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Nas entrelinhas da minha vida – Conheça o trabalho de Beatriz Melo

Julia Helena Tabach e Daniel Benites – Fala! Cásper

 

“De que adianta com pressa viver
o mundo temer
e mágoas reter?

Vale mais apena com calma amar
o mundo enfrentar
e amizades conservar

Às vezes será importante chorar
para se entender
mais leve ficar
e se fortalecer”
(Be Melo)

Uma poetisa repórter

Uma menina de cabelos escuros, pele morena e olhos faiscantes por trás dos óculos retangulares sai do elevador do terceiro andar da Faculdade Cásper Líbero, atravessa a lanchonete e caminha em nossa direção. Nós nos levantamos do sofá e vamos cumprimentá-la. Poucos minutos depois, estamos sentados em uma das mesas, os três envolvidos em uma conversa contagiante.
Foi assim que conhecemos Beatriz Melo, casperiana do primeiro ano de jornalismo que recentemente publicou o livro de poemas “Nas entrelinhas da minha vida”, um compilado das poesias que escreveu durante sua adolescência.

Conversamos com Beatriz para saber um pouco mais sobre seu processo de escrita. Confira aqui a entrevista:

Como você começou a gostar de escrever?

Eu comecei a escrever em 2012, quando alguns professores do colégio passaram a tarefa de escrever poemas. Na ocasião, eu escrevi dois e apesar de ter gostado muito, parei por um tempo e só retomei três anos depois, incentivada pelo meu professor de literatura. Sempre gostei muito de Língua Portuguesa e as aulas me inspiraram muito. Em 2015, eu adquiri o hábito de escrever com frequência, tentando sempre deixar meus sentimentos claros, como se fosse um desabafo em forma de poesia ou até mesmo um diário.

Por que a poesia e não a prosa?

Por enquanto, eu não tive nenhuma grande inspiração na área da prosa. Além disso, eu não me sinto preparada para escrever muitas páginas em texto corrido. Eu estou esperando o retorno da crônica que fizemos para um trabalho da faculdade, se for positivo, talvez eu passe a me dedicar mais a esse gênero.

Quais são os temas mais comuns em seus poemas?

Eu costumo falar bastante sobre o amor, a amizade e a própria poesia, embora tenha uma certa dificuldade em falar sobre felicidade, a alegria. Eu evito trabalhar com temas muito pesados, o máximo que eu já escrevi foi sobre a dor, mas mesmo assim, sem usar um mote muito mórbido. Eu procuro sempre enxergar a vida de um jeito positivo, portanto, esses assuntos não combinam muito comigo.

A sua escrita costuma revelar traços da sua personalidade? Seus poemas possuem um estilo próprio bem definido?

Quando eu estou escrevendo, eu sou bem transparente. É um lado que as pessoas com quem eu convivo não estão acostumadas a ver. Nos poemas, eu sou sincera, falo tudo que sinto, na vida real, eu escondo. Escrever é abrir o coração para o mundo inteiro ver.
A maioria são versos sem métrica, nesse livro eu não pensei muito na questão do estilo, pois a intenção inicial não era publicar. Essa obra é mais um compilado de diário, por isso, não segue um padrão específico. Contudo, caso tenha um segundo livro, com mais tempo para escrever, talvez eu elabore um estilo próprio.

Qual seu ambiente de escrita?

No começo da noite, no meu quarto, sozinha. É o meu momento para refletir sobre as coisas que têm acontecido comigo. Já escrevi na sala de aula, mas não é o lugar ideal.

Como é seu processo criativo? Na sua vida, teve algum acontecimento muito marcante que foi fundamental para sua escrita?

É baseado na inspiração. Uma ideia que vem na hora, uma conversa que eu tenho com alguém; as palavras praticamente surgem na minha cabeça de modo involuntário.
Quanto ao acontecimento, não me recordo de nada específico. Porém, os momentos de decepção e de solidão costumam ser bastante inspiradores.

Depois desse tempo sem escrever, o que te fez voltar aos poemas?

O contato com amigos que eu não via há muito tempo trouxe saudade e muitas lembranças, o que me inspirou a voltar a escrever.

