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Naturologia: o que é, para que serve e quem faz

Naturologia: o que é, para que serve e quem faz

O que é a naturologia e qual é a sua importância

Por Luise Goulart Duarte e Camilo Mota – Fala! PUC

A Naturologia é uma área da saúde baseada na teoria do vitalismo que busca, a partir de métodos de tratamento naturais, a prevenção de doenças, o equilíbrio do organismo, a qualidade de vida e a saúde do ser de maneira geral.

Sua aplicação leva em consideração aspectos emocionais, mentais, físicos, sociais e da relação do ser com a natureza. Sendo assim, o naturólogo – profissional da área – procura analisar e conhecer o todo do sujeito, afim de possibilitar a autorreflexão, o autoconhecimento e o auto cuidado a ele, para que ele próprio seja capaz de gerar mudanças de dentro para fora.

Pode-se dizer, então, que o grande princípio da Naturologia é cuidar da saúde para não ter que tratar a doença.

O que faz um naturólogo?

          A relação do naturólogo com o indivíduo é humana e de troca a partir de um processo denominado interagência, ou seja, quem busca o atendimento de um profissional da Naturologia não busca por uma consulta em que se manterá passivo, mas sim por uma interatividade.

Dessa maneira, diferentemente da medicina ocidental tradicional, o ser humano que é atendido por um naturólogo não é chamado de paciente, mas de interagente, uma vez que não se trata de um simples cumprimento de recomendações médicas, há um incentivo à busca da consciência, promovendo uma mudança no estilo de vida como um todo.

Um exemplo disso é o caso da cura de doenças crônicas, em que não se basta o fornecimento de comprimidos, é preciso empoderar e conscientizar o ser, estimulando mudanças de hábito em sua vida.

          Essa ciência engloba diversos campos – utilizando-se desde práticas corporais até a fitoterapia – sendo alguns deles antroposofia, aromaterapia, cromoterapia, fitoterapia, florais, hidroterapia, massoterapia, medicina chinesa tradicional, reflexologia, terapia ayurveda, terapia meditativa ativa e yogaterapia, sendo que todas essas áreas atendem ao princípio de conexão entre corpo, mente e natureza.

Suas atuações podem ser feitas tanto individualmente, como é o caso de atendimento em consultórios, hospitais ou clínicas, quanto coletivamente, seja atuando em empresas, escolas ou academias.

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História da Naturologia

          Em meados de 1990, intensifica-se a preocupação em fundamentar e estabelecer de fato a aplicação efetiva e o estudo dos tratamentos tradicionais, complementares e integrativos que, até o momento, englobavam um grupo distanciado, em resposta à crescente procura dessas práticas.

Então, devido à demanda do mercado e reivindicações públicas originadas na constituição do SUS, surgiu o Bacharelado em Naturologia no Brasil, constituindo uma formação de nível superior para atuar com as Práticas Integrativas e Complementares (PICs).

Sendo assim, em 1994, a Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde Doutor Bezerra de Menezes em Curitiba criou o curso técnico em Naturologia; em 1998, a UNISUL (Universidade do Sul de Santa Catarina) em Florianópolis, criou o primeiro curso superior (Bacharelado) de Naturologia do país e em 2002 a Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, criou o segundo curso de Naturologia.

Mesmo assim, em entrevista da TVPUC com o coordenador e docente do curso da Anhembi Morumbi, Caio Fábio Portella afirma que ainda um estranhamento de algumas pessoas diante dessa ciência ainda é algo presente na sociedade, inclusive, alguns a entendem como algo místico, enquanto na verdade é uma área baseada em estudo com bases conceituais e científicas, caminhando junto com a ciência e não opostamente a ela.

Além disso, existem também dificuldades maiores que a área da Naturologia enfrenta em termos de reconhecimento, basicamente em função de interesses econômicos.

Em 2010, o Fantástico deflagrou um esquema de troca de favores, onde médicos recebiam comissões de farmacêuticos e seus representantes, para que prescrevessem e indicassem medicamentos das próprias farmácias. Havia comissões que chegavam a 30% do valor das prescrições.

