Memória de Santa Teresa de Jesus: 15 de Outubro
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Memória de Santa Teresa de Jesus: 15 de Outubro

Memória de Santa Teresa de Jesus: 15 de Outubro

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Santa Teresa de Ávila (Santa Teresa de Jesus) foi uma grande expoente da Teologia Mística durante a Idade Moderna. Suas obras foram imprescindíveis para o desenvolvimento de uma perspectiva mais cristológica acerca da espiritualidade prática. Podemos dizer que a obra de Teresa apresenta uma verdadeira “pedagogia do amor”, pois se propõe a promover uma reflexão holística concernente aos valores, virtudes, hábitos e práticas necessárias para o crescimento na caridade cristã e na jornada de união afetiva com Deus. 

Uma das características mais marcantes nos escritos teresianos é a espontaneidade com que a santa discorre sobre determinado assunto, sobretudo por meio de digressões e de uma linguagem essencialmente poética e metafórica. Sendo assim, Teresa de Jesus não é sistemática, mas mantém uma coerência nítida ao longo de suas obras. “Com estilo próprio, singular, a escrita de Teresa dialoga com o leitor, provocando interação, sendo atraente e, ao mesmo tempo, instigante (…)” (PRATES, 2016, p.54).

Ela se dirige também a nós como estivesse conosco face a face, e se monstra descontraída fazendo confidências pessoais. Desviando-se do tema sempre de novo, ela volta e meia cai em si ( e pergunta: “onde é que eu estava mesmo? Oh! Sim…) e volta ao tema principal, retomando o fio da meada. Eis aí algo enlouquecedor e agradável ao mesmo tempo, pois as divagações da Santa são, com frequência, seus parágrafos mais apaixonantes e importantes (…) Pelo fato de ela nos falar com tanta intimidade e de se entusiasmar tantas vezes, os escritos teresianos nem sempre são sistemáticos.

BIELECKI, 2000, p.29. 
Santa Teresa de Jesus
Santa Teresa de Jesus. | Foto: Reprodução.

Vida de Santa Teresa

Teresa nasceu no ano de 1515, na província de Ávila, no Reino de Castela, Espanha. Desde criança, nutria uma profunda admiração pela vida cristã e pelos preceitos da espiritualidade centrada na piedade prática. Gostava de brincar de “fundar mosteiros”. Quando pequena, chegou a fugir de casa, com o irmão, para entregar-se ao martírio nas mãos dos mouros. Entretanto, felizmente, chegou a ser resgata pelo tio.

Ainda com 14 anos, sua mãe morreu e seu pai a colocou num mosteiro. Com 20 anos, tomou uma decisão inexorável: fugir para o Convento das Carmelitas (Mosteiro da Encarnação em Ávila), com o intuito de seguir de forma categórica os preceitos da vida religiosa, mesmo contra a vontade do pai. 

Em 1535 Teresa foge da casa paterna e entra no Mosteiro da Encarnação em Ávila. Vive vinte e sete anos (dos 20 aos 47 anos) no Mosteiro Carmelita da Encarnação. Com breves ausências em função de sua doença. Este mosteiro era uma comunidade monástica numerosa: em torno de duzentas pessoas entre religiosas e familiares residentes. Foram anos de formação. Foi neste mosteiro que aconteceu a segunda conversão de Teresa e sua iniciação na vida mística. Neste período, igualmente já havia projetos de nova fundação. Mas tarde regressará como priora da comunidade (entre os anos de 1571-1574).

CARLI, 2017, p. 03.

Depois de se recuperar de uma doença grave, decidiu iniciar um projeto de reforma da Ordem das Carmelitas. Fundou o Carmelo São José de Ávila. Frisou a centralidade cristológica na vida espiritual, a contemplação interior, a eminência da oração e a concentração espiritual. Por meio de seus escritos, a fama de Teresa cresceu imensamente e ela chegou a se associar com um dos maiores expoentes da mística teológica, a saber: São João da Cruz.

Devido à profundidade de seus escritos, Santa Teresa de Ávila é considerada uma “Doutora da Igreja” e suas obras representam clássicos da literatura espanhola. Pela sua grande sabedoria e inteligência, Santa Teresa é padroeira dos professore e invocada frequentemente pelos que sofrem com ansiedade, medo, tristeza e insegurança. 

