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É hora de falar sobre Neymar

Por Vitor Risso – Fala!Cásper

É unanimidade que Neymar é um craque de nível mundial. Técnico e veloz, é capaz de deixar qualquer apreciador da bola maravilhado com seus lances. Arrancadas, chapéus, canetas, passes de qualidade, arremates com ambas as pernas, visão de jogo, excelente preparo físico; enfim, o maior jogador brasileiro da atualidade é um atleta completo.

Apesar de tudo isto, Neymar, ao que parece, ainda é atrapalhado por alguns comportamentos que persistem desde o início de sua carreira. O temperamento, muitas vezes esquentado, resulta sempre em excessos de cartões amarelos e os esporádicos cartões vermelhos. Além do mais, quem nunca se irritou quando o craque insiste em prender demais a bola e não a toca para seus companheiros? Frases como “solta a bola Neymar”, “Neymar é muito fominha”, são frequentes. Por fim, não são necessárias mais linhas para discorrer sobre as suas constantes simulações de falta, ou exagero nas reações quando as sofre.


Na copa de 2018, Neymar foi tanto ator, como jogador. Gritou, encenou, fingiu e chorou. Seu desempenho foi pífio perto do esperado por nós. Tanto tecnicamente, quanto fisicamente, parecia um jogador comum, muito longe de alguém que sempre foi – e ainda é – cotado para ser o melhor do mundo. Obviamente, sua lesão no pé o atrapalhou de forma que, talvez, fosse impossível que ele fosse o Neymar que conhecemos e queríamos, o Neymar do hexa. Uma pena, pois ele estava em excelente fase no PSG.

Nosso craque têm 26 anos de idade. Idade na qual jogadores como Romário, Ronaldinho, Ronaldo e Rivaldo, já haviam ganho o prêmio de melhor do mundo, ou mesmo a própria copa. Obviamente, as comparações são ilustrativas, e não diminutivas; Neymar é tão craque e diferenciado quanto os jogadores citados acima.

Entretanto, é preocupante que ele, nesta idade, se comporte em campo muitas vezes como um menino recém promovido da base; marrento, individualista, e muitas vezes até desrespeitoso para com seus adversários. Coisas, estas, que grandes craques antigos e atuais não fazem (em sua maioria). Quantas vezes você viu Messi tentando cavar um pênalti, ou aos prantos quando sofreu uma falta? Quantas vezes você viu Cristiano Ronaldo ser expulso ao fim do jogo por chutar a bola em um jogador adversário? Quantas vezes, Hazard ou Griezmann, abandonaram treinos após discussões com companheiros de equipe?

Importante também, é ter em mente, que as críticas devem feitas somente ao Neymar jogador, e não à pessoa Neymar. Aparentemente, é um bom jovem, e ajuda terceiros; por exemplo, através do instituto que leva seu nome. Acima de tudo, como nós, é humano. Não é perfeito, e erra como todos.

Dizem que o auge físico e técnico de um jogador é na faixa dos 24 aos 28 anos. A copa de 2018, em tese, era a copa em que Neymar estaria no auge da sua carreira (na próxima copa terá 30 anos). E é claro, ele não joga sozinho. Nenhuma equipe é formada por um só jogador. A seleção, como um todo, jogou abaixo do esperado.

Neymar Júnior, 26 anos, não é mais nenhum menino no futebol. Virou piada mundial por seus escândalos em campo. Dificilmente ganhará o prêmio de melhor do mundo (joga em uma liga fraquíssima e de pouca visibilidade), e talvez nem seja hexacampeão. Daqui alguns anos, conforme a idade aumenta, seu desempenho físico não será mais o mesmo (até aí, um processo comum para todos os jogadores). Espero estar errado em tudo que disse, pelo meu bem, pelo seu, pelo bem de Tite e do povo brasileiro. O menino Ney, futebolisticamente falando, é indiscutivelmente diferenciado; craque absoluto. Porém, que daqui em diante, se torne um craque também no comportamento dentro de campo.

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No último domingo, dia 29 de julho, Neymar se pronunciou pela primeira vez desde o fim da Copa do Mundo. O “desabafo” foi feito através de um comercial de 1 minuto e meio da Gilette, veiculado no intervalo do Fantástico.  Até então, a repercussão tem sido muito ruim nas redes sociais.

 

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Um comentário

  1. Dirceu Vieira

    Concordo com tudo. Bom jogador mas não estava preparado para essa Copa. Se preocupa mais em utilizar roupas requintadas europeias do que jogar futebol.

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