E a antiética dos profissionais vai além, não somente os fármacos, mas órtese, próteses e até acessórios especiais são usados para formação de cartéis no país. Com isso, percebe-se que a medicina convencional é muito forte no Brasil, principalmente por conta do sistema econômico em que o país está inserido, dando pouco espaço para ramos alternativos da área da saúde.

Por outro lado, Caio também diz em entrevista que o Brasil, em termos culturais, favorece a atuação do naturólogo por conta dos costumes do país, pois existe internamente uma raiz muito forte de medicinas tradicionais herdadas dos povos indígenas que ainda refletem nos hábitos dos cidadãos brasileiros, fazendo parte da própria cultura nacional.

Mas, apesar dessa análise, o profissional reconhece que, ainda assim, há uma dificuldade em atuar na área, por tratar-se ainda de um grupo profissional pouco reconhecido oficialmente. “Nadar contra a correnteza é sempre desafiador”, afirma o especialista.

Por que estudar Naturologia?

O Contraponto foi até o campus da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, e entrevistou os alunos Ana Júlia Migray, Victor Paschoal, Gabriela Zanata e Gustavo Gasparini; todos estudantes do terceiro semestre. Ao serem perguntados o porquê escolheram a Naturologia, todos disseram estar no curso porque se identificaram com o modo de viver que a Naturologia proporciona, como um todo.

Para Gabriela, depois de conhecer melhor as áreas que o curso abrange, ela se encontrou, por perceber como existe uma forte conexão com a natureza.

Nós somos vistos com preconceito. Você tem pai e mãe de um lado, a sociedade do outro, todos te encarando. Eu acho que me encontrei mais por ser diferente. A Naturologia tem esse olhar diferente para a saúde. Quando entrei, não tinha certeza se era isso que eu queria fazer, mas a vida me disse, ‘é isso que você tem que fazer’, disse Gabriela, sobre como foi o processo de escolha do curso.

Já Victor Paschoal não é paulistano, passou a adolescência atuando na área de preservação ambiental e nunca cogitou fazer faculdade, com isso sua experiência com a Naturologia foi um pouco diferente. “Sempre tive a noção de que a Natureza e a medicina estão completamente ligadas, tudo flui de forma natural”, afirma.

Mas a decisão de cursar Naturologia veio após o contato com um casal alemão que ele conheceu no Rio de Janeiro, que influenciou na decisão de prestar alguma faculdade e ao comentar com eles sobre tal curso de medicina alternativa, recebeu total incentivo:

Queria fazer engenharia ambiental, mas não tinha certeza e, numa conversa com eles, após contar essa história de estar em dúvida de que talvez pudesse fazer naturologia, eles disseram que era o que eu deveria fazer.

Victor, então, seguiu esse conselho e prestou vestibular para entrar no curso. Acabei conseguindo aqui na Anhembi e é isso o que eu quero”, conclui o aluno.

Para Gustavo Gasparini, no entanto, a decisão veio a partir de experiências pessoais, logo após sua entrada no Ensino Médio:

Eu era muito ansioso e o que me ajudou, foi a terapia. Foi a partir dessa mudança que me encontrei e quis fazer Naturologia. E foi só entrar no curso e ver que era muito mais do que eu sabia e esperava.

 Naturologia no Brasil

A Naturologia ainda é uma área desconhecida por grande parte da população e essa realidade existe, principalmente, devido às próprias políticas públicas da área da saúde, visto que não se usa o termo “Naturologia” ao referir-se aos campos abrangidos pela profissão.

Por exemplo: muitas pessoas sabem no que consiste a acupuntura ou a cromoterapia, mas essas especificidades não são atreladas à profissão do naturólogo.