Ensinamentos práticos de Santa Teresa de Jesus 

  • “Por isso vos digo, filhas, que devemos pôr os olhos em Cristo, nosso bem, e em seus santos, e dali depreenderemos a humildade, e o entendimento há de enobrecer, e o conhecimento de nós mesmas não será rasteiro ou covarde; que, embora esta seja a primeira morada é extremamente rica e de tão grande valor que quem conseguir se livrar de seus parasitas não deixará de seguir adiante. São terríveis os ardis e manhas do demônio para que as almas não se conheçam nem compreendam seus caminhos (…) E a mim parece que jamais chegaremos a conhecer a nós mesmas se não procurarmos conhecer a Deus; contemplando Sua  pureza, veremos nossa sujeira; considerando Sua humildade, veremos o quanto estamos longe de ser humildes”. (TERESA DE JESUS, 2014, p.26-27).
  • “Antes de falar do interior, isto é, da oração propriamente dita, direi algumas coisas que quem pretende seguir o caminho de oração precisa ter, coisas tão necessárias que as que as seguirem, mesmo não sendo muito contemplativas, poderão avançar muito no caminho do Senhor; é impossível, não as seguindo, ser muito contemplativa, e quem pensar que o é estará muito enganado (…) Não penseis, amigas e irmãs minhas, que vos encarregarei de muitas coisas (…). Só me alongarei em falar de três (…), porque é muito importante percebermos o grande proveito de guardar essas coisas para ter a paz interior e exterior que o Senhor tanto nos encomendou. A primeira é o amor de umas para com as outras (amor unas con otras); a segunda, o desapego de todo o criado (desasimiento de todo lo criado); a terceira, a verdadeira humildade (verdadera humildad) – que, embora tratada por último, é a principal, abarcando todas”. (TERESA DE JESUS, 2001, p.311-312).
  • “Digo, tudo depende do desapego, porque se nenhum caso fizermos de todo o criado e abraçarmos somente o Criador, Sua Majestade nos irá infundir na alma as virtudes infusas(…) olhos fitos em Vosso Esposo”. (TERESA DE JESUS, 2001, p. 325-326).
  • “(…) por que razão Nosso Senhor tão amigo desta virtude da humildade e logo se pôs diante, (…) isto; porque Deus é a suma Verdade, e a humildade é andar na Verdade” (TERESA DE JESUS, 2001, Castelo Interior, VI 10,7-8). 
  • “o que entendo é que o alicerce da oração tem como base a humildade e que, quanto mais se humilha na oração, tanto mais a alma é elevada por Deus”. (TERESA DE JESUS, 2001, P.146).
  • “Aprendemos a contradizer em tudo a própria vontade. Se empregardes nisto toda diligência, a pouco e pouco estareis no cume sem saber como”. (TERESA DE JESUS, 2001, Caminho de perfeição, Capítulo XII, 3).
  • “Acreditai-me e não vos deixeis enganar por ninguém que vos mostre um caminho que não seja o da oração.”. (Caminho de Perfeição, XXI, 6).
  • “Em tempos de tristeza e inquietação, não abandones nem as boas obras de oração nem a penitência a que estás habituada. Antes, intensifica-as. E verás com que prontidão o Senhor te sustentará.”.
  • “São felizes as vidas que se consumirem no serviço da Igreja.”.
  • “Uma prova de que Deus esteja conosco não é o fato de que não venhamos a cair, mas que nos levantamos depois de cada queda.”.
  • “…não é outra coisa a oração mental, ao meu ver, se não um trato de amizade, estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama”. (Livro da vida, cap. 8, 4-5).
  • “A meu ver a oração não é outra coisa senão tratar intimamente com aquele que sabemos que nos ama, e estar muitas vezes conversando a sós com ele”. (Livro da vida 8, 5). 
  • “Não te perturbe, nada te amedronte. Tudo passa, a paciência tudo alcança. A quem tem Deus nada falta. Só Deus basta”.

Material complementar 

BARBOSA, L.I. De amor e de dor: a experiência mística de Santa Teresa de Ávila. 2006. 107f. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Minas Gerais. 

BIELECKI, T. Teresa de Ávila: uma introdução à sua vida e escritos. São Paulo, SP: Vozes, 2000. 

BORGES, C.M. Santa Teresa e a Espiritualidade Mística: a circulação de um ideário religioso no mundo Atlântico. In: Congresso Internacional de História Espaço Atlântico de Antigo Regime, 2005, Lisboa. Espaço Atlântico de Antigo Regime. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2005, p.01-10.

CARLI, V.B.A. A vida de oração de Santa Teresa de Ávila como exemplo para vencer as fronteiras da fé. In: Seminário Internacional de Antropologia Teológica: Pessoa e Comunidade em Edith Stein, 2017, Porto Alegre: EDIPUCRS, 2017, p.01-08.

GUTIÉRREZ, J.L.R. A Filosofia Mística de Teresa de Ávila. Revista Caminhando. Volume 8, n.1 [11], p.127-157, 2003. 

PRATES, A.E. Imaginação material e mística: traços dos quatro elementos naturais presentes na obra Castelo Interior de Santa Teresa de Ávila. 2016. 184f. Tese de Doutorado em Ciências da Religião. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, SP.

TERESA DE JESUS. Escritos completos de Teresa de Ávila. São Paulo, SP: Loyola, 2001. 

______. O Livro da Vida. 7.ed. São Paulo, SP: Editora Paulus, 1983.

______. Obras completas Teresa de Jesus. 2.ed. São Paulo, SP: Loyola, 2002.

______. O Caminho de perfeição. 8.ed. São Paulo, SP: Editora Paulus, 1982. 

______. Castelo Interior ou Moradas. 9.ed. São Paulo, SP: Editora Paulus, 1980. 

VAZ, H.C.L; Experiência Mística e Filosofia na tradição ocidental. São Paulo, SP: Loyola, 2000.

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Por Leonardo Leite – Reaviva Mack – Universidade Presbiteriana Mackenzie

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