Mulheres negras conquistam espaço no telejornalismo brasileiro
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Mulheres negras conquistam espaço no telejornalismo brasileiro

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Em junho de 2017, o site Vaidapé realizou um levantamento de dados para quantificar a diversidade racial dos apresentadores brasileiros. Os resultados foram que apenas 3.7% dos apresentadores da programação paulista, tomada como padrão, eram negros. Em números absolutos, foram 10 negros contra 261 brancos.

Essas estimativas não representam a população brasileira, uma vez que, em 2018, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 55.8% dos cidadãos se autodeclararam pretos ou pardos.

Glória Maria
Glória Maria. | Foto: Reprodução.

No entanto, nos últimos anos, tornou-se notável a ocupação de jornalistas negras em cargos de relevância nos telejornais do país. Uma das pioneiras é a repórter, jornalista e apresentadora Glória Maria da Silva. Ela foi efetivada no jornalismo pela Rede Globo em 1970, quando estreou com sua primeira reportagem.

Glória Maria ficou reconhecida pelo público como uma repórter especial ao realizar viagens inusitadas. Atualmente, ela curou-se de um tumor no cérebro, o qual foi tratado durante oito meses e resultou no afastamento da repórter da televisão.

Maria Júlia Coutinho
Maria Júlia Coutinho. | Foto: Reprodução.

Maria Júlia Coutinho, também conhecida apenas como Maju Coutinho, está em atividade como jornalista desde 2005. Graduada pela Faculdade Cásper Líbero, ela já atuou como apresentadora, comentarista, radialista e repórter. Estreou como apresentadora em 2015, ela informava a previsão do clima no Jornal Nacional quando foi alvo de comentários racistas na Internet. 

Não me abalo. Acho triste, mas sou muito consciente. Cresci numa família que militou no movimento negro. Não perco muito tempo com isso.

Afirmou Maju, em entrevista ao jornal Extra.

Hoje ela é a primeira âncora negra do Jornal Hoje, telejornal do “horário do almoço” da emissora Globo.

Recentemente, viralizou na Internet um vídeo de Maria Alice, de 2 anos de idade, que “se reconhecia” em Maju Coutinho. No vídeo, ela vê a jornalista na televisão e diz: “Esse aqui é meu cabelo! Está parecendo meu vestido amarelo, yellow”. O vídeo chegou até a equipe do programa Encontro com a Fátima, que organizou um encontro das duas. Após o episódio, foram levantados debates sobre a importância da representatividade racial nas telas.

Representatividade no jornalismo

Jornalistas negros da Rede Globo
Em Pauta composto inteiramente por apresentadores negros. | Foto: Reprodução.

Nos últimos meses, incendiados pelo assassinato de George Floyd nos Estados Unidos da América, intensificaram-se manifestações ao redor do mundo contra a violência policial e o racismo. Nesse contexto, também passou a ser discutido sobre a cobertura desses protestos ter sido realizada majoritariamente por brancos.

Dessa forma, o quadro Em Pauta do canal GloboNews realizou um debate sobre o tema com uma equipe inteiramente de pessoas negras, o episódio foi considerado um marco histórico para o jornalismo brasileiro. Nele, o mediador foi o apresentador Heraldo Pereira e contou com comentários de Flavia Oliveira, Zileide Silva, Aline Midlej, Lilian Ribeiro e Maria Júlia Coutinho. Elas abordaram desde os assuntos atuais até suas próprias vivências e casos de preconceito. Glória Maria, que estava de licença médica, filmou um depoimento de sua casa:

“Racismo é uma coisa que eu conheço, que eu vivi, desde sempre. E a gente vai aprendendo a se defender da maneira que pode. Eu tenho orgulho de ter sido a primeira pessoa no Brasil a usar a Lei Afonso Arinos, que punia o racismo, não como crime, mas como contravenção. Eu fui barrada em um hotel por um gerente que disse que negro não podia entrar, chamei a polícia, e levei esse gerente do hotel aos tribunais. Ele foi expulso do Brasil, mas ele se livrou da acusação pagando uma multa ridícula. Porque o racismo, para muita gente, não vale nada, né? Só para quem sofre.”, ela relatou.

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Por Beatriz Foiadelli de Faria – Fala! Cásper

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