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Mulheres na Copa: proibição histórica começa a dar sinais de queda

Por Isabela Barreiros e Karolyne Oliveira – Fala! Cásper

 

Durante a Copa na Rússia, os gritos por liberdade das mulheres iranianas ganharam espaço

No Brasil, o futebol é uma tradição nacional. Pouquíssimas pessoas não possuem um time do coração, e, mesmo que você não entenda muito de futebol, está inserido nessa cultura. A cada quatro anos, veste o verde e amarelo e vibra em todo jogo, sendo algo natural em nosso cotidiano, porém no Irã a realidade é completamente diferente. Após a revolução de 1979, as mulheres do país foram proibidas por lei a assistirem jogos masculinos, e até 1987 elas não tinham acesso nem às partidas na televisão. No caso de jogos femininos, apenas mulheres podem assisti-los. A proibição para a entrada em estádios iranianos, no entanto, permanece até hoje e revela a persistência do machismo em aspectos que deveriam ser considerados simples e comuns na vida das mulheres.

Mesmo com a proibição, as mulheres iranianas encheram estádios durante os jogos do Irã na Copa do Mundo 2018. É simbólico que isso ocorra na Rússia, país conhecido pela intolerância à diversidade. Estas moças mostram força e resistência não apenas por estarem lá ou pelas roupas que usam, mas também por protestaram com cartazes com os dizeres “Apoie as mulheres iranianas para frequentarem os estádios” e gritos durante os jogos. Durante o jogo contra a Espanha, as palavras mais ouvidas nas arquibancadas eram “liberdade e felicidade”. Esse acontecimento tornou-se grande símbolo para a luta pela igualdade de gênero, visto que não é (apenas) pelo esporte, faz parte de um conflito muito mais amplo – um exemplo disso é a proibição para dirigir das mulheres do seu país vizinho, a Arábia Saudita.

Em relatos, iranianas confidenciam que para entrarem em estádios e ginásios no Irã é necessário que se disfarcem como homens. Elas contam que precisam usar de técnicas como cortar as unhas e cabelos, usar chapéus, barbas e bigodes falsos, além da necessidade de disfarçar os seios. A justificativa usada pelas autoridades iranianas para a proibição seria o intuito de protegê-las dos comportamentos vulgares e ofensivos por parte de outros espectadores, culpando, assim, as mulheres pela conduta agressiva dos homens nas arenas. Além disso, demonstra desrespeito ao ato de “ir e vir” destas, considerando-as, por consequência, inaptas a decidirem se comparecerão aos estádios ou não.

A última vez que mulheres puderam assistir jogos de futebol no Irã foi em 1981, de acordo com a Open Stadiums (organização que luta pela igualdade de acesso a jogos de futebol), mas, pela primeira vez depois de quase 40 anos, elas foram autorizadas a assistir os jogos da Copa no estádio Azadi, em Teerã, o maior do país. Esse fato só foi possível devido à pressão do abaixo assinado da ativista iraniana Maryam Qashqaei ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, que já chegou a quase 160 mil assinaturas. Questionando a limitação de entrada aos estádios, ela alude ao fato do maior estádio do país – Azadi – significar “liberdade” enquanto em suas arquibancadas podemos encontrar apenas homens, além de expor que, dentre todas as seleções, apenas o Irã bane suas cidadãs de eventos esportivos.

Essa foi uma vitória importante na luta contra o banimento das mulheres, contudo, ela não é definitiva. A discriminação de gênero no Irã permanece, e a restrição também. Segundo Maryam, não existem leis escritas que deferem com essa determinação, o que facilitaria um pouco sua abolição, mas é necessário pressão e muita luta. É inaceitável que, em pleno século XXI, ainda existam proibições e restrições para pessoas apenas pelo que elas possuem entre as pernas. As mulheres, assim como os homens, podem gostar de futebol e de torcer pelo seu time ou nação, com liberdade e paixão. Inacreditavelmente, o patriarcado desenvolve maneira criativas de controlar e subordinar mulheres, mas essas atitudes não passam mais em branco, e essas mulheres não vão deixar isso barato: apoiemos o #NoBan4Women e todas as manifestações contra a desigualdade.

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