'Malcolm & Marie': A dualidade do amor em forma de poesia
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‘Malcolm & Marie’: A dualidade do amor em forma de poesia

‘Malcolm & Marie’: A dualidade do amor em forma de poesia

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As perspectivas do mais novo sucesso da Netflix, Malcolm & Marie, que rendeu espaço à Zendaya no Oscar

Uma comida no fogo, uma bebida na mão, um cigarro aceso e um jazz ao fundo são detalhes perfeitos para uma noite pós-estreia do filme do cineasta Malcolm (John David Washington), isso se não fosse pelo grito entalado que estava por vir da garganta de Marie (Zendaya). Durante os oito primeiros minutos do longa, um plano sequência fabuloso alcança os movimentos, as expressões de ambos e capta todas as perspectivas, uma das escolhas de estrutura do diretor de Euphoria, Sam Levinson.

É a partir daí que é temperado o estopim central do conflito, Marie está descontente por não ter sido citada no discurso de Malcolm, uma vez que ela teve forte participação em todo o contexto do projeto de seu marido. Um vai e vem de discussões toma os dois e cava algo mais profundo nos sentimentos do casal.

Malcolm & Marie mostra a dualidade do amor – leia a resenha

O recorte único e direto da trama permeia por monólogos longos e duradouros, mas que não se perde em momento algum de vista. O romance que embala os dois vai se desenvolvendo de uma forma tortuosa, as explosões de cada um são necessárias e divididas, dando chance do outro absorver e contra-argumentar. Há sempre uma expectativa do que está por vir, de quais palavras serão jogadas. O espectador é quase que uma espécie de júri, sempre se questionando quem é o certo nessa discussão.  

Uma atmosfera de anos 70 é cultuada no longa, através da trilha sonora, da poesia do preto e branco e da fotografia. É um afago nos tradicionais filmes

malcolm & marie
Série Malcolm & Marie. | Foto: Netflix.

Marie é uma atriz e modelo, ex-viciada e com uma áurea entediada que desembarga em suas frustrações, existe nela uma ferida não cicatrizada que faz de seu emocional depender de sua sanidade, mascarando uma tremenda insegurança. Malcolm, por sua vez, tem uma essência que grita, esperneia, uma essência eufórica que se atropela a todo momento, ele espera ansiosamente o parecer dos mais nomeados veículos de comunicação sobre seu filme, relembra produções e diretores importantes, tece elogios e críticas, dando forma à crítica sobre a indústria do cinema. Uma comédia ácida é levada em conta.

Há pontos interessantes na trama, partindo da premissa de que diretores negros buscam sempre expressar através da linguagem do cinema, o social e o político. Mas o ponto é que simplesmente roteirizaram por um viés artístico, com outra ótica que não seja o campo racial.

De todo modo, os dois estão presos em suas próprias cabeças e têm dificuldade em sair para se ouvirem. Existe o peso de ser um casal negro cercado por uma elite branca, o silêncio da mulher negra, a solidão do homem negro. Há ali um relacionamento emocionalmente abusivo de ambas as partes, uma codependência, uma necessidade de ascender enquanto pessoa. É um aspecto de calmaria pós-tormento a todo minuto, a dor e a delícia de ser quem são.

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Por Douglas Norberto – Fala! Cásper

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