comum associarmos a imagem de monges budistas aos Sarees (ou Sáris), as tradicionais vestes com nós nos ombros. Já na China e no Japão, frios, são utilizados mais rebuscados tecidos, vestes muito utilizadas no Brasil também, mesmo com o clima quente.

Monja Coen ainda conta o caso em que Dalai Lama esteve no Brasil e questionou-se do porquê não haver adaptações quanto às roupas para o país, valorizando mais a filosofia e menos suas aparências.

Dalai Lama
Dalai Lama. | Foto: Reprodução.

Ainda que muitas adaptações sejam feitas e as correntes do pensamento budista sejam inúmeras ao redor do mundo, a essência de Buda permanece a mesma e, mais do que as vestes e templos maravilhosos por onde passou, o Budismo é uma das maiores doutrinas filosóficas por buscar, acima de tudo, o fim do sofrimento humano.

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Por Juliana Kopp – Fala! UFU

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