Quais são as suas referências?

Gosto muito de Fernando Pessoa, Cora Coralina, Carlos Drummond de Andrade.

Algum poema específico?

“O amor”, de Fernando Pessoa.

Qual foi seu primeiro poema?

“Como eu era e como eu sou.” Nós tínhamos que falar um pouco de como nós éramos na infância e na época (pré-adolescência). Ele foi publicado no livro.

Você é uma pessoa bastante reservada. Essa timidez atrapalhou ou ajudou o seu processo de escrita?

Ajudou muito. A timidez me trouxe mais sensibilidade, pois me coloca em uma posição de observação. Eu consigo perceber melhor tanto o que eu estou sentindo dentro de mim quanto os problemas que as pessoas ao meu redor estão enfrentando.

Muitos jovens escritores se sentem receosos em seguir carreira na literatura, pois acreditam que não seja um caminho economicamente viável. O que você teria a dizer sobre isso?

No Brasil, faltam leis de incentivo à cultura; saraus como o que aconteceu na Cásper em agosto deveriam ocorrer durante toda vida escolar das crianças. O sistema de educação focado no vestibular e a falta de apoio das famílias também atrapalham bastante. Além de cortar a veia artística dos jovens, essa situação gera um adulto que, apesar de bem sucedido, não está feliz consigo mesmo.
Eu diria a esses escritores que se arrisquem, mas com cautela, inicialmente tendo a escrita como um hobbie. Tentar publicar seus textos é muito importante, mas em um primeiro momento o ideal seria conciliar a literatura com algum outro projeto que dê mais retorno, como fazer uma faculdade, por exemplo.

Como foi sua escolha pela faculdade? O gosto pela escrita te incentivou?

Na verdade, minha vontade inicial era cursar psicologia. No final do ano passado, uma amiga me perguntou se eu não me sentia atraída pelo curso de Jornalismo, pois segundo ela, combinava comigo. Prestei então o vestibular no fim do ano, sem, no entanto, ter uma forte pretensão de passar. Ainda assim, estou gostando bastante, pois consigo unir minha paixão pela escrita com os trabalhos da faculdade.

Como você acha que será a repercussão deste livro?

Honestamente, acho que apenas meus amigos, parentes e conhecidos irão comprar (risos). Mas ainda assim, eu espero poder inspirar alguns jovens com ele, estimulando-os à leitura. Ficaria muito feliz se isso acontecesse.

Qual foi a reação dos seus amigos e de sua família quando você decidiu publicar os poemas ?

Meus amigos ficaram muito contentes e acham que logo vão ter uma amiga famosa (risos). Minha família ficou bem emocionada, acompanharam meu crescimento e se orgulham ao ver no que estou me tornando.

Como surgiu a ideia de fazer o livro e como foi  o processo para publicá-lo?

Em 2015, eu conheci um amigo que também escreve e que me perguntou se eu gostaria de publicar meus poemas. Ele então me passou o nome de um conhecido dele que me ajudou a entrar em contato com a editora. Mas na época, o livro não foi aprovado para publicação. Dois anos depois, uma amiga da minha mãe comentou que um sobrinho tinha conseguido publicar o livro através de crowdfunding. Então eu resolvi tentar, cadastrei-me no site, e comecei o processo sem muita intenção de conseguir. Lançamos a campanha com o objetivo de R$ 3400, e acabou dando certo! Neste livro, eu juntei os primeiros poemas, de 2012, com os demais que escrevi entre 2015 e início de 2017. Eu apenas reuni as poesias que já havia feito, nenhuma foi escrita com a intenção de ser publicada.

Sobre o que você escreveria se tivesse que fazer um poema agora?

Com todos os trabalhos e provas que temos que fazer, eu falaria sobre como estamos sempre sob pressão, sempre com pressa e sem tempo para refletir.

 

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Um comentário

  1. Lucélia A. Cardoso

    Eu adquiri o livro. E amei o olhar em que a escritora Beatriz Melo, que apesar de ser tão jovem, descreve com sutileza e ao mesmo tempo expressa a profundidade dos sentimentos de situações do cotidiano de uma menina adolescente. 😍😍

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