Não é à toa que tanto Caio Fábio Portella – em sua entrevista com a TVPUC – quanto os alunos entrevistados pelo Contraponto, constatam que a eleita piada interna do curso é que toda vez que alguém lhes pergunta sobre o que fazem da vida (ou algo do gênero) e eles trazem à tona a Naturologia, aquele que fez a pergunta logo diz, espontaneamente, “Natu o quê? ”, demonstrando, portanto, desconhecimento dessa ciência.

 Ana Júlia Migray, em sua experiência de estágio no SUS, conta como observou a questão abordada anteriormente, na prática. “Eles não explicam a Naturologia” conta ela, “não dizem há Naturologia no SUS”. Ou seja, não se vai à consulta com um naturólogo, mas sim com um acupunturista ou com um cromoterapeuta, o que acaba ocultando a existência da profissão.

A medicina convencional – ou Moderna, como é denominada e aplicada atualmente no Ocidente – é uma das várias áreas de conhecimentos que engloba os estudos e aplicações de técnicas científicas, tais como biologia e química, que visam o tratamento e a prevenção de doenças de um indivíduo de forma paliativa – a Alopatia.

É uma das diversas áreas que compõe a Medicina Tradicional, esta que agrega todas as técnicas e procedimentos, sejam eles indígenas (primitivos), sejam orientais (Medicina Chinesa e Indiana), e que juntas, a denominam.

O que a caracteriza, porém, é maneira com a qual o indivíduo é avaliado, buscando tratar os efeitos da doença, amenizar seus sintomas e não curar ou investigar necessariamente suas causas. Sendo assim, o ser é tido como paciente, ficando, muitas vezes, submisso ao médico e suas recomendações.

No caso do Sistema Único de Saúde (SUS), com a atual demanda e certa precariedade, os pacientes não são devidamente atendidos e o que acaba ocorrendo, consequentemente, é um tratamento superficial, deixando de lado, muitas vezes, as causas iniciais e hábitos que levaram esse indivíduo a apresentá-los e valorizando um trabalho mais técnico e mecanizado.

Com base nessa realidade, Ana Júlia também observa, a partir de sua experiência, o pouco tempo que existe entre o interagente e o profissional da área, no sistema público, destacando a pressa entre atender uma e outra pessoa, pois na maioria das vezes a quantidade de gente em espera por cuidados profissionais.

Analisando tal fato de maneira negativa, explica que a na medicina convencional não há muito diálogo do médico com o paciente, mas no campo da Naturologia esse diálogo é, além de presente, necessário, e que isso deveria ser mais explorado como um diferencial positivo, mas, na prática, o tempo é um fator que limita a consulta integrativa.

“Os interagentes querem e precisam conversar, se abrir e a medicina não dá oportunidade. O paciente/interagente está abandonado e a Naturologia quer ouvir as pessoas”, diz a estudante.

Naturologia é Medicina Alternativa?

          A Naturologia se enquadra em uma espécie de medicina alternativa que se contrapõe em muitos fatores à medicina convencional, mas não é uma oposição a ela, apenas é uma das vertentes da área da saúde.

“A medicina convencional só vê o sintoma, não a causa. A Naturologia vê o indivíduo como um indivíduo, e busca o que está atrás da doença, conhecer o paciente. A medicina faz você tomar um remédio que vai te fazer tomar outro remédio; você só trata superficialmente a doença. Você se torna dependente. A Naturologia previne a necessidade do remédio” analisa a aluna Gabriela, e conclui dizendo que a única maneira de mudar isso é mudando as pessoas.

Victor concorda com essa posição e complementa a fala de Gabriela, explicando como seria realizada, efetivamente, a mudança referida: “É a partir da interagência: a pessoa não se coloca mais passiva (vou no médico, eu escuto, aceito tudo e vou embora), ela passa a ser ativa, conversa com o médico, interage, se abre”.

Ele destaca que o fundamental para que haja uma mudança está na prática da micropolítica – O que você faz, no seu dia a dia, quais as atitudes você toma para mudar o Sistema. “Para mim, a única forma de enfrentar essas dificuldades, é a micropolítica. Você quer mudar o outro? Você tem que mudar a si mesmo”